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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Petróleo aqui NÃO!

O pessoal do Greenpeace não descansa nunca! Precisamos ajudar na proteção deste pequeno paraíso em alto mar
O por do sol em Abrolhos é indescritível, todo dia é diferente, todo dia é lindo! Um dia, tentando achar um ângulo melhor, minha câmera quase caíu no mar!
Se eu pudesse, ficava ali dia e noite de vigília e não deixava nada e nem niguém maltratar este paraíso..... mas não é assim que funciona, temos que ir direto em quem tem o poder!As ilhas também servem como ninho para as fragatas, que sobrevoam o mar em busca de peixes. Já vi várias fragatas roubando peixe do bico dos atobás, pois elas detestam entrar no mar! Os atobás sim, estes são ótimos mergulhadores e pescadores
Tirei esta foto durante a maré baixa na ilha Redonda, onde aparecem as típicas pedras negras de origem vulcânica.
Um Atobá cuidando de seu único filhote. A ilha serve como "ninhal" dessas aves marinhas (horizonte geográfico)
Abrolhos visto de cima parece uma aquarela em tons de azul....Quantas vezes já nadei de uma ilha à outra só de snorkel, observando a vida lá embaixo.....(foto: horizonte geográfico)




Apesar de tanto tempo longe de Abrolhos, me lembro de cada pedacinho daquelas ilhas, e ainda sinto o cheiro bom do mar.....Mas agora, o cheiro é de confusão por lá. Afinal, já faz algum tempo que querem transformar Abrolhos em uma zona de exploração de petróleo. Para quem não conhece este arquipélago no sul da Bahia, ali existe um grande banco de corais e é a mais importante zona de biodiversidade do Atlântico Sul. Ali nasceu o primeiro Parque Nacional Marinho do Brasil. É claro que sempre tem uma pesca predatória para atrapalhar. Mas nada tão ameaçador como a exploração de petróleo! Imagine aquele óleo bruto se espalhando pelas águas cristalinas em alto mar.....Isso pode ser fatal para a natureza exuberante que vive ali. Há corais que chegam a mais de 7 mil anos de idade! Além disso, são 1.300 espécies, entre tartarugas, peixes, aves e baleias. A visita mais frequente do lugar é a baleia jubarte, que vem da Antártida procriar em suas águas límpidas e mornas. Pois é, o governo brasileiro já fez licitação para 10 empresas e 13 blocos de exploração na região. Se acontecer um acidente como o do Golfo do México, além de ser fatal para a natureza, pode colocar fim ao turismo e a pesca da região, que garante a sobrevivência de mais de 80 mil pessoas. Como um bem natural de inquestionável importância, Abrolhos deve ficar fora dos planos de exploração do governo!
Quem for contra esta exploração, assine aqui (se não conseguir é só entrar no site do greenpeace)
http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Participe/Ciberativista/Deixe-as-baleias-namorarem/

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Voluntariado verde

O pequeno Kiwi da Nova Zelândia é uma ave que desaprendeu a voar, segundo a teoria de Darwin, e hoje está ameaçada de extinção. Mas se depender de pessoas assim, isso ainda vai demorar a acontecer! (foto Departament HO NZ Conservation)
No Projeto Baleia Jubarte, acordávamos todos os dias às 5:00 da manhã, e depois de tirar centenas de fotos do nascer do sol em alto mar, era hora de pegar o bote inflável, fazer a vistoria nas outras ilhas e educação ambiental com os turistas que chegavam de veleiro, muitas vezes no meio de uma volta ao mundo!
Um filhote de leopardo das neves do Quirguistão, embora sem a mãe, agora está sob proteção (foto Reuters/Fabrizio Bensch)
Os lobos cinzentos na Rússia estão perdendo seu habitat natural e começam a invadir as áreas habitadas. O projeto prevê recolocá-los em áreas selvagens protegidas e longe da vida humana.
A primeira cova com ovos de tartaruga da Amazônia que encontrei na praia das Gaivotas, no rio Araguaia. Depois transferimos os ovos para uma praia mais protegida e cercada, afim de evitar os predadores. Após dois meses de encubação na areia, é só soltá-las nas águas do rio e torcer para que cheguem à vida adulta!
Um elefante na Tailândia teve que usar uma prótese para voltar a andar, resultado de uma mina perdida.


Resolvi falar novamente sobre os ecovoluntários, afinal há tantos projetos ambientais no mundo que precisam de ajuda! O Programa de Ecovoluntários funciona como uma agência de viagens. Mas essas não são viagens comuns, não! Os lugares para onde vamos são inacessíveis a turistas. Nestes lugares nós temos a chance de proteger a natureza e os seres que vivem ali através de projetos de conservação. Para quem gosta de ambientes naturais, é uma experiência e tanto! Eu já participei como voluntária em dois deles no Brasil: Projeto "Tartaruga da Amazônia" e "Projeto Baleia Jubarte". Confesso que o que aprendi ali, na experiência e convivência com pescadores, ribeirinhos e a vida selvagem, não esquecerei jamais! Quem se interessar também pode se aventurar pelo mundo, é só escolher qual espécie você quer ajudar a preservar: tem a ave Kiwi na Nova Zelândia, os lobos na Rússia, rinocerontes na Suazilândia, tartarugas na Nova Guiné, morcegos na India, lobos ibéricos em Portugal, elefantes na Tailândia e leopardo das neves no Quirguistão.... É um pacote de turismo científico diferente de todos os outros. Os valores são de acordo com as agências de cada país. No Brasil, acho eu, ainda é feito pelo Instituto Ecológico Aqualung (que fica na rua do Russel, no Rio).

As tarefas do dia a dia sempre vão variar de acordo com o projeto, mas em geral incluem tratar dos animais, ajudar os pesquisadores nos registros de comportamento animal, fazer educação ambiental com a população local e turistas, etc. Os ecovoluntários devem ter em mente que estes animais não são animais de estimação e devem ser tratados adequadamente. O contato mínimo é essencial para ajudar a garantir que eles permaneçam selvagens. Quanto à comida, alguns projetos incluem alimentação, outros não. Em projetos baseados em barcos ou em áreas isoladas, como os que participei, a alimentação faz parte. Agora, quem vai para outros países,o importante é se adequar à comida local. Por exemplo, na Mongólia é difícil ter uma refeição vegetariana, já na Índia, a maior parte dos pratos é vegetariana. O ecovoluntário ideal é aquele que tem bom condicionamento físico (nunca se sabe se vai ter que mergulhar, correr longas distâncias ou saltar!), que sabe falar inglês, que tem disponibilidade e é flexível com outros estilos de vida.
Bom, fica aí a dica de uma apaixonada pela vida e que já foi um dia uma ecovoluntária.....Bon voyage!!!!

domingo, 22 de janeiro de 2012

Volta dos 80

A Usina dos Bragas é uma antiga usina em estilo suíço, feita pelos alemães que vieram para o Brasil após a 1º guerra, atraídos pelo clima favorável. Desativada em 1961, hoje é um ótimo lugar para canoagem, natação e pesca. Fica a 7 km do centro da cidade de Itamonte e sua casa de máquinas ainda guarda parte do maquinário da década de 30.
Tirei esta foto da represa da Usina dos Bragas. Ao fundo ela termina em forma de cachoeira e é o cartão postal de Itamonte.
No entorno do Parque Itatiaia há vários trechos com nascentes de água. Não se atreva a entrar ali no inverno, a água é muito fria e nunca se sabe a real profundidade.
Em Campo Redondo é assim, todo mundo ajuda a colher sementes de pinhão para trocar com a comunidade que vive do outro lado da montanha. Desta forma, as espécies diferentes de pinheiros podem conviver em harmonia e não há o isolamento geográfico.
Do alto da serra, em meio a um bosque de pinheiros araucárias, podemos ver ao longe o caminho que nos resta percorrer....
A Cachoeira da Fragária pode ser vista do alto de uma estrada de terra a caminho de Campo Redondo. Cercada de resquícios de mata atlântica e araucárias, é um convite descer andando até sua base.
A Casa de Pedra foi construída a mando de Getúlio Vargas em 1932, durante a Revolução Constitucionalista. Serviria como um Bunker, caso houvesse um ataque ao Palácio do governo (????). Fica na Rodovia das Flores (BR-485, a mais alta do Brasil). Nos anos 50, Itatiaia abrigou vários fugitivos nazistas, que depois foram se refugiar no Paraguai e na Argentina.
Um jardim de flores capuchinhas no alto da serra, que são colhidas na primavera para fazer deliciosas saladas!
Depois de colhidas, as flores vão ao prato. Uma opção é se hospedar, ou pelo menos almoçar, no Hotel São Gotardo, em frente ao portão de entrada do Parque Nacional Itatiaia. Na primavera o hotel costuma promover o festival das flores, com um cardápio inusitado: Salada de frutas e flores capuchinha, salada de manga e coco com flores de violeta, filé de truta com pinhão e amor-perfeito, e ainda sorvete de rosas.
A Pousada Vila Minas fica às margens de um rio cheio de pedras e bem no começo da Volta dos 80. Ali há todo artesanato e decoração feitos de bambú, desde o preparo da matéria prima até o produto final. Também são produzidos tapetes coloridos tipo Kilim em tear manual. Vale a pena conferir!
Mapa da região cedido gentilmente pela pousada Ribeirão do Ouro (www.ribeiraodoouro.com.br)



Já faz algum tempo que fiz a "Volta dos 80", um percurso circular de 80 km passando pela linda Serra da Mantiqueira! Partimos de Itamonte (cidade no alto da Serra). Indo em direção a Itanhandu, procurar a "Pousada Vila Minas" (http://www.vilaminas.com.br), ótimo local para se hospedar às margens de um rio cheio de pedras e onde se faz arte com bambú e tapetes de tear. Seguir por uma das rodovias mais altas do país, a BR 354, em direção a Garganta do Registro (divisa dos Estados do Rio e Minas Gerais). Dali pode-se seguir em diração ao Parque Itatiaia, parar no hotel São Gotardo (www.hotelsaogotardo.com.br) para experimentar uma salada feita de flores ou conhecer a casa de Pedra, refúgio de Getúlio Vargas na década de 30. Depois é só voltar e seguir por uma estrada rural até Vargem Grande. Um veículo com tração nas 4 rodas é o ideal, já que os longos trechos de terra e pedra exigem alguma habilidade. Lá no alto, como o clima é tropical de altitude ainda se encontram florestas de araucárias, como a Serra Negra. A próxima parada é a belíssima Cachoeira da Fragária, que pode ser vista do alto da estrada de terra. Pergunte a algum andarilho qual o caminho para Campo Redondo (km 27), vilarejo escondido no alto das montanhas (difícil encontrá-lo nos mapas oficiais!). Depois de conhecer a 'gente simples' do local e experimentar os queijos maravilhosos, é só continuar no sentido da Cachoeirinha e seguir para a "Pousada dos Lobos" (http://www.pousadadoslobos.com.br). Ali a comida é simples, servida no fogão a lenha e há ótimos chalés para pernoitar. Agora só há um caminho, a Usina dos Bragas, já quase chegando a Itamonte novamente. Assim fechamos a nossa Volta dos 80 com chave de ouro! A bela Serra da Mantiqueira (a 'serra que chora', segundo uma lenda indígena) é farta de belezas naturais e precisamos mantê-la assim, sempre viva, e sem deixar nossos rastros pelo caminho.