Olhando pela janela afora, clamo pelo luar. Para que ele traga um pouco de frescura e inspiração para minha caneta riscar o papel. Uma música talvez. Mas o calor lá fora e aqui dentro parece não deixar. Me sinto como se estivesse rastejando no meio do Saara, implorando a um beduíno um copo de gelo. Um tanto quanto impossível, mas não menos inspirador que Lawrence da Arábia - um explorador daquelas terras áridas que lutou com os beduínos, em favor da Inglaterra. Como se não bastasse ter nascido em pleno verão em um Rio 40 graus... Sempre tive o calor batendo a minha porta. Será a menopausa? Mas vamos combinar, essas mudanças climáticas já estão passando do limite! Andando pela rua, logo invento de entrar numa loja com ar condicionado no mínimo grau. Olho uma roupa aqui, outra ali, pergunto do tecido, dou palpite sobre a estampa de outra cliente, falo de música, de política. Aliviada, vou embora feliz. Logo depois já estou dentro de uma sorveteria - qualquer sabor, por favor! Sim, tem dias que sou uma calota polar em extinção pelo aquecimento global. Agora sim, a lua vem surgindo, meio escondida entre nuvens gigantes. Esperançosa, sinto um leve cheiro de chuva no ar... Anunciando, finalmente, o fim do verão...... e o início da minha inspiração!!!
viagens ecológicas e culturais, opiniões e artigos sobre meio ambiente e a natureza humana, ideias e devaneios...
sábado, 16 de março de 2019
domingo, 3 de fevereiro de 2019
Um outro mundo!
O mundo marinho sempre foi e sempre será fascinante para mim. Um lugar que eu realmente gostaria de morar, me mudaria agora se isso fosse possível! Com sua estrutura tridimensional, seres encantadores, gigantes ou minúsculos. Um mundo onde nem um quinto é conhecido até hoje! Pequeninos seres planctônicos, que vivem na coluna d'água e fazem fotossíntese, são amigos pra vida toda, pois liberam enormes quantidades de oxigênio atmosférico, garantindo nossa sobrevivência aqui na Terra. Além disso eles servem de alimento para o zooplancton, como o pequeno crustáceo Krill, prato preferido das grandes baleias Jubarte e Franca. Ou seja, é uma imensa cadeia viva num espaço 300 vezes maior que o ambiente terrestre. Um mundo rico, cheio de vida e cor, que impressiona até quem mergulha a poucos metros de profundidade. Faz tempo que não mergulho com cilindro, mas ainda assim sinto-me hipnotizada quando nado no mar, ainda que raso ou perto de ilhas...
Por isso me causa uma tristeza sem tamanho a falta de sensibilidade e até pouco caso com os oceanos em geral. Junto com os eventos climáticos extremos, é evidente a magnitude dos potenciais impactos nos ecossistemas marinhos. Desde indústrias químicas e mineradoras que deixam seus rejeitos correrem pelos rios até o mar, até pessoas comuns que vão passar o verão na praia e deixam um rastro de destruição para traz: garrafas pet, canudos, copos e sacos plásticos.É tudo igual, não há diferença, são fontes potenciais de poluição! É preciso ter o mínimo de conhecimento (muitos ainda têm!) e bastante amor à vida para mudar este cenário. Diminuir o uso de carros na cidade já ajuda a não emitir CO2 na atmosfera, contribuindo p/ o aquecimento global e aumentando o nível dos mares. Esses impactos causam mudanças na saúde dos oceanos, como acidificação e menos oxigenação nas águas. Cidades costeiras correm maior risco de inundações com as tempestades tropicais cada vez mais intensas. A produtividade agrícola pode reduzir radicalmente nas regiões mais afetadas, tanto pelo aumento das chuvas nas latitudes médias quanto maiores períodos de seca em zonas sub tropicais. Ainda, a saúde humana é ameaçada pela propagação de vírus, doenças e patógenos pelas águas mais quentes. Apesar do ambiente marinho ser muito maior que o terrestre, não podemos diminuí-lo ao ponto de torná-lo insignificante, precisamos mantê-lo vivo agora e também para as futuras gerações.
O mundo marinho é tão belo e tão vívido que desperta paixões e nos enche de energia, basta molhar os pés na praia e pronto, já se sente contagiado! O eterno mergulhador francês Jacques Mayol , conhecido como o homem golfinho, já sabia disso há muito tempo quando disse - "O mais difícil é quando você está lá embaixo: você precisa de um bom motivo para voltar à superfície".
quinta-feira, 24 de janeiro de 2019
Mãos à obra!
"El Caminito", em Buenos Aires
As férias já se foram faz tempo. A rotina começa a se ajustar nos dias que seguem, como tem que ser. A cabeça já anda a mil por hora! Novos planos, novas e boas ideias - a verificar viabilidade - novos trabalhos e dias corridos. E por que não novos destinos no horizonte? Quando chego de uma viagem já começo logo a pensar na próxima, mesmo que seja uma vez ao ano! Já viajei a trabalho (poucas vezes), mas agora só mesmo por prazer e muita aventura. Preencho os dias com muito trabalho, cappuccino, colocando os planos em ação e acrescentando tantos outros que teimam em aparecer a todo tempo, sorvete, alguns tropeços de vez em quando, mais cappuccino, erros bobos , mas nada que se compare aos ganhos. E quando menos se espera já é hora de por o pé na estrada novamente. A vida é isso! Então chega a hora de esquecer tudo e deixar de lado por um tempo. É a vez dos planos a curto prazo, de ida e volta, e no meio disso tudo uma viagem inteira para acontecer. E estando lá, seja onde for (na China ou no Sul da Bahia) o bom é se render aos longos dias, ao inesperado, à beleza de tudo, e esquecer do tempo. Afinal, de nada adianta levar o corpo para passear se a alma fica em casa, já dizia o velho ditado. Esse planeta é grande e a vida é muito boa para ser desperdiçada. Com os anos percebi que o mundo cabe no espaço de uma mala, ainda que pequena como minha, hehe.
Mas por agora, mãos à obra, de volta ao trabalho e aos planos de longo prazo...
sábado, 12 de janeiro de 2019
Um pouco de verde para refrescar!
Entrando no bosque já se percebe como o verde predomina e te enche de luz!
Uma raiz retorcida, folhas no chão como um tapete macio, um galho úmido coberto de musgos, frutos que caem e brotam... Observar detalhes de uma floresta nos faz desacelerar e sintonizar com a linguagem da natureza. Nessas curtas férias entrei despretensiosamente em um pequeno bosque no "parque das águas" em São Lourenço. Embora seja um bosque dentro de um parque, dentro de uma cidade, a conexão é imediata! Lá fora um sol que me faz querer pular numa piscina gelada, mas dentro da mata o clima se transforma imediatamente em um imenso frescor. É possível sentir a força e a comunicação entre as árvores ao redor. Uma árvore só não faz uma floresta, não é capaz de produzir um microclima, já que fica totalmente desprotegida e não conta com a ajuda das outras. Quando juntas, elas criam um ecossistema próprio, melhoram o clima e tornam o meio ambiente equilibrado. Bom, uma das razões disso é como as árvores se comportam durante as chuvas. Como agora é verão no hemisfério sul, estamos sujeitos ao calor intenso e tempestades ocasionais. Quem sua muito precisa beber bastante líquido. Com as árvores também é assim. Quando a chuva forte cai sobre as folhas, a umidade pinga nos galhos. É nessa hora que a água começa a escorrer pelo tronco em filetes com velocidade tal que chega a formar uma espuma no solo, para então penetrar nas raízes. Assim uma árvore adulta pode armazenar milhares de litros de água, garantindo a sua sobrevivência e também a de inúmeros pequeninos seres. Enfim, uma árvore é importante para toda a comunidade! Se cortarmos um só espécime, um pequeno 'mundo' deixa de existir.
Dentro de uma floresta eu tiro até o barulho da câmera fotográfica para não interferir na comunicação entre as árvores. Afinal elas se comunicam pelos odores que exalam, pelo barulho de suas folhas e pelas conexões entre suas raízes. Fantástico, não!? Uma coisa é certa, ao caminhar por uma floresta, por menor que ela seja, nossa pressão arterial melhora, bem como a capacidade pulmonar e a oxigenação das células. Tanto é assim, que na Coreia cientistas compararam idosos que caminhavam nas florestas com outros que caminhavam pela cidade. Os resultados foram surpreendentes! Inclusive os fitocidas (liberados naturalmente pelas árvores) beneficiam nosso sistema imunológico matando os germes. Ou seja, nada melhor do que uma floresta saudável para nos mantermos jovens e com saúde de sobra!
Folhas de duas cores, beleza em dobro! Na parte de cima é onde a folha realiza a fotossíntese e na parte de baixo ela respira.
Um tronco úmido é habitat ideal para alguns tipos de fungo, como estes cogumelos que vivem em uma simbiose perfeita!
Não adianta disfarçar, a cor vermelha no tronco descascado entrega seu nome, este é o verdadeiro Pau-Brasil!
Uma árvore-criança cresce aos pés da árvore-mãe, que assim a protege dos raios do sol e a alimenta pelas raízes.
Um tronco caído no chão não morreu! Ele serve como suporte e ainda tem seiva suficiente para alimentar outras plantas, fungos e liquens que ali se instalam
Tronco coberto de musgos e com algumas cicatrizes que o tempo e o homem vão deixando...
Nas clareiras o sol penetra com vontade, e as flores agradecem se abrindo felizes, pois não têm a sombra das árvores maiores lhes ofuscando
Saindo do bosque de volta ao parque... a mudança de temperatura é cruel em pleno verão no Hemisfério sul
sábado, 15 de dezembro de 2018
Surpreenda-me!
Uma semana e o novo ano tem tudo para ser igual aos outros. Como tem sido há décadas. Não quero mais. Quero menos. Menos hipocrisia, menos nacionalismo, menos violência, menos corrupção, menos racionalismo e menos patriotismos. Sendo assim, sobra mais amor, mais compaixão, mais felicidade e mais naturalidade por consequência! Quero continuar tendo planos para uma vida plena. Não faço listas, pois não sou tão otimista assim, sou sim realista . Só quero estar preparada para o que der e vier e tomar decisões com a sabedoria que o tempo vai nos impondo (ainda que em câmera lenta...). Seguirei sendo curiosa, até onde eu possa alcançar, e estou aberta a boas surpresas sempre, sejam elas grandes ou pequenas. Surpresas ruins, ok também, estou encarando tudo! Portanto, meu caro Ano Novo: Surpreenda-me!!!
segunda-feira, 5 de novembro de 2018
Buongiorno a tutti!
Vista de um "roof top" na Via del Tritone, no centro de Roma. O jeito dos romanos viverem em seus terraços cheios de sol e de plantas!
Talvez viajar não seja a melhor coisa do mundo, dentre tantas coisas mais importantes nessa vida... Mas para mim, e meu parceiro de vida e viagens, está entre as "top 5"! Não, não falo daquelas pessoas que ficam marcando no mapa TODOS os milhares de lugares por onde andaram, mesmo por que é preciso ter cacife para tanto, hehe. Como um conhecido meu me disse uma vez: 'Conheci 8 países em 10 dias, foi incrível'! Uhuuu, que bom para ele. Porém, acredito que as vezes é preciso sacudir um pouco a vida, trilhar outras estradas, singrar outros mares, conviver com pessoas diferentes, falar outras línguas. E isso leva tempo, em certos lugares até mais que outros. Não dá para fazer uma viagem do tipo "trem bala" só para marcar no mapa. O tempo é muito precioso, e por isso não pode ser desperdiçado. Tem que ser prolongado, isso sim. Pesquisar antes de viajar facilita muita coisa, como taxas cobradas em certos lugares, meios de transporte e horários de funcionamento. Mas algumas vezes somos levados ao erro, e a realidade não condiz com as informações pesquisadas. No entanto, a frustração inicial pode se transformar numa experiência fantástica se soubermos aproveitar e dar a volta por cima. Na última viagem, quando chegamos à Roma, o hotel moderninho que tínhamos contratado na internet, na verdade era um hostel bem simples com o mesmo nome (tirando só uma letra), no mesmo bairro, na mesma rua, a menos de 100 metros de distância! A porta de vidro para entrar no prédio (todo pichado) estava sempre emperrada e quase quebramos a chave uma vez, pois só abria na base do empurrão. A janela do nosso quarto dava para os fundos do prédio e o pátio de um mercado, que abria todo dia às 7:00 da manhã, com seu dono falando em alto e bom som para toda a vizinhança: "Buongiorno a tutti. Il mercato è aperto. Cosa vogliono oggi?", e toda aquela sinfonia de vendedores e clientes falando e rindo o tempo todo. Mas nada que um daqueles tampões de ouvido baratos na farmácia ao lado não resolva. Depois ainda ficamos fregueses do supermercado, onde comprávamos sempre biscoitos, bilhetes do metrô, água e suco para abastecer nosso quarto, que não tinha nem o básico. Mas quer coisa melhor do que praticar italiano com a própria dona da casa, uma simpática romana com seu filhinho, que nos dava dicas incríveis que não vi em nenhum guia de Roma? E ainda nos levava todo dia na bandeja um farto café da manhã no quarto? Aliás, o melhor cappuccino que já tomei, diga-se de passagem. Só íamos almoçar lá pelas tantas da tarde, depois de andar metade da cidade a pé! Ah, nosso hostel-casa em Roma ficava a 200 metros da estação de trem de Trastevere, e dali há trens para quase todo lugar. Melhor lugar não há! Claro, ainda não estive em todo lugar, mas certamente está na minha lista!
É por essas e outras que quando eu digo que 11 dias só na cidade eterna foi pouco, ninguém acredita!
sexta-feira, 26 de outubro de 2018
Devaneios ...
Apesar dos tempos difíceis para todo lado, desconfio que todo dia a vida pode, sim, ser muito simples e também muito boa. Tudo depende do ponto de vista. E aí vale até trocar os óculos para enxergar por outro ângulo, hehe. Os maus momentos também contam, e não é preciso esquecê-los - fazem parte desse imenso quebra-cabeça que é a nossa vida. E ela seria muito chata sem vírgulas, pontos, reticências. Tudo está intrincado e merece observação, vez por outra uma exclamação, e muita interrogação. É importante questionarmos a situação do nosso país, do planeta, nos indignarmos. Mas também é preciso falar de amor - ou da falta dele - que permeia o mundo e faz as coisas acontecerem de uma maneira mais suave. Não só a doce presença de alguém ao seu lado, mas de crianças (que nem são suas) correndo lá fora, da chuva forte caindo, do vento que bagunça seu cabelo, a gentileza com o outro, a humildade e a integridade de uma pessoa. Ademais, tudo isso junto e misturado é uma experiência e tanto para acrescentarmos no currículo, além de dar uma receita de bolo incrível!!!
segunda-feira, 15 de outubro de 2018
Lugares abandonados e assustadoramente belos!
Onde alguns enxergam desolação total, outros conseguem ver a áurea de um lugar agora ocupado pelo meio ambiente ao redor. Fotógrafos experientes e suas lentes maravilhosas captam a luz perfeita no momento exato. Muitas vezes o ser humano dá vida e graça aos lugares, mas surpreendentemente alguns lugares ficam ainda mais belos sem a presença dessa espécie em particular, onde agora pulsa a natureza para resgatar todo o tempo perdido! Realmente, muitas dessas paisagens são verdadeiros cenários cinematográficos onde a natureza tomou de volta com todo o seu esplendor....
Pripyat, Ucrânia: Parque abandonado depois do acidente nuclear de Chernobil em 1986. Devido à radiação, está tudo intocado desde então, e o lugar agora é governado pela natureza.
Antiga aldeia de pescadores no rio Yangtze, China. Foi totalmente coberta pelo verde após seu abandono (foto: Jane Qing)
Castelo antido em Sintra - Portugal, hoje habitado por animais(foto: James Mills)
Casa invadida pela areia no deserto no sul da Namíbia, em Kolmanskop (foto: Kanuman)
Vila Epecuén - Argentina . Não parece uma cena devastadora de filme? (foto: Marsel Van Oosten)
Cidade submersa em Shicheng, China. A cidade, fundada há 1300 anos, está debaixo d'água desde 1959, quando entrou em funcionamento a hidrelétrica do rio Xin (foto: china.org.cn)
Ilha Holanda na Baía de Chesapeake, tomada por pelicanos e outros pássaros marinhos (foto: Baldeaglebluff)
A Estação de Canfranc, Espanha, fica perto da fronteira com a França. Foi erguida em 1928 e na época era considerada um dos maiores centros ferroviários da Europa. Os nazistas usaram na II Guerra Mundial para o contrabando de ouro. Espiões também passaram por ali para se unir À Resistência Francesa (foto: KarSol)
segunda-feira, 17 de setembro de 2018
Roma a pé
Que tal colocar aquele tênis velho e confortável, companheiro de tantas viagens, para absorver um pouco os 2.500 anos de história de Roma? Tudo bem que a cidade é bem servida de metrô e autobus elétrico para todo lado. Mas tem muito lugar interessante que dá para ir muito bem a pé, em vez da via subterrânea. E, o melhor de tudo, você não fica dependente dos pontos turísticos apenas. Conhece os percursos, os atalhos, as vias mais tortuosas e as mais longas (porém mais belas) e as boas surpresas no meio de tudo isso. Afinal, cada pedra no meio do caminho tem, no mínimo, 2000 anos! Você tropeça com a história que viu nos livros da escola, e até pede desculpas se pisou sem querer em algo ancestral....
No final do dia bate aquele cansaço, mas também uma alegria contagiante e uma vontade louca de invadir a cantina mais próxima e devorar uma pizza inteira em poucos minutos! Quer coisa melhor que descobrir a sua própria versão da cidade eterna?
Como não se encantar com o lindo parque da Villa Borguese? Se em Roma como os romanos, então vamos ao parque! Um dos passeios preferidos dos romanos é passear neste parque, que é imenso! Me perdi lá dentro, dando voltas e não sabia mais onde era a saída. Acabamos almoçando, já bem tarde, num restaurante dentro do parque (caro, mas a massa deliciosa!).
Uma parada na fonte em frente ao grandioso Panteão romano, vale até um
gelato nessa hora! Construído no século I antes de Cristo, era um templo
dedicado a todas as divindades. Afinal seu nome Pantheon - pan e theon - significa 'de todos os deuses'. Dali é fácil chegar até a Piazza Navona.
Que delícia passar pela praça de Santa Maria em Trastevere (bairro boêmio e mais querido de Roma) e se deparar com músicos num dia quente de primavera. O lugar é ótimo para andar, andar e andar. Depois comer, comer e comer.... Está ali a melhor pizza que comi até hoje no "Ivo a Trastevere", de tonno - fininha e crocante!!!
Andando nas estreitas ruas do centro histórico de Roma, a caminho do Panteão, uma surpresa inusitada: um antigo 'senador romano' parou numa lojinha de alfaiate para costurar sua túnica que tinha rasgado. Depois continuou seu caminho. Será que ele se perdeu da máquina do tempo???
Apertado entre a estação de trem Termini e os arredores do Coliseu está o bairro escondido de Monti. Foi exatamente na rua acima - Via dei Neofiti - que Woody Allen gravou várias cenas do filme "Para Roma com Amor", onde Alec Baldwin encontra Jesse Eisemberg (um arquiteto veterano visitando Roma e um aspirante a arquiteto que mora na cidade). Gravando!!!
Ainda em Monti, descendo a pé pela Via Cavour, é só virar à direita descendo as escadas da estação de metrô Cavour. Pronto, você está dentro do 2º bairro mais queridinho dos romanos (depois de Trastevere, claro). Cheio de antiquários e lojinhas de design, além de vários Cafés e restaurantes descolados espalhados por ruas estreitas - como um quebra cabeças. Certamente um ótimo lugar para se perder em Roma!
Nada mais relaxante do que sentar na Piazza Navona, onde também fica a embaixada do Brasil. Admirar a Fontana dei Quattre Fiume, uma verdadeira obra de arte de Gian Lorenzo Bernini, a pedido do papa Inocêncio X. A fonte dos quatro rios se refere aos quatro continentes mais importantes do mundo na época e seus principais rios: Nilo (Africa), Danúbio (Europa), Ganges (Ásia) e Prata (América).
Depois de uma chuva fininha fica ainda melhor andar ao longo do rio Tevere, saindo do Vaticano, em direção ao Castelo de Sant'Angelo, passando por quiosques de sorvete e uma feirinha ao lado do rio. Ali você encontra pinturas da Roma antiga de todos os tamanhos a partir de 1 euro! Claro que eu não podia ficar sem.....
Passando ao lado do Castel Sant'Angelo, o rio Tevere à direita, é como viver um pouco da história. Este castelo foi construído pelo imperador Adriano como o mausoléu da família. Durante a época medieval foi a mais importante das fortalezas dos papas. O castelo também foi usado por Puccini como cenário do último ato de sua ópera "Tosca". Além de ter uma vista incrível de Roma, andar por um castelo com 1.879 anos é de arrepiar!
Ir à Roma e ver o Papa no 1º dia é, digamos, uma sorte daquelas! Mesmo não sendo religiosa o bastante, rsrs, fomos visitar o Vaticano num domingo de manhã, que era para ter o resto do dia livre para andar pela cidade. Justamente quando o papa Francisco estava rezando uma missa dentro da Basílica de São Pedro (só para quem se cadastrou antes). Em seguida ele vai até aquela janelinha lá no alto, fala com todos que estão na praça durante meia hora, e ao final deseja um "Buon pranzo a tutti"!
Entrada da Basílica de São Pedro.
Por aqui eu andei!
domingo, 26 de agosto de 2018
Nada de outro mundo!
A vida é uma caixinha de surpresas, não tenho dúvida! Mas torço o nariz quando vejo alguém que sempre vê a vida como uma empreitada para o sucesso, como um recurso a ser explorado a qualquer custo. Duvida? Dá uma olhado para o lado, sempre vai ter alguém assim. Acreditam ser espiritualizadas de alguma forma (de preferência, sobrenatural) para conseguir prosperidade. Associam facilmente o sucesso ao universo espiritual. E assim seguem em busca do tal "Karma" que nunca encontram. Um eterno conflito. Chegam a questionar a sua existência e a do próprio universo se não conseguem o que desejam. Chega de conjecturas do mundo da fantasia. Acredito mais na luta do dia a dia, nas desilusões no trabalho, nos tapas na cara que a vida nos dá, nos pequenos acertos, na alegria de um sucesso - por menor que ele seja.
O que é prosperidade afinal? Sei lá. Faltei a aula de humanas. Só sei que é substantivo feminino! Há muita coisa por aí, do tipo: "Siga aqui os 10 passos para ter prosperidade na vida", ou "atinja a prosperidade com essas dicas infalíveis...", e por aí vai. A vida é uma constante busca por algo que nos deixe mais felizes e satisfeitos. Nada que seja de outro mundo, ou da estratosfera, que mereça um esforço de super herói, com honras e troféu no final. E quem disse que o universo conspira a nosso favor era um grande mentiroso. O universo não liga a mínima para nós! E cada um que se vire do jeito que der. Mas com sabedoria, por favor. Os chineses é que estavam certos: 'Lembre-se de cavar o poço bem antes de sentir sede'.
Na dúvida, me mantenho sempre perto de uma fonte de água...
segunda-feira, 13 de agosto de 2018
Não quero viver numa estufa!
A poluição desenfreada na era econômica está enviando CO2 em grandes quantidades para a atmosfera, e este é o gás estufa que mais contribui para o aquecimento global
Afinal, o que é esse fenômeno "Terra Estufa"? Seja lá como for, boa coisa não é! Percebo que a cada ano as temperaturas ficam mais malucas, ao ponto de não sabermos exatamente que tipo roupa levar numa viagem para um lugar que era frio de doer e agora não é mais, ou um lugar que está passando por nevascas cada vez mais congelantes! E para a população que vive nesses lugares inconstantes, isso tudo é assustador, sem saber como lidar com esse futuro incerto.
Com o verão cada vez mais quente por aqui, não está fácil viver nos trópicos. O Hemisfério Norte sofre agora com temperaturas escaldantes e incêndios a perder de vista. O que fizemos para o planeta virar 'quase' uma estufa? Pesquisadores americanos concluíram que isso já é uma realidade e que estamos bem perto de viver com temperaturas mais elevadas, assim como o nível dos mares. Mesmo que os países que se prontificaram a reduzir as emissões de carbono atinjam suas metas, este é um caminho sem volta. O aquecimento global que vem ocorrendo até agora, e que deve continuar, já é capaz de mudar radicalmente algumas forças naturais da Terra. Essas forças, que até então nos protegiam, podem virar nossas inimigas. As florestas e os oceanos, por exemplo, são como uma esponja que absorvem mais de 4 bilhões de toneladas de carbono. Isso impede que o mesmo carbono vá direto para a atmosfera, elevando a temperatura do planeta. Segundo os cientistas, se a temperatura da Terra alcançar 2Cº a mais do que os níveis de hoje, nosso futuro estará nas mãos de um sistema planetário totalmente desregrado. Ou seja, os oceanos e as florestas, que costumavam absorver tudo isso, passam então a emitir o carbono e aumentar ainda mais os níveis de aquecimento do planeta.
Se, ao menos podemos dizer que há um lado positivo nisso, é que os efeitos mais catastróficos vão demorar mais de um século para serem sentidos. Isso mostra que a Terra é muito mais sensível do que pensávamos décadas atrás. Acho que devemos aprender com esses eventos climáticos extremos que já vivenciamos hoje para proteger as gerações que ainda nem nasceram...
Em meados de 1900, as geleiras do Ártico eram assim, praticamente inexploradas, um dos mistérios da natureza. Apenas 100 anos depois grande parte já se foi, após a exploração exaustiva do homem, provocando o agravamento das mudanças climáticas
Inundações frequentes estão entre os problemas de um mundo cada vez mais quente
Períodos de seca mais longos vão deixar regiões cada vez mais áridas e sem água
Um planeta saudável.....
Precisamos reajustar o nosso tipo de relação com o planeta. Como? É preciso parar de usar combustíveis fósseis até a metade desse século para ter algum resultado. Além disso, plantar mais e mais árvores, proteger as florestas que já existem e (por que não?) criar máquinas capazes de tirar o carbono do ar e mantê-lo limpo! Será que é querer muito???
sábado, 4 de agosto de 2018
Caminhadas urbanas
Na região portuária, no centro, o Museu do Amanhã se destaca num dia insistentemente azul!
Caminhar pelas ruas do Rio, especialmente no centro, é um dos meus passatempos preferidos quando estou na cidade. Afinal, por ali passaram imperadores, barões, pessoas de todos os lugares, gente importante ou nem tanto, quando o Brasil ainda era colônia de Portugal. Houve uma época em que o Rio era o Brasil e o Brasil era o Rio, simples assim. A história toda começou ali, cantada em prosa e verso até hoje. Apesar dos desmandos seguidos dos governantes inescrupulosos, o Rio continua lindo - pois a beleza natural não tem como tirar, ou roubar... Como não se encantar com a rua do Ouvidor (na época do império havia alguém ali para ouvir as reclamações), onde fica a Casa Manon, famosa pelos "madrilenhos", delicioso doce com creme de confeiteiro e goiabada? O Beco dos Barbeiros (0nde os homens costumavam fazer a barba) entre a rua Primeiro de Março e a rua do Carmo é sui generis! A rua dos Açougues então, nem precisa explicar muito, he he. E a rua Gonçalves Dias, onde fica a famosa Confeitaria Colombo? Nos tempos da colônia, as ruas do Rio recebiam o nome de seu morador mais ilustre ou de quem ali exercia seu ofício, ou mesmo da igreja mais importante. Isso sem falar nas poucas construções que ainda restam dos áureos tempos e das estátuas em homenagem a músicos, artistas ou alguém importante. Apreciar tudo isso, faça chuva ou faça sol, não teria graça se não tivesse também o burburinho das pessoas. É gente pra todo lado, vendedores ambulantes, trabalhadores apressados, gente como a gente. Falam alto, assoviam, pedem licença, te atropelam, fingem espanto, riem, tocam percussão no meio da calçada, uma grande e divertida confusão! Por isso gosto das caminhadas urbanas, recheadas de cenas inusitadas, imagens únicas e muita emoção. Haja coração para andar pelas ruas do Rio!!!
Um skate gigante no meio do caminho, perto do Arco do Teles, indo para o Centro Cultural Banco do Brasil.
Estátua em homenagem a Dom João VI na Praça 15, que dá acesso às barcas que atravessam a Baía da Guanabara
O Beco dos Barbeiros fica perto do Paço Imperial bem no centro do Rio. Fico imaginando como seria naquela época.....as pessoas que queriam cortar cabelo se dirigiam para este lugar!
A estátua de bronze na Travessa do Ouvidor relembra o eterno Pixinguinha, frequentador do bar Gouvea, ali em frente, onde costumava se reunir com os amigos boêmios e compor músicas, como "Carinhoso"
Das antigas confeitarias do Rio, a Casa Cavé é minha preferida. Desde 1860, com doces tradicionais portugueses e o famoso chá da tarde com torradas de pão Petrópolis, foi muito frequentada por Carlos Drumond de Andrade e Tarcila do Amaral.
Passando pela av. Rio Branco, resolvo entrar no edifício Marquês de Herval onde está a famosa escada em caracol, com seu painel de mosaico cerâmico de Paulo Werneck. No andar abaixo tem um dos "sebos" de livros mais antigos do Rio
Olha só o que eu encontrei na zona portuária? Um homem-árvore coberto de folhas, caminhando tranquilamente em direção às barraquinhas de hot-dog!
No fim do dia nada melhor que ir até o final da praia e descansar no Forte de Copacabana tomando um delicioso capuccino!
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