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quinta-feira, 18 de julho de 2013

Um pulo em Cascais e outro no Palácio de Queluz

Cascais sob um ponto de vista especial num dia de sol!


Era final de junho, começo do verão e o calor chegou com tudo em Portugal. Quando o sol se põe as 9:30 da noite, você perde a noção do tempo, vai tomar sorvete quase meia noite, as fontes se iluminam, as praças estão cheias, tudo é alegria! Sentar numa cafeteria a noite e conversar com o garçom sobre a vida nos põe a par de que a crise que eles reclamam por lá não chega nem de longe da que temos por cá. Coisas como desvios de mais de 25 mil euros dos cofres públicos deixam todos estupefatos. Aqui, bom.......já começa na cifra dos milhões todos os dias, e já estão todos tão acostumados.......Mas, deixemos as crises de lado, afinal cada lado sabe muito bem o que o afeta de fato. Descemos em Lisboa em pleno verão e absolutamente sem expectativas, o que é ótimo, pois tudo foi uma grata surpresa. Na verdade, nossa 'terra irmã' me deixou absolutamente apaixonada por tudo lá!!! Numa manhã resolvemos ir em direção a Sintra e conhecer o Palácio de Queluz. Pega-se um trem na Estação do Rossio para Sintra e desce em Queluz. Também dá para pegar um ônibus comum na Praça Marquês de Pombal no mesmo sentido. As duas opções são ótimas e duram no máximo 20 minutos. Passando a manhã em Queluz, dá para voltar à Lisboa, comer um delicioso bacalhau num dos vários restaurante do Baixo Chiado e a tarde pegar outro trem para Cascais, no litoral, curtir o movimentado balneário português!






Uma das praias de Cascais assim que você chega na cidade. Aqui ainda não é mar aberto, por isso as águas são bem calminhas...














Ao final dessa rua chega-se ao mar aberto, muito mais interessante!









As pedras portuguesas estão por toda a parte, até nas praças em frente à praia em Cascais


No cais, muitos barcos pesqueiros e casarões antigos que viraram hotéis ou restaurantes. Na hora do almoço, o restaurante do Hotel Bahia, em frente à praia, tem um bacalhau com batata ao murro inesquecível!!!


Por mim, ficava ali o dia inteiro, perdida em pensamentos a ver o mar..........e se tivesse em minhas mãos um pincel e uma tela em branco, faria um guache em todos os tons de azul do céu e mar de Cascais........

A entrada do Palácio de Queluz é mais singela que seu interior e seus jardins sem fim. D. Pedro I (que em Portugal é conhecido como Pedro IV) nasceu aqui. Mas com a invasão dos franceses, em 1807, a família real fugiu para o Brasil. Depois que os invasores e Napoleão foram embora, a família teve que retornar ao país e ocupar o palácio novamente. E foi ali, no quarto 'D. Quixote', que D. Pedro acabou morrendo de tuberculose, depois de uma batalha com o irmãopelo poder, da qual ainda saiu vencedor. Que trágico, não! 






O interior do palácio é rico em detalhes. As paredes e os tetos são uma atração a parte, todos pintados a mão com nuances de dourado, um luxo!












Este palácio já foi muitas vezes comparado como primo distante do palácio de Versalhes. Mas olhando de perto é uma construção bem portuguesa, com certeza!








Nos arredores do palácio, além dos jardins super cuidados, os azulejos dominam a paisagem em seus tons de amarelo e azul.


Nossa visita ao palácio durou cerca de duas horas e meia. A parte interna do palácio prima por sua riqueza e ostentação setecentas. Fotos são permitidas, mas sem flash. Agora, os jardins são belíssimos e  sistematicamente cuidados, assim como suas estátuas muito bem preservadas.


Fontes estão por todo o jardim, vale parar um pouco ali e se refrescar no escaldante  verão europeu!


Sou apaixonada por jardins, cultura, história e arte. E quando tudo isso se encontra em um único lugar........ah, eu queria ficar ali, dormir ali, acordar ali...



Este é considerado um dos palácios da região de Sintra. O microclima único de Sintra foi o motivo da ocupação muçulmana para veraneio de seus aristocratas, que ali construíram seus palácios, jardins e bosques de valor incalculável!








A paisagem ao redor dos palácios em Sintra foi catalogada pela UNESCO em 1995 como Patrimônio Mundial, contendo alguns dos monumentos mais importantes de Portugal. O palácio de Queluz fica aberto das 9:00 às 18:30 na alta temporada. Eu RECOMENDO!

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Ah, esse sul da Bahia....

Ah, que saudades da praia da Amendoeira, em Prado! Suas falésias vermelhas dão o tom do que há de mais belo no sul da Bahia (skyskapercity)

Caravelas, Alcobaça, Prado e Corumbau são algumas das cidadezinhas que conheci no sul da Bahia. Aliás, a Bahia é quase um país, e esta parte do litoral é completamente diferente de todo o resto, com suas falésias de cor avermelhada e mar agitado. Fiquei tão apaixonada que cheguei a morar lá por 3 anos. Desculpem se me repito, mas é que boas memórias vão e vêm de vez em quando e...... Hoje, programas como "Pesca Sustentável" e "Ordenamento do Turismo", apoiados pela Ong "Conservação Internacional", ajudam a preservar a região. Além dos dois projetos que participei (P. Baleia Jubarte e Tartaruga Marinha - TAMAR) ainda há o recente Projeto Budião, que desenvolve junto às comunidades pesqueiras ações importantes para a manutenção dos recifes de corais. A Costa do Descobrimento, como é conhecida a região, vai de Prado a Porto Seguro e é ideal para longos trekkings pela praia. Para mim, começa um pouco mais ao sul, em Caravelas (nome sugestivo das caravelas portuguesas que chegaram aqui em 1500). O trekking passa por lugares de rara beleza, com suas falésias íngremes, mata atlântica exuberante, praias praticamente desertas e rios intocáveis que desaguam no mar. É só prestar atenção nas variações da maré e anúncios de tempestades fortes e se abrigar num lugar seguro até passar. Depois é seguir viagem, tendo o sol radiante como companheiro fiel durante o dia e a lua a embalar seu sono a noite. Agendando (ou não) com antecedência alguns lugares para pernoite, é super tranquilo. O povo baiano é naturalmente alegre e receptivo. E os poucos índios Pataxo que conheci na aldeia (antes de chegar a Corumbau) são super amáveis e carentes de troca de informações e cultura. Espírito aventureiro? Talvez precise um pouco. Mas o mais importante é ter pernas dispostas a caminhar durante uns sete dias, um coração terno e a mente aberta para aprender muita coisa que este mundo tem a nos ensinar. E assim caminha a humanidade....Au revoir!!!!!

 A ponta de Corumbau é o marco desta região, que mais parece um paraíso perdido no sul da Bahia. Passei um dia aí e, confesso, foi difícil conseguir dormir com aquela lua cheia nascendo no mar. Sua imensidão clareou toda a noite e me hipnotizou por algumas horas, até ela ir diminuindo aos poucos enquanto subia aos céus! (foto pousadaverabeli)




As areias grossas e douradas do caminho me deixam extasiada e,  sem pestanejar, viajo em devaneios e me imagino num deserto isolado em alto mar. E não é quase isso???
(foto leconcierge)










Na maré baixa é possível encontrar algum pescador solitário tentando capturar um polvo, que gosta de ficar nas águas rasas e quentes, cheias de vida!






A partir do porto de Alcobaça, passeios incríveis podem ser feitos nessas traineiras, barcos típicos usados pelos pescadores. Passando por áreas de mangues preservadas, chega-se ao mar aberto e a vários recifes de corais, além de naufrágios para bons mergulhos! (foto flickr)


Caravelas é o ponto de partida. Calma (as vezes até demais!), é lugar ideal para descansar antes de botar os pés na areia, literalmente! Para quem gosta de meio ambiente, não pode faltar uma visita ao Instituo Baleia Jubarte, com exposição e souvenirs à venda, tudo em prol das pesquisas do projeto.





A região serve também como berçário para as baleias jubarte, que migram da Antártica, sempre no meio do ano, para se procriarem nas águas mornas da Bahia. Embora alguns países, como o Japão, ainda defendam no Tribunal de Haia a caça de baleias para fins "científicos", esses grandes e frágeis animais precisam mesmo é de proteção contra a ganância humana e a poluição sonora e química dos mares! (foto bahiadiadia)




  



No meio do caminho, nada melhor do que subir em uma falésia e lá em cima encontrar um "pit stop" para tomar uma água de coco, enquanto espera a maré baixar lá na praia. Não se esqueça que o sol é seu fiel escudeiro, portanto, hidratação é fundamental! Paisagem agreste, com coqueiros e jegue, assim tão perto do mar, só mesmo no nordeste.....








Os recifes de corais são visíveis a poucos metros de profundidade e, muitas vezes, nem precisa mergulhar de cilindro e toda aquela parafernália. Sou meio claustrofóbica com isso, então sou uma adepta do mergulho livre! Só com snorkel e máscara já dá para ver um mundo incrível lá embaixo! Ai, ai, às vezes dá vontade de virar peixe, ou sereia, e só voltar aqui em cima de vez em quando, para ver se ainda está tudo no mesmo lugar.........(foto Guilherme Dutra, Conservação Internacional)



O por-do-sol na ilha Siriba, em Abrolhos, é realmente inesquecível! Cada dia uma cor diferente, rosa, amarelo, laranja, vermelho, fúscia..... Picasso ia ficar com inveja e logo ia querer trocar sua caixa de tintas!!!!
(foto Conservação Internacional)







 O azul do céu e o azul "piscina" do mar competem em sintonia no quesito beleza natural. Neste caso não há ganhador, todos estão empatados, e quem ganha somos nós!!!


E aqui me despeço mais uma vez da Bahia. Esta terra que foi palco da descoberta do país no ano de 1500, mas que os índios brasileiros aqui já habitavam muito, muito ,muito, muito tempo atrás!!!








sábado, 22 de junho de 2013

Revoluções da natureza

Não, não é um sonho, nem um devaneio saído de um quadro surrealista! São as montanhas coloridas no norte da China, na cidade de Zhangye. Essas formações inusitadas se formaram ao longo de 24 milhões de anos e estão aí até hoje!

Sou particularmente simpática a esses ambientes montanhosos que, além de sua ecologia complexa e beleza inigualáveis, são essenciais para a sobrevivência do ecossistema mundial. A beleza natural muitas vezes nos deixa perplexos diante de tamanha grandeza. Mas temos também que colaborar na sua preservação. É por isso que eu tiro o chapéu para a tecnologia. Incrível como o avanço tecnológico pode ajudar o planeta a se recuperar. Esta semana a NASA divulgou a imagem feita por  um satélite que mostra em detalhes toda a vegetação que existe no mundo. É possível ver a diferença entre as áreas verdes e áridas da Terra a partir da luz visível e do infravermelho refletido. Isso vai ajudar países no monitoramento ambiental mais preciso. Nos últimos séculos nosso planeta vem passando por várias revoluções: industriais, tecnológicas, e agora, mais que nunca, revoluções ecológicas e sociais.  E um dos ambientes mais depredados do mundo é o das montanhas. Seja pela exploração dos minérios, desmatamentos sem fim ou o turismo desordenado. Este ambiente frágil está literalmente no topo das preocupações. Boa parte da água do planeta disponível para beber nasce nas montanhas! Elas são as áreas mais sensíveis a toda e qualquer mudança do clima da atmosfera. Como são muito altas, criam vários gradientes de temperatura, precipitação e insolação. São verdadeiros microcosmos!!!
Fico aqui, na minha humilde posição terráquea (ou alienígena...), imaginando quantas imagens de sonho este satélite poderia nos repassar, de montanhas preservadas, cada uma com sua beleza única..... O que me faz lembrar que vivemos todos no mesmo planeta, portanto, se não somos unidos pelo sangue, somos pela vontade de querer viver num mundo cada vez melhor!!!

A Cidade do Cabo, na África, convive diariamente com suas montanhas gigantescas ao redor! Gosto do que disse Goethe: "O mundo é tão vazio se pensarmos apenas em montanhas, rios e cidades. Mas conhecer alguém aqui e ali, que pensa e sente como nós e que, embora distante, está perto em espírito, eis o que faz da Terra um jardim habitado"


As montanhas de Bogotá, encobertas pela neblina depois de um dia de chuva. Isso me fez parar no alto de um prédio e me deixar inebriar em um tempo que não queria passar...


Em Quixadá, cidade do Ceará, as montanhas que nascem no meio da caatinga, servem de cenário para diversos esportes radicais. Oba, é pra lá que eu vou!!!


O nosso lindo Rio de Janeiro e seu mar de montanhas. Sem mais palavras....


Lá vai o trem pela Serra do Mar, delineando a geografia do sul do Brasil. Este passeio que liga o alto da serra em Curitiba até o litoral paranaense é mesmo imperdível. Durante todo o percurso as paisagens deixam qualquer um boquiaberto!


Enfim, essas formações rochosas monumentais nos fazem parecer seres pequeninos, totalmente indefesos, tentando compreender tamanha sabedoria dessa tal "natureza"... Aqui, paisagem lunar nos arredores de La Paz.