Translate

domingo, 19 de outubro de 2014

Iansã Agandhi Ererê

Ouvindo as músicas de Dorival Caymmi é impossível não se lembrar da Bahia. Quem cantou em prosa e verso esta terra de alegrias, aprendeu que aqui não tem tempo ruim. Até o mais reticente dos seres humanos se sente mais leve por essas bandas. Sei lá ..... acho que o vento Nordeste se entende lá em cima com o vento Sul e os dois se unem para trazer bons fluidos. Só pode ser! O azul do mar, as nuvens de todas as cores e formas, casinhas coloridas, a vida sem pressa, e todas as frutas que puder imaginar. Ponha tudo isso junto e pinte uma aquarela. Talvez esteja aí a receita da felicidade ..... É claro que a vida não é um mar de rosas, nem na Bahia! Mas o que importa? O bom da vida é deixá-la leve, e lá isso parece bem mais fácil. Areia fina, areia grossa, o sol  se pondo com preguiça, pois o que ele queria mesmo é ficar ali para sempre. Andar descalça pela praia até a maré subir, dar a volta e ver lá de cima das falésias como o mar é infinito e a Terra é de fato redonda. Bem que dá vontade de voltar a viver lá um dia. Mas a vida segue, os caminhos hoje são outros. As falésias que tenho agora são o topo dos edifícios, e aquela vista do mar ao longe agora é um monte de ruas de asfalto sem fim. Mas afinal, o que é que a Bahia tem? Além de tudo isso, tem Dorival Caymmi, Jorge Amado, Caetano Veloso, Gilberto Gil....
E aqui na minha alma, quando sinto uma ventania, sei que é o vento sul balançando as folhas dos coqueiros. Quando vem a chuva forte, sei que o mar está revolto, e que lá no fundo as estrelas-do-mar, as moréias, o peixe budião e as baleias vivem na maior harmonia. Não tem jeito, a alma da gente não esquece!

 E a estrela-do-mar segue seu caminho lentamente de volta ao mar, depois da maré alta

A Fundação Casa Jorge Amado hoje funciona como museu do escritor e fica no Pelourinho

As praias de Salvador são um colírio para a cidade...

As cores das telas retratam a alegria baiana em todo o canto

Bom era sentar nesse banquinho no alto da falésia, no sul da Bahia, e ficar olhando ao longe o mar sem fim

Ah que saudade eu tenho da Bahia...


 


sexta-feira, 10 de outubro de 2014

"Tan querida Buenos Aires"

Certamente 5 dias na capital argentina não é suficiente. Uma boa dose de tango, obras de arte,  cultura e natureza foi uma mistura que deu certo em Buenos Aires. Para quem gosta de gastronomia onde a carne é "hors concours", é o lugar ideal. Os dias em setembro são tão belos! Aquele céu azul cintilante te chama logo cedo para por os pés na rua, apesar do vento austral gelado (o inverno aqui vai de junho a setembro). Para começar, o Museu de Evita é imperdível, pois até hoje ela é um ícone venerado pelos portenhos. Aliás, o cemitério de Recoleta, onde seu túmulo está guardado, é um dos pontos turísticos mais procurados. Jamais pensei um dia visitar um cemitério assim......mas caímos de paraquedas em Recoleta, no meio de uma feirinha de artesanato incrível, que parecia não ter mais fim! De repente me dei conta que estávamos em frente ao suntuoso cemitério, com seus túmulos  esculpidos em mármore, como obras de arte. Para minha surpresa, o de Evita Perón era um dos mais simples, afinal ela foi o símbolo de uma época e líder política que se dedicou aos pobres. A cidade é muito fácil de se locomover, seja a pé, de metrô ou de ônibus. Os taxistas são super simpáticos e gostam de dizer que ADORAM o Brasil, onde costumam passar suas férias de verão, principalmente nas praias do sul!
Os passeios na cidade se dividem pelos bairros, cada um com suas características únicas: Palermo (onde estão os parques mais bonitos, com suas grandes avenidas, museus importantes, residências chiques e as embaixadas de alguns países), San Telmo (um dos menores bairros e o mais antigo, onde se encontra a boemia argentina), La Boca (o nome vem do time de futebol "Boca Júniors", e é onde fica o famoso El Caminito, antigo cortiço da cidade que virou atração turística), Puerto Madero (antigo Porto que foi todo revitalizado e suas antigas docas transformadas em lojas, apartamentos, restaurantes e hotéis de luxo), Centro Histórico (onde estão Obelisco, Teatro Cólon, Plaza de Mayo e Casa Rosada), Recoleta (com suas casas em estilo europeu, lojas, museus e o cemitério mais famoso da cidade). Fora isso, o legal é se aventurar sem planejar muito. Pegar o mapa da cidade e sair pelas ruas perguntando aos argentinos qualquer coisa, adoro! É a melhor maneira de interagir num país diferente, e ainda por cima dá para treinar seu espanhol já tão enferrujado!

Ver a troca de guarda saindo da Casa Rosada em direção a outro prédio do governo é uma questão de sorte, mas só vi o finalzinho.....

O suntuoso Banco de La Nación Argentina ainda segura um país em crise, da qual todos esperam sair o mais rápido possível!

Da esquina se vê o famoso Teatro Cólon, onde são feitas as grandes apresentações de ópera, balé e etc....

Puerto Madero restaurou suas docas e os prédios antigos foram todos transformados, assim como a Universidade Católica e também inúmeros restaurantes luxuosos e lojas.

Ao fundo a "Puente de La Mujer", do arquiteto espanhol Santiago Calatrava, nos jardins de Puerto Madero.

Uma praça em homenagem a mais nova rainha da Holanda, Máxima Zorreguieta, que é argentina!

A entrada do Museu de Evita. Este museu fica em Palermo e nem é tão grande assim, mas ali está toda a história de luta desta mulher, que é até hoje um símbolo na Argentina!

Os deliciosos Cafés espalhados pela cidade são uma verdadeira tentação! Além das empanadas argentinas (com recheios de queijo, carne, cebola, ramon...) há também os doces maravilhosos de encher a boca......certamente meus lugares favoritos todos os dias no final da tarde!!!!!

Na Plaza de Mayo fica a Catedral, com suas paredes de mármore rosa. O antigo bispo da Argentina rezava ali suas missas antes de fazer suas malas definitivamente para o Vaticano, onde agora é o Papa Francisco!

El Caminito é a rua mais famosa de Buenos Aires e super colorida! Esses cortiços (ou conventillos) eram as casas típicas dos imigrantes que chegavam de Gênova no século XIX e, como não tinham dinheiro, usavam os restos de tinta que sobravam do porto para pintar suas casas. Por isso cada pedaço ficava com uma cor diferente. Alguns conventillos viraram lojinhas de souvenirs, tudo com preços bem acessíveis.

O Museu Fragata Presidente Sarmiento fica dentro do próprio barco. A foto foi tirada depois de uma forte tempestade que durou quase duas horas! Me senti como uma verdadeira marinheira à deriva em alto mar! Tive tempo suficiente para conhecer cada pedacinho da fragata e imaginar quantas aventuras esta barco passou, desde que nasceu na Inglaterra em 1897 e veio parar em Puerto Madero, depois de várias aventuras pelos oceanos.

A Fragata Presidente Sarmiento antes da grande tempestade que varreu Buenos Aires por quase duas horas! O barco, já bem velhinho, se encheu d'água e lá dentro mais parecia um dilúvio! O museu do barco não abre todo dia e seu ingresso tem um valor irrisório, apenas 2 pesos!


A Casa Rosada, sede do governo argentino, é um ponto de referência na cidade.

A cultura do tango pulsa na veia dos portenhos e não há como não conhecer de perto esta dança tão espetacular!





sábado, 4 de outubro de 2014

Para fugir um pouco......

A cabeça sempre cheia, tanto debate ainda pela frente, tanta mentira, as dúvidas vão e vêm, até as certezas têm dúvida nessas horas. Tempo de eleições e candidatos com propostas tão heterogêneas ou mesmo sem nenhuma! Tento me abstrair por uns instantes......



 Sempre nessa época me lembro quando ainda estava na Bahia e as baleias Jubarte começavam a voltar para a Antártica depois de uma longa estadia em águas mais calmas. Durante essa temporada reprodutiva, cerca de 9.000 baleias chegam no litoral brasileiro. É uma população inteira!
A Jubarte (ou Humpback whale) é cosmopolita e habita todos os oceanos. Para quem está pelos mares, elas costumam se mostrar dando grandes saltos fora d'água, fazendo os barcos se balançarem nas ondas.
É incrível quando estamos numa embarcação e ouvimos algumas vezes o canto do macho para atrair a fêmea num ritual de sedução submerso, uma loucura! Elas abandonam as águas geladas e migram para se reproduzir ou mesmo ter seus filhotes. O "pimpolho" nasce depois de 11 meses e já pesa quase 1,5 tonelada! É, ser mãe baleia não é fácil, já que o filhote mama cerca de 100 litros de leite por dia. Presenciar esses animais de perto é emocionante e  meus neurônios (que têm boa memória) não vão jamais esquecer!
Do ponto mais alto da ilha Santa Bárbara, em Abrolhos, costumávamos observar de um ponto fixo as baleias se aproximando do arquipélago. Depois íamos para o barco, onde especialistas do Instituto Baleia Jubarte fazem a coleta de material de DNA e tiram foto para identificação.
Um dos maiores animais do mundo, que pode viver até 60 anos, ainda é alvo de caça em alguns países, o que para mim é inadmissível!  Dócil ao extremo e lenta nos movimentos, a baleia é presa fácil de tal crueldade. Para que elas continuem salvas por aqui, a Aliança para a Conservação Marinha lançou a campanha "Adote Abrolhos - É do Brasil. É do mundo. É nosso"  www.adoteabrolhos.org.br , procurando engajar o público em ações para a conservação deste santuário ecológico, além de criar novas áreas protegidas e promover o desenvolvimento sustentável. 

 Elas são tão mansas que chegam perto dos barcos de observação sem o menor medo!

Num dia de vento sul, com tempestade se formando à frente, ainda deu tempo de recolher material de DNA e fazer a fotoidentificação da nadadeira caudal (a digital das jubartes)

 Uma mãe baleia passando perto do nosso barco e ensinando seu filhote a nadar.

Para descansar, nada melhor que pular na água translúcida ao redor das ilhas e nadar com os peixes Frade, típicos de regiões como Abrolhos.

As baleias Jubarte também costumam nadar em águas mais geladas, como na América do Norte. Lá elas têm o hábito de procurar alimento em grupos. Fazem grandes círculos para cercar um cardume de krill (seu alimento predileto) ou pequenos peixes. Cercando os cardumes, elas expulsam grandes quantidades de ar dos pulmões e criam borbulhas que acabam levando suas presas à superfície, e assim elas conseguem abocanhar grandes quantidades de alimento de uma só vez. Faria qualquer coisa para estar num lugar desses.... É um grande espetáculo!!!! 

 
 

domingo, 21 de setembro de 2014

Sobreviver ao mundo...

Na República da África Central um homem escala árvores de até 40 m, enfrenta abelhas africanas e uma altura imensa.....tudo isso para conseguir um pouco de mel! Mesmo com tanta fartura de alimento em terra eles se arriscam. É, a bravura dessa gente está no sangue! (foto: Timothy Allen)


Sobreviver ao mundo não é nada fácil! Impressionante como certos grupos humanos ao redor do planeta encontram maneiras tão diferentes para sobreviver, especialmente em ambientes inóspitos. Para muitos, a luta pela sobrevivência é um combate diário. O tipo de alimentação e os meios que utilizam para consegui-la podem contar a história de todo um povo! Alguns vivem apenas com o que restou na região, como carne de caça, mel e plantas. Outros têm acesso a grandes plantações e fartura de comida. Os povos que tiveram suas terras assoladas por guerras, hoje habitam desertos e vivem da caça de pequenos animais, quando encontram. Me pergunto, de onde vem tamanha força? Como conseguem sobreviver a tantas adversidades? Queria ser uma formiguinha a me misturar nas areias do deserto do Saara e ver como o povo "Dogon" faz recipientes de lama para armazenar a pouca água da chuva. Ou podia ser simplesmente um peixe e mergulhar a até 25 m com os "Bajau" na Malásia para caçar em profundidade. Mas o que eu queria ser mesmo é uma águia na Mongólia, assim aprenderia como os homens "Cazaques" utilizam uma técnica milenar para caçar seu alimento. Imagina só que visão espetacular eu teria durante meu voo.... Pousar em terra firme, para quê? Teria que pensar mil vezes antes de tomar essa decisão!


A Flor do Deserto cresce numa ilha de nome estranho (Socrota), na região da Arábia, e sobrevive a um ambiente extremamente agreste, quente e castigado por fortes ventanias. O néctar de suas flores serve de alimento para aves e insetos. Desde os tempos antigos, o povo isolado do lugar vivia da pesca e dos rebanhos de cabra, além da colheita de tâmaras. Não é a toa que os beduínos sempre foram fortes e resistentes, como a flor (foto: Mark W. Moffet)

Pescadores do Laos arriscam a vida na cheia do rio Mekong. No sudeste asiático este extenso rio serve para irrigação, pesca e cultivo de arroz, base da alimentação na região. Infelizmente grande parte da população joga lixo diretamente nas águas do rio e as indústrias o poluem com metais pesados. Neste caso há um empate, pois o rio também luta pela sua sobrevivência! (foto: Allen)

Na Amazônia há mais de 10 mil plantas que podem virar comida ou remédio. Além disso, a tradição dos povos da floresta é a pesca e a caça. Alguns pratos regionais têm nomes indígenas, difíceis de entender: "Tacacá" (feito com farinha de tapioca, jambu e camarão),"Quibebe" (jerimum cozido, leite e castanha), "Chibé" (uma mistura de farinha de mandioca, água e mel), "Piracuí"(peixe assado com farinha  do próprio peixe temperada), a lista não tem fim. (foto: uepa)

Numa tribo dos Quirquiz nas montanhas Pamir, no Afeganistão, a garota Ayeem Khan usa o véu vermelho (só para as solteiras) e veste as botas do pai para ordenhar os iaques 2 vezes ao dia. Uma parte desse leite vai virar coalhada seca para abastecer a família no inverno, quando os iaques produzem menos. As montanhas Pamir têm grandes altitudes, por isso as plantações são praticamente impossíveis  e a alimentação tem que ser a base de leite e carne.  (foto: Matthieu Paley)

Nas longas planícies de estepes da Mongólia, os nômades precisam laçar éguas selvagens para conseguir leite. Aliás, a cavalgada é o meio de transporte mais comum no país, onde as estradas são escassas. Eles poderiam  até domesticar os animais, mas preferem lutar para obter o alimento que precisam. Gente de fibra! (foto: Timothy Allen)

Isso sim é um ambiente totalmente inóspito e hostil para se conseguir alimento. Ninguém na face da Terra devia ser submetido a situação tão degradante! No entanto, em Mombasa (no Quênia) essa mulher desafia a própria sobrevivência  e a da filha buscando comida em um aterro (foto: Allen)


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O que é que essa rua tem?



Quantas vezes você, andando pela rua, sentiu um aroma no ar e lembrou da infância? Ou viu uma cena que remeteu a outra bem parecida, num lugar bem diferente? Quantas vezes você andou pelas ruas com a cabeça em outro lugar, outro país, outro planeta? Ou simplesmente saiu andando sem pensar em nada, pelo simples prazer de estar ali? 

 Captar a alma das ruas não é tarefa fácil e só acontece quando se está despretensiosamente atenta. Onde quer que esteja gosto de sair a pé, meio sem rumo, olhando as placas nas esquinas, os detalhes das fachadas, guardando pontos de referência para saber voltar (sempre me imagino num trekking, mesmo numa confusão de ruas sem fim!). Me deixo impregnar de tudo! As janelas entreabertas me despertam a curiosidade, quase consigo imaginar uma família inteira lá dentro e suas histórias. No asfalto, alguns passam de bicicleta, outros de "buzina", e quase sou atropelada ... agora por uma bola de criança! As vezes parece que a vida vai passando e você só está ali por acaso, como que tocando uma música, apenas observando. Aí a noite vem e sinto que o sol vai varrendo todas as lembranças daquele dia, das ruas por onde andei, passo a passo de um momento que já se foi. Então me arrisco a dizer que a rua tem alma sim, e é feita de luz, cor e sons! E que bom que é assim, pois tudo isso me alimenta e garante boas memórias pela frente...

 Subir essa rua de pedras é uma loucura, mas recompensa: no Santuário de Matosinhos estão os profetas feitos por Aleijadinho, lá em Congonhas. Descer depois é fácil, com a certeza que lá no hotel te espera um bom banho e depois um bolo e um café quentinho, típico das cidades de Minas!

As ruas do Chiado, no bairro alto em Lisboa, também são feitas de pedra, pedras portuguesas com certeza! Isso me lembra os quitutes deliciosos do "Café A Brasileira", bem ali em frente à estátua de Fernando Pessoa. Cenário comum a intelectuais da época do poeta português.

Das ruas de Recife tenho boas lembranças. Na parte antiga da cidade a história do povo nordestino se apresenta em cada esquina. Uma profusão de cores, barulhos e 'gentes' que sinto vontade de pegar um caderninho e sair anotando tudo para não esquecer jamais!

Na rua que dá acesso à igreja de Nosso Senhor do Bonfim, em Salvador, o "Rixô Elétrico" acompanha os carros e também quem está a pé. A alegria do baiano é contagiante em qualquer época, pois no dicionário deles carnaval é o ano inteiro!!!







Nesta ruazinha em Copacabana as "Cholas" andam de um lado a outro vendendo suas mercadorias.  Mas esta é a Copacabana da Bolívia, principal cidade do lago Titicaca. O sol era tão forte que tive que parar numa barraquinha e comprar um chapéu para me proteger, e também um lenço de lã de alpaca, uma bonequinha boliviana, um panô vermelho contando a história dos incas.... e, pasmem, não gastei quase nada, uma pechincha!







As ruas ainda estavam molhadas da chuva em Bogotá quando vi um casal com uma lhama rumo à Praça Bolívar. Percebo que eles apenas procuram um lugar para ficar e começam a cobrar (em dólar!) quem quiser tirar uma foto ao lado do animal.  Fiquei um bom tempo observando, até que a chuva voltou e eles tiveram que bater em retirada!

As Ramblas em Barcelona são ruas para pessoas, onde os carros só passam nas laterais. Ali tem de tudo, barraquinhas com souvenirs, comidinhas estranhas, gente bonita, gente esquisita... Por um instante me transportei para a década de 40 e tive a sensação de estar andando nas páginas de um livro, mais especificamente "A sombra do vento", do espanhol Carlos Ruiz Zafón.

Andar por ruas, caminhos e estradas é a melhor maneira de conhecer o mundo!

sábado, 6 de setembro de 2014

As lagunas bolivianas


Um dos lugares mais espetaculares da terra, sem dúvida, fica na Bolívia. Os salares bolivianos são superfícies de puro sal que se juntaram à neve derretida dos Andes em grandes depressões geológicas para formar uma paisagem única!

Das seis espécies de flamingos existentes no mundo, três estão nesta região da Bolívia.

O Salar Uyuni é um imenso deserto branco muito visitado por pessoas que querem ter a sensação de "estar em outro planeta". Aliás, ele pode até ser visto do espaço. E sua planície de sal é tão reflexiva que é usada para calibrar satélites, já pensou! Quando estive na Bolívia, fiquei na parte oeste do país, entre La Paz e o Titicaca. Os salares estão mais ao sul, em Potosi, perto da divisa com o Chile. Lá eu soube que esta maravilha da natureza, com seus flamingos viajantes, lagunas coloridas e um imenso céu azul tem também uma das maiores riquezas energéticas deste planeta. Afinal, metade das reservas de lítio conhecidas no mundo estão ali. Tamanha riqueza não é para menos, suas formações rochosas e poços vulcânicos remontam a época de formação da Terra. No inverno, o azul intenso do céu contrasta com o alvo brilhante da crosta de sal. Dizem que para chegar neste lugar incrível é só seguir o infinito, ir até o finzinho dele, onde o azul do céu encontra o azul da laguna (ou quem sabe o contrário?). Mas aí surge a dúvida: será que lá tem sinal de internet? Uma lojinha? Dessas de souvenir? Um restaurante seria pedir muito, não? E banheiro, será que tem? Duvido!!! Ok, sem internet eu sobrevivo bem, mas sem banheiro........ Epa, cadê a política do desapego? É nessas horas que bate na minha consciência a memória dos velhos tempos de mochileira engajada em questões ambientais. Para quem teve que dormir em rede no mato para escapar dos mosquitos (iguais a um avião monomotor), ou tomou banho em rio cheio de piranha e jacaré em tempo recorde, isso aí é um grão de areia no oceano! Bom, pelo menos lá não rola claustrofobia, já que o lugar é tão amplo quanto o próprio infinito, e isso já me dá um certo alívio!

A Laguna Celeste é um dos inúmeros lagos do salar Uyuni de deixar qualquer um de queixo caído!

Um lago vermelho rodeado por uma aridez extrema está situado dentro de uma reserva ambiental andina. A Laguna Colorada tem essa cor graças a algas minúsculas que liberam caroteno, como um meio de se proteger da forte radiação local (foto: nexttrip) 

Assim são os lugares de sonho, parece que alguém pegou papel e tinta guache e saiu pintando tudo ao redor ... (foto: guimendesthomaz)

A grande laguna Canapa é o ambiente perfeito para flamingos vermelhos, que devem saber muito bem o valor de um spa a céu aberto!

Os montes de sal formam uma imagem surreal, não sei se o caminhão está flutuando na água, andando na estrada ou simplesmente voando... Quando há névoa, o efeito "white out" no horizonte faz tudo desaparecer, tornando impossível diferenciar céu e terra.

Este é o caminho para se chegar ao infinito.......Uyuni (foto: vida&energia)

O clube andino Chacaltaya é a pista de esqui mais alta do mundo, agora desativada. Em dias de céu limpo dá para ver ao longe o lago Titicaca e La Paz! (foto: Itamarjapa)

No alto de uma montanha, La Paz ficou lá atrás. Mas não meus pensamentos, que teimam em ficar enfumaçados de vez em quando. Minha memória é boa, e nenhum Alzheimer vai me tirar essas bons momentos. E tenho dito!