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domingo, 3 de abril de 2011

O tempo...

Tá certo, a vida não é um mar de rosas....mas pode ser de tulipas, que tal?!!! Infelizmente não fui eu quem tirou esta foto florida da Holanda (a internet me fez este favor)!


Conheci esta turma de pesquisadores nas vezes em que fui ao rio Araguaia participar do projeto tartaruga da Amazônia. Um dia com poucos mosquitos!
Minha irmã e eu paramos para descansar em meio à mata atlântica preservada no Parque Estadual Nova Baden.
Passando por uma fazenda, acabei encontrando alguns colegas que faziam um estudo sobre espécies do rio Cahy, na região da costa do descobrimento, no sul da Bahia.
Em uma de minhas andanças pelas montanhas, lá estava a exuberante cachoeira da Fragária. Nem tentei chegar perto, pois o caminho é muito íngreme e tinha chovido muito no dia anterior, um perigo!
Um dia um amigo e arqueólogo encontrou esta criatura em seu sítio e me chamou. É claro que a pequena era uma "falsa cobra coral"!
Era uma casa toda de madeira e rodeada por um jardim de hortências. Eles queriam comprar umas terras no entorno do Parque Nacional de Itatiaia para fazer uma Área Protegida. Ficamos ali horas tomando cafezinho e comendo bolo de frutas. Quase dormi nesta cadeira olhando aquele mar de morros sem fim...



Uma coisa é certa, os anos ensinam mais do que os dias jamais saberiam. O tempo é sábio. Nunca fui de farra, mas gostava de sair sim, e muito. Gostava de me aventurar no meio do mato, fazer trekking nas montanhas, caminhar por dias pela praia, nadar em alto mar....Trabalhei como voluntária sim, sem ganhar um centavo. E daí? Aprendi muito, sem dúvida! Não é fácil acordar às 5 da manhã e fiscalizar de barco o rio Araguaia em busca de pescadores/predadores burlando a lei. Entrar no rio cheio de piranha e jacaré, e usar roupas compridas para se proteger de mosquitos "assassinos" debaixo de muito sol. Foi-se o tempo....Bons momentos sempre ficam na memória e as fotos nos fazem reviver para seguir em frente. Agora é uma outra etapa. Novas ideias surgem e a cabeça já está a mil de novo. Afinal, como dizia Albert Einstein: A mente que se abre a uma nova ideia nunca retorna ao seu tamanho original. Grande Albert! Experiência de vida fica para sempre, não se joga fora, acrescenta-se. Ah, mas ainda há muitos lugares a serem desbravados e oportunidades de trabalho a serem descobertas por mim. Algumas vezes já me senti fraca, outras com uma personalidade tão exuberante quanto à floresta Atlântica. Aliás, às vezes acho que sou um ecossistema inteiro!!! Não dizem por aí que a vida é um papel em branco? Então vamos desenhar, pintar e escrever a nossa própria história! É isso.

sábado, 26 de março de 2011

que venham os peixes e todo o mar...

Lá vai um veleiro ao vento em direção à ilha Redonda. Pousos não são permitidos, mas podem ficar embarcados por 3 dias. (foto de Carlos Secchin)
Vista aérea do Arquipélago, um quadro perfeito em aquarela! A ilha em que eu fiquei por 4 meses foi a de Santa Bárbara, mais à esquerda. (foto de abecba.org.br)
Quase não consigo tirar esta foto, a baleia jubarte já estava mergulhando de novo! Ainda bem que essa era filhote, uma baleia adulta chega a pesar até 40 toneladas (imagina um salto dela perto de nosso barco!)

As águas transparentes e o fundo de areia fazem desta parte da ilha um aquário gigante!

Da ilha Siriba se avistam a ilha Redonda à esquerda e a Santa Bárbara à direita
Tranquilo, lá vai o Parú procurar algo para comer...
O Parú é um peixe curioso e sempre presente perto dos barcos
Os Atobás são aves oceânicas residentes em Abrolhos, exímias pescadoras!
O pôr do sol na ilha é algo difícil de esquecer...



Sempre que posso me refiro a Abrolhos, lugar magnífico no Atlântico Sul repleto de vida marinha. Ainda mais quando se tem notícia do esforço de cientistas para preservar algumas espécies. Ao contrário do que acontece no Caribe e América do Norte, aqui no Brasil (Atlântico sul ocidental) ainda é escassa a informação sobre épocas e locais de reprodução de peixes ameaçados e com grande valor comercial (das famílias dos badejos e garoupas, por exemplo). Para nós biólogos, quanto mais conhecemos sobre certas espécies ameaçadas e comercialmente valorizadas, mais fácil conseguimos manter a conservação delas e também o seu uso racional. Recentemente um grupo de pesquisadores brasileiros publicou um artigo científico que pode ajudar na recuperação dessas espécies. Eles passaram dois anos e meio em Abrolhos para conduzir a pesquisa. É uma pena que em nosso país haja uma total desorganização dos órgãos públicos responsáveis pela pesca. E, infelizmente, ainda falta muita informação para a formulação de políticas adequadas de uso sustentável. O tempo em que passei em Abrolhos como voluntária, várias pesquisas rolaram, como de aves marinhas, peixes de fundo, baleias e tartarugas. Realmente, se não fossem esses trabalhos, onde as pessoas doam parte do seu tempo para ajudar.... Não posso dizer que o país não dá valor à ciência, pois hoje em dia há muito mais pesquisas em andamento que anos atrás. Mas ainda é muito insipiente em termos de ajuda financeira. Espero voltar a Abrolhos e ver toda aquela explosão de cores e vida, submersa ou não, totalmente preservada! Pois assim devem ser os pequenos paraísos na Terra......

quarta-feira, 23 de março de 2011

Nada é pra já





Outro dia vi uma entrevista como Chico Buarque, e esta é uma das suas preciosidades que me emociona. E ainda com a minha cidade maravilhosa ao fundo! Aliás, foi assim que ele se inspirou: "Eu estava mexendo no violão, começando a fazer a melodia, e a primeira imagem que apareceu foi exatamente esta: uma cidade submersa, isolada de tudo. Porque, cantarolando, parecia que a música queria dizer isso. Eu tinha que ir atrás da explicação dessa cidade submersa. Aí eu coloquei os escafandristas, e surgiu a história de um amor adiado, um amor que fica para sempre. Essa ideia de um amor como algo que pode ser aproveitado mais tarde, que não se desperdiça......" O cara é bom!!!

Futuros amantes
Não se afobe, não, que nada é pra já. / O amor não tem pressa, ele pode esperar / em silêncio, num fundo de armário, na posta-restante. / Milênios, milênios no ar. / E quem sabe, então, / o Rio será uma cidade submersa. / Os escafandristas virão explorar / sua casa, seu quarto, suas coisas / sua alma, seus desvãos. / Sábios em vão tentarão decifrar / o eco de antigas palavras, / fragmentos de cartas, / poemas, mentiras, retratos, / vestígios de estranha civilização. / Não se afobe, não, / que nada é pra já. / Amores serão sempre amáveis. / Futuros amantes quiçá / se amarão sem saber. / Com o amor que um dia / deixei pra você.