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quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Viva a dúvida

Vou deixar aqui uma fala do físico Marcelo Gleiser, com a qual eu concordo plenamente:

"O fato de a gente não entender alguma coisa não significa que ela precise ser explicada de uma forma sobrenatural. A ciência vive da dúvida. E a gente não precisa entender tudo para se ter uma vida feliz e completa. Eu prefiro viver com a dúvida do que ser enganado por uma ilusão."



   

             

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Arquitetando

Mosaico de cacos de azulejo e conchas num pedaço de muro em Salvador, a caminho do mar...

Compreendemos tão pouco do que existe. Por isso certos traços e formas do que está por aí se destacam em meio a tudo. Assim como na natureza, onde detalhes minúsculos fazem toda a diferença na biodiversidade global (e onde eu adoro me perder), também nas cidades o ambiente construído desperta atenção. São detalhes que muitas vezes passam despercebidos em meio a multidão. E só quem caminha com os pés flutuando e a mente atenta consegue captar o que muitos não veem. 
A arquitetura, o desenho, as cores, a forma escolhida... nunca se sabe o que estava na cabeça de quem fez. Afinal, todo castelo nasce de um pensamento ou múltiplas reflexões, e o resultado é simplesmente uma experiência genuína! 

O detalhe desta fachada na Plaza Mayor, em Madri, é a combinação perfeita do real e do irreal!


Não sei o que se passava na cabeça de quem fez, mas o resultado ficou ótimo! Numa rua de Gramado, este telhado com tudo torto parece querer conversar com você! O óbvio aqui já não é evidente.


A fachada deste prédio de tijolos vermelhos na região central de Belo Horizonte mostra como a simplicidade é bela!


O Mosteiro dos Jerónimos às margens do rio Tejo, mesmo com sua idade avançada do século XVI é um dos mais belos da Europa..... tanto que não se pode traduzir em palavras....


A cúpula interna do CCBB (Centro Cultural do Banco do Brasil) no Rio é uma atração à parte quando se ilumina em tons de dourado. Sentar ali e tomar um bom café é quase uma obrigação!



Por esse chão eu andei.... flutuando

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Seja qual for a estrada!

Pela janela do ônibus consigo ver ao longe a cordilheira dos Andes a caminho do lago Titicaca, no altiplano boliviano

A viagem é uma maneira de deixar a rotina para trás. Uma mudança de ares ou estradas desconhecidas pode ser justamente o que está faltando na sua vida. Eu já perdi as contas de quantas vezes me perguntei "o que é que eu estou fazendo aqui?" Ora, simplesmente vivendo! Vendo outras árvores, outras paisagens pela janela, outras pessoas, outras histórias, outros sabores, outras ruas...... Todos sabem que viver é difícil, então vamos celebrar, inclusive as pedras que encontramos no meio do caminho, ou melhor, das estradas. São elas que nos fazem desviar e encontrar outros lugares inesperados, além de surpresas inimagináveis! 
Lá nas aulas de física descobrimos que uma pedra cai em linha reta porque é a menor distância entre dois pontos, e com isso economiza energia. Mas não temos que seguir à risca esta regra, é preciso ser um ponto fora da curva, sair de uma estrada para descobrir outras!
O bom da vida é isso, não entendemos nada de nossa existência, nem que estrada seguir, mas continuamos insistindo......

 Descendo em zigue-zague o tortuoso caminho do Vale Nevado - Chile - uma pequena raposa aparece na beira da estrada para dar as boas vindas...


Saindo de La Paz, a estrada nos leva até o instigante Vale de La Luna, primo distante da Lua!

Bela paisagem da janela do trem que vai até Cascais, seguindo o vento e os que voam de parapente!

Por aqui eu andei ..... pela estrada de Ouro Preto!

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

A poeira do bem


Para que servem os satélites? Monitorar o espaço talvez... Também, mas é muito mais que isso. Por que uma instituição como a NASA gastaria milhões só para vigiar o espaço se a própria Terra é tão ou mais interessante? Os cientistas já sabiam que a areia do deserto Saara viajava pelo mundo há muito tempo. Mas o que eles não sabiam era a quantidade exata e qual a importância disso. Então, alguns satélites bem inteligentes descobriram. E assim os cientistas puderam calcular que, por ano, 182 milhões de toneladas de poeira são carregadas pelo vento e atravessam os 2,5 mil quilômetros que separam a África da América do Sul. Desse volume, 27,7 milhões de toneladas de poeira (cerca de 105 mil caminhões cheios) são despejadas na floresta Amazônica. Mas não pense que isso é algum tipo de poluição errante. Na verdade, as areias do Saara são essenciais para a manutenção da mata, pois elas são ricas em fósforo, um potente fertilizante, que é raro na Amazônia. Essa quantidade de fósforo abundante no Saara é devido a decomposição de peixes que habitaram aquela região há alguns milhões de anos. Já pensou?! Ou seja, é um processo natural de adubação. Agora a preocupação dos cientistas é que as mudanças climáticas alterem esse ciclo natural. Afinal, a poeira afeta o clima e, ao mesmo tempo, as mudanças do clima afetam a poeira. O que mais me impressiona é o caminho longo que essa poeira faz. Dos 182 milhões de toneladas que saem do Saara todo ano, uma parte cai nas águas enquanto atravessa o Atlântico. Quando chega na América do Sul, grande parte cai na bacia do rio Amazonas e as toneladas restantes seguem viagem para o mar do Caribe. Até a areia do Saara, do outro lado do oceano, ajuda na manutenção da floresta Amazônica. Isso serve de lição para que o homem não destrua tudo de bom  que a própria natureza faz ao longo dos anos, simplesmente sem pedir nada em troca - apenas respeito! 



                                             

sábado, 26 de agosto de 2017

Que venha logo a primavera!

Vou caminhando por aí, enquanto houver sol... Meus pés são meu veículo de todo dia. Por isso, quando não estou a carregar um monte de coisas, procuro deixar uma mão livre para registrar o que encontro pelo caminho, seja uma anotação interessante ou uma imagem que me encha os olhos. Tenho sorte, pois em meus caminhos (para a faculdade ou trabalho) há sempre novidades e coisas belas. As árvores, normalmente verdes e frondosas,  de repente receberam pinceladas cor de rosa, e como num passe de mágica deixaram os prédios mais felizes, colorindo tudo ao redor. Foram semanas rosadas com manhãs frias e céu azul. Até que um belo dia os ipês-rosa se despediram de uma só vez! Era agosto chegando, e eles não queriam nem conversa com o mês azarado. E do nada surgiu o amarelo radiante, forte como o sol e reluzente como ouro. Sim, o ipê amarelo floresce em agosto! Sinal de dias mais frescos e com ventos no fim da tarde.  E assim os dias vão e vêm, até que as últimas folhas e flores dos ipês se vão também com o vento e só retornam no próximo ano. E eu fico a esperar ansiosa pelo frescor da primavera, onde todas as outras cores que estavam hibernando acordam e vêm tomar o seu lugar ao sol. E esse vento a soprar que arrepia a alma? É a senha para entrar na cafeteria do museu em frente e me deliciar com um cappuccino quentinho e um bolo de chocolate coberto com ... chocolate, é claro. É só alegria!!!

 Parecem flocos de algodão-doce!

O ipê-rosa vai se despedindo

o amarelo impõe sua realeza e muda a paisagem

Como num dia de sol, o amarelo ouro brilha de longe!

Por aqui eu andei...


sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Simples assim


Tudo que anda acontecendo no mundo hoje em dia me assusta. Me reluto em acreditar que isso é normal. E não é para se acostumar mesmo! Poluição desenfreada, radicais do ódio, destruição da natureza e tudo ao redor, governos petulantes, milhares de espécies sendo extintas, e políticos que deveriam ser extintos para sempre! Nessas horas me volto para o nosso planeta e concordo com o que pensa o físico Marcelo Gleiser. Afinal, a Terra é a nossa casa cósmica. Só que nas atribulações do dia a dia, poucos prestam atenção nisso. Pelo que sabemos até então, é o único planeta que reúne todas as condições necessárias para estarmos aqui (pelo menos num raio de centenas de anos luz!)

Segundo o físico brasileiro e professor da Dartmouth College, há uma série de razões para proteger a Terra. Nossa atmosfera rica em oxigênio permite que seres complexos, como nós, sobrevivam. Todo esse oxigênio veio das bactérias, únicos habitantes nesta "terrinha" por quase 3 bilhões de anos. Foi a partir dessas bactérias que surgiu a fotossíntese, que transformou toda a atmosfera terrestre. Portanto, temos que agradecer às cianobactérias pelo ar que respiramos...       
A água é outra preciosidade que temos
Não tem como saber ao certo de onde veio tanta água, embora já se saiba que parte dela veio de cometas que se chocaram com a Terra, ainda na sua infância. É bom saber que ainda neste século a água se tornará um fator importante de conflito global. Basta ver como ela está distribuída no  mundo de maneira tão desigual. O que o petróleo conseguiu fazer com a geopolítica no século passado até hoje, a água vai fazer nos séculos 21 e 22. E a lua, porque ela é essencial? A ciência explica que por ser maciça e única, ela é capaz de estabilizar o eixo de rotação da Terra, o que mantém sua inclinação equilibrada. Se não fosse a lua, esse eixo mudaria de ângulo aleatoriamente e o clima não poderia mais ficar estável. 

E isso é apenas uma pontinha do Iceberg para entender o quanto esta Terra é especial e precisa ser protegida, assim como os seres que vivem nela. Bem que eu tento, mas é difícil entender tanta destruição, violência e falta de amor espalhados por aí. Por trás disso tudo que acontece existe um planeta extremamente especial que, com sua estabilidade climática e orbital, permite que TODOS - de qualquer raça, cor, religião ou pensamento - consigam aqui viver. Afinal somos produto dele. E se as condições do planeta mudam, lá vamos nós para o espaço. Puff! Simples assim.


sábado, 12 de agosto de 2017

Perdida nas Galáxias


  
                                                                                                                                                                                     
Ok. A vida é genuinamente imperfeita, com uma repetição de histórias e momentos idem. Chata as vezes, entediante até. Mas na maior parte do tempo é cheia de pérolas, só precisamos enxergá-las! Estar atento é essencial, pois tudo passa, como num sonho, ou mesmo na velocidade da luz. Quantas vezes já deixei passar "o mundo" porque andava distraída, perdida nas galáxias. Ah, como eu era jovem e boba... Assim como os astrônomos, não podemos controlar o Universo, como também não controlamos as estrelas, embora alguns as estudem detalhadamente em seus telescópios ultra, mega potentes. Assim também é a vida. Arrepender, nem sempre! Mas se o tempo voltasse alguns anos, eu agarraria tudo que pudesse, como um Octopus. Aliás, oito tentáculos seria pouco para mim! A vida as vezes se intromete nos seus planos. Então, vale a pena dar uma chance à simples beleza do inesperado. Penso que nossa curiosidade pela vida jamais deve cessar!
  

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Por um outro ângulo

O passado já se foi, não tem volta, mas explica muita coisa. O futuro não me pertence, nem sei onde fica. Aliás, desconfio que ele nem exista!. A caminhada, essa sim me interessa. Aonde vai chegar não sei. Estou mais preocupada com o que vou encontrar pelo caminho, aprender algumas coisas, errar outras, e descartar o que não me interessa. Na tentativa de entender o presente, vou observando o passado por onde ando. Caminhando pelo Rio nas férias, vou tentando me abstrair de todos os problemas que a cidade carrega nas costas, mas lembro que o Rio também têm passado, muita história e beleza que já fez esta cidade ser maravilhosa! Todos fazemos parte dessa história, e temos a missão de, ao menos, tentar melhorar daqui pra frente. Olho as portas antigas, as ruas e calçadas do centro antigo, muitas com pedras portuguesas colocadas uma a uma pelos calceteiros. Esquinas por onde passavam carruagens e bondes elétricos, hoje passa o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) que leva também ao Museu do Amanhã (será o tal futuro?). Partes da arquitetura gasta pelo tempo, que já passou por tanta coisa, mas teima em resistir a todo custo ao caos do presente. O passado me ensina, o presente eu aproveito para viver agora, o futuro é só uma miragem.... quando um dia eu chegar lá, então ele não será mais futuro, não é! As coisas vão e vêm como um eterno jogo. E não quero ficar no zero a zero no jogo da vida. Se der empate, que seja ao menos um a um!

 A fachada da Biblioteca Nacional, na Avenida Rio Branco. Foi construída para substituir a Livraria Real, que tem origem nas coleções de livros de D. João I e seu filho D. Duarte, e que foi destruída pelo incêndio logo após o terremoto de Lisboa em 1755






As mesas e cadeiras antigas da Casa Cavé foram projetadas pelo espanhol Cólon há mais de um século. A confeitaria mais antiga do Rio fica na esquina das ruas Uruguaiana e Sete de Setembro, no centro antigo do Rio. Parada obrigatória para quem gosta de saborear os doces típicos, e quem sabe até levar para casa delícias portuguesas como o famoso bolo rei, o jesuíta, o ratinho, a ferradura ou a leve brisa. Garanto que todos são de dar água na boca!

O teto do CCBB na rua 1º de Março é apenas um detalhe de seu estilo neoclássico. Foi idealizado por um arquiteto da Casa Imperial, Francisco Joaquim Bethencourt, e funcionou como Banco do Brasil até a década de 80, quando foi transformado no Centro Cultural Banco de Brasil.
                                                                                         
Aqui foi o antigo Supremo Tribunal Federal, edifício histórico em frente à Cinelândia, ao lado da Biblioteca Nacional. Tirei a foto do antigo plenário, onde juristas famosos da época vestiam suas togas e tomavam decisões importantes p/ o país. Hoje é o Centro Cultural da Justiça Federal, com um Café, exposições e uma biblioteca.           

 Num dia frio e chuvoso atípico passei pela Candelária. Uma simbólica igrejinha paroquial, com vista para a Baía de Guanabara, assim nasceu a Candelária no centro do Rio no início do século 18. Os altares foram esculpidos inicialmente por Mestre Valentim, artista de estilo rococó, na ocasião da visita do príncipe regente e futuro rei de Portugal D. João VI.

 

Um herói solitário olhando à distância o Pão de Açúcar.... O monumento em granito branco lembra os heróis brasileiros na Guerra do Paraguai.  Fica em uma praça da Urca, em frente a entrada do bondinho do Pão de Açúcar.
                                 

                   Da Praia Vermelha se tem uma visão única do Pão de Açúcar por um outro ângulo. Antigos moradores do Rio achavam impossível o acesso ao pico deste morro. Por isso foi um grande acontecimento quando uma senhora inglesa - Lady America Vespucia - escalou seus 395 metros de altura em 1817. E lá no alto de penhasco fincou uma bandeira da Grã Bretanha. A partir daí foram várias as tentativas de construir aum acesso ao topo do morro da Urca. O nome "Pão de Açúcar" é porque os portugueses acharam-no parecido com as formas de barro onde se colhia o caldo de cana nos engenhos coloniais.

Quase me sentindo uma pioneira, como Lady Vespucia, só de chegar lá em cima (mas não neste aí....). O primeiro bondinho subiu ao topo do Pão de Açúcar em 1913!

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Voa Vida Leve

Tucano-toco e seu bico amarelo. Já viu um tucano voando livre no céu? É muito, muito lindo, sempre aos pares. Mas e este bico enorme não pesa?  Claro que não, ele tem uma camada oca por dentro, assim ele consegue voar lindamente sem que seu bico atrapalhe.

Já faz uns 3 meses que estive lá, mas as lembranças estão sempre voando em minha memória! Em Foz do Iguaçu está o maravilhoso Parque das Aves, ao lado das Cataratas que separam Brasil e Argentina. Um calor úmido, com chuva forte de repente no meio da tarde, e depois um sol radiante, tudo isso contribui para a magia do lugar! A história começou na Namíbia quando um casal que adorava aves ganhou um papagaio do Congo de presente. Alguém então sugeriu que eles viessem para o sul do Brasil e construíssem um parque para crocodilos. Que ideia! Tá, eles até colocaram alguns pequenos crocodilos lá no covil dos répteis, mas o que eles gostavam mesmo era de observar os pássaros. Dennis Kroucamp e sua mulher Anna, que é veterinária, compraram umas terras de floresta subtropical em Foz do Iguaçu, retiraram todos os detritos acumulados nas terras ao longo dos anos e toda a vegetação invasiva e replantaram somente a mata nativa. Encantados com toda a beleza do lugar, começaram a fazer trilhas no meio da mata e criaram ali um parque para a aves, inaugurado em 1994. Hoje são mais de 1320 aves de diferentes espécies, sendo o maior parque de aves da América Latina, com 50% delas resgatadas de ambientes de maus tratos ou tráfico ilegal. 

A magia está literalmente no ar e você, uma vez ali dentro, não quer mais sair. As aves ficam soltas em vários espaços e você pode passar no meio delas. Toda a área é coberta lá em cima por telas que as impedem de fugir e serem capturadas. Quando entramos no enorme viveiro das araras é uma loucura total! As araras vermelhas, as coloridas e as azuis fazem voos rasantes ou ficam do teu lado apenas observando antes de voarem para as árvores novamente. Não queria mais sair dali. Quase consegui conversar com uma delas! O lago dos Flamingos é também fascinante, próximo ao restaurante. O Casuar, considerada uma das aves mais agressivas e territorialistas do mundo passeia ao longe tranquilamente. Os Tucanos são imbatíveis com sua elegância. E no meio do caminho tinha um borboletário, tão suave como o bater das asas das coloridas borboletas... Um dia quente, úmido, chuvoso, suave e mágico!!!

Toda a leveza dos Flamingos

Hora da comida!

 Agora chega!

Tucano-de-bico-verde, mais tímido que seu primo mais famoso

Ah, como eu adoro essa revoada!!!

Um Mutum distraído no meio da trilha.... Depois de fazer pose para a foto, ele saiu andando tranquilamente

Isso mesmo, cada um no seu galho!

Uma borboleta-coruja pousou bem na minha frente!

Um lanchinho para as "Farfalle"

Tentando estabelecer um contato......

domingo, 25 de junho de 2017

Adoro nuvens!


Sim, sou um ser falante, eu sei. Não tanto quanto um papagaio, mas chego perto... Porém, dizem, tem certas coisas que não se deve falar tão fácil, ou dá azar. Este mundo pode ser cruel, minha cara! Simplesmente não dá para ficar espalhando aos quatro ventos os seus planos para o futuro. Depende com quem se fala, neste ponto sou obrigada a concordar com a  Mariliz. Todo mundo diz: se quiser que algo dê certo para você, guarde em silêncio até que se realize. Ou não. Tem gente que preconiza ainda falar o contrário ou reclamar que isso ou aquilo é ruim; isso sim dá sorte. Hum? Se for assim, para que nada dê errado - além de bater três vezes na madeira - é só começar a reclamar de tudo cada vez que alguém, inadvertidamente, e sem o menor interesse, me perguntar sobre os planos daqui pra frente. Coisas do tipo, reclamar do frio de arrepiar nesse inverno, do vento que bagunça o cabelo na praia no verão, das nuvens no céu... Ou seja, disfarçar, tentar não antecipar nada. Mas, pensando bem, quer coisa melhor que um dia morno e nublado? Sentar numa praça e poder ler, enfim, o final daquele livro sem que um sol escaldante te expulse dali em menos de um minuto? Adoro nuvens! Como disse, tenho uma certa afinidade com os papagaios, ou qualquer outra ave falante (?). Adoraria também que os livros pudessem falar. Não muito, mas o suficiente para conversarmos de vez em quando, trocar umas ideias de tudo que já li e esclarecer de vez alguns enigmas que ficaram perdidos nas muitas entrelinhas. Saio dali repaginada, querendo contar ao primeiro que passar na minha frente todas as ideias novas que tive, pela milésima vez! Sendo assim, seria eu a pessoa certa para guardar dentro de mim as centenas de milhares de planos que imagino para o futuro? Tantos, que nem toda a vida que tenho vai dar para realizar? Não, acho que não. Então vamos brindar!!!

 
 

domingo, 11 de junho de 2017

Felicidade vale muito!

Incrível como apesar das adversidades da vida, ainda encontramos felicidade onde nem sequer imaginamos que ela pudesse existir. Muitos países africanos sofrem com a pobreza e falta de expectativas, uns poucos sofrem com guerras, outros com terrorismo, alguns ainda sofrem as consequências dos colonizadores exploradores ou até de seus próprios ditadores.... Tudo isso a gente já sabia.


E é claro que isso está longe de ser mudado, porque as grandes potências, ou mesmo seus antigos algozes, que poderiam mudar alguma coisa, nada fazem. Mas o que mais me impressiona é que uma pesquisa feita a pouco mais de um ano, por uma instituição europeia dedicada a estudos sobre crianças e adolescentes, constatou que as crianças africanas são as mais felizes do mundo em ambientes escolares. E isso em um cenário atual. Junho é quando se comemora o dia da criança africana, por isso me lembrei. Imagine só se elas tivessem mais escolas e se todas pudessem frequentá-las por direito? 
Além de serem mais felizes, elas poderiam também sonhar com um futuro melhor! Enquanto isso não acontece, sabemos que muitas crianças são "compradas" de Burkina Faso - na Africa - para trabalharem como escravas na colheita de cacau na Costa do Marfim, maior produtor mundial, para abastecer o mercado global de chocolates na Páscoa. Outras tantas são forçadas ao casamento precoce, passando por abusos de todos os tipos desde pequenas. Isso fora a miséria e a fome que acomete muitos países africanos. Então como essas crianças ainda podem ser mais felizes???

Tem até a história de um antropólogo que estudava os hábitos de uma tribo africana e sempre tinha muitas crianças ao redor. Um dia ele propôs uma brincadeira, comprou vários doces,  encheu uma cesta toda decorada e colocou embaixo de uma árvore. Chamou todas as crianças e pediu que esperassem até ele falar "já", e quem chegasse primeiro na árvore ficaria com todos os doces. Pois quando ele disse "já", todas as crianças deram-se as mãos correndo juntas até a árvore. Lá sentaram-se na sombra felizes da vida e todas comeram os doces. Quando perguntadas por que ninguém quis ser a primeira a chegar na árvore, uma delas respondeu: Como pode qualquer um de nós ficar feliz se todos os outros ficarem tristes? Esta filosofia "Ubuntu" das tribos africanas é a mais pura dignidade humana. Eles são assim felizes porque já foram tristes, portanto sabem valorizar cada pedacinho de felicidade :-)
Quanto ainda temos que aprender!