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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Assim a vida passa devagar...



Começar o ano fazendo uma (longa!) viagem de trem é no mínimo inusitado quando se fala em Brasil. O trem que liga Belo Horizonte à Vitória (estação Cariacica) é o único trem de passageiros com viagens todos os dias no país. São 664 km percorridos em 13 horas por um trem, que anda em média apenas 60 km/h, e para em 30 cidades. Loucura? Talvez. Ainda mais se compararmos aos trens de alta velocidade em toda a Europa (o trem que vai de Madrid à Barcelona percorre a mesma distância em pouco mais de 2 horas)!  Mas o que eu queria mesmo era relaxar, ler um livro que estava esperando faz tempo, pensar na vida, talvez estudar um pouco, e fotografar as belas paisagens do caminho. Bom, disso tudo só fiz duas coisas: pensar na vida (inevitável nessas horas, meu caro) e me deliciar com as paisagens que apareciam a cada curva do trem! Quando o tédio teimava em se apoderar de mim, começava a caminhar de um vagão a outro até o vagão restaurante, e então fazia tudo de novo. Vez por outra olhava sorrateiramente o marcador eletrônico de horário..... ah, só faltam oito horas e meia, ufa!!! Tomei até um Dramin para ver se conseguia cochilar um pouco, mas que nada. Sou muito ligada e não perdi um detalhe sequer! Já tinha feito esta viagem 5 anos atrás, mas é que agora o trem foi trocado por um bem mais moderno e confortável, achei que já era hora de testar com uma nova viagem. Chegamos na estação meia hora antes e às 7:30 da manhã o trem partiu pontualmente. Fomos no vagão executivo, com ar condicionado e serviço de bordo, como almoço e lanche (pagos na hora do pedido).  São 4 opções de almoço, mas recomendo evitar algo mais pesado, como strogonof, já que a viagem é um tanto longa e é sempre bom evitar um imprevisto gastrointestinal. Já a paisagem vale qualquer sacrifício. O céu, de um azul estonteante, contrastava ao mesmo tempo com o branco das nuvens desenhando pássaros ao vento e o verde das matas, denunciando a chuva que caiu. Ótima chance para sentar entre dois vagões, em frente ao janelão de vidro, e ficar só observando a vida passar devagar lá fora.... Gente, praticamente um dia inteiro nos trilhos não é fácil pra ninguém, dá até pra pintar um quadro!

Uma das inúmeras pontes pelo caminho entre Minas Gerais e litoral do Espírito Santo.

Grandes escarpas rochosas mostram o relevo acidentado da região

Muita água e muito verde denunciavam que ali caiu muita chuva há pouco tempo

Aqui a mesma imagem da foto acima, que tirei quando o trem passou mais perto

Um grande rio, um grande espelho...

Como o trem é mantido pela "Vale do Rio Doce", sempre passa por extrações de minério, que vão nas entranhas da terra retirar sua riqueza.... Esta é a parte triste no meio do caminho

O trem parte de Cariacica, no litoral capixaba, todos os dias às 7h da manhã rumo a Belo Horizonte, em Minas Gerais. E no sentido inverso às 7:30h rumo a Cariacica. Os 56 vagões, vindos da Romênia, são divididos em duas classes - econômica e executiva - além do vagão para pessoas com dificuldades de locomoção. As passagens custam 91 reais (executiva) e 58 reais (econômica). A estrada de ferro Vitória Minas transporta cerca de 1 milhão de passageiros por ano, que podem desembarcar nas 30 estações ao longo do caminho. Todos os vagões possuem banheiro, lugar para bagagens, televisão, serviço de bordo, ar condicionado e wireless.

No final, a recompensa: dias lindos de verão numa cidade tranquila do litoral brasileiro, com montanhas e mar azul a disposição, muita natureza, gente amigável,  e longe, muito longe do tumulto das praias cariocas (apesar de tão perto!). E aí, vamos?


domingo, 4 de janeiro de 2015

Pequenas descobertas

Não sei se é assim com todo mundo, mas o que acho mais legal quando chego a alguma cidade é me adaptar rapidamente ao "jeito" do lugar. Pergunto tudo o que não sei (e isso é praticamente TUDO!) Mesmo que tenha uma mera noção de alguma coisa, pergunto só para me certificar. Se falam outra língua, então tudo fica mais interessante. Na dúvida, ter um mapinha na mão sempre ajuda, mas só use se não conseguir se comunicar com ninguém! Descubro coisas incríveis assim. Pequenas ruas escondidas cheias de atrações, uma feirinha descolada numa praça, um parque lindo bem no meio da cidade, uma paisagem deslumbrante onde só se chega a pé.... Fora o prazer de interagir com outras pessoas que você nunca viu antes, umas simpáticas, outras nem tanto. Me divirto! Afinal, ninguém nasce sabendo, e viva a diversidade! 


quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Ano Novo, Vida Nova? Nem sempre...


O ano está fechando as portas, então vamos dar mais um passo e seguir adiante, sem muitas delongas, e ponto. Final de ano é isso aí, correria, pessoas de um lado para o outro, sacolas nas mãos, ruas lotadas, lojas idem, mais sacolas, trânsito infernal.... Ei, e onde anda o tal espírito de natal e ano novo?  Certamente ficou perdido no meio desta confusão toda. Sinto falta de paz e um pouco de silêncio nessa época. Logo cedo percebi que papai Noel não existia. O velho e bom velhinho de bochechas rosadas, que sai pelo mundo distribuindo presentes e coisa e tal... Distribuir presentes não tem nada de mais, mas sem critério algum? Sempre me perguntei se ele realmente distribuía presentes para TODO MUNDO, inclusive os "maus", "egoístas", "ladrões"! Achava papai Noel alguém pouco confiável. Isso só deveria valer para as criancinhas pobres e abandonadas ao redor do mundo, isso sim. Por outro lado, como é que ele ia entrar na minha casa, que nem chaminé tinha, e as janelas a noite estavam sempre trancadas? Passei a desconfiar desse bom velhinho...

Ano novo, vida nova! Talvez... Se a minha (ou a sua) está bem resolvida, para quê querer outra? No dia 31 de dezembro todos ficam na expectativa de que, depois de 24 horas, tudo mudará para melhor. Em tese eu teria que sentir tudo isso em dobro, já que meu aniversário é um dia antes. Quanta pressão! Então que chegue logo o próximo ano, assim como um dia após o outro e vamos em frente! 
Para quem gosta de rezar, aí vai uma dica de R. Alves: "Deus, dá-me coragem para lutar para mudar coisas que podem ser mudadas. Dá-me tranquilidade para aceitar as coisas que não podem ser mudadas. E dá-me sabedoria para distinguir entre umas e outras. Amém." Está certo.
Sempre fiz uma lista de planos quentinhos para o novo ano, até perceber que o que eu mais planejava era o que menos acontecia, e o que eu menos esperava sempre me surpreendia! E geralmente com melhoras consideráveis em minha vida. Portanto, decidi que neste ano não farei nada disso. Seguirei firme em meus propósitos e espero ser surpreendida ainda mais pela frente. Ok, espero que algumas coisas mudem também, mas nem tanto assim. O que está bom, não se mexe. O resto vai depender pura e simplesmente da minha boa vontade. Não quero que o espírito do "TUDO NOVO" se apodere de mim ao ponto de mudar meu estado de espírito. Quero continuar sendo a pessoa que sou, bem humorada, otimista, e talvez um pouco menos ingênua ou ranzinza em algumas coisas. Não quero muito mais, só quero que as coisas continuem dando certo, sem mágicas. Este afinal é o mistério da vida e acho maravilhoso fazer parte disso tudo!

Para quem ainda não acertou o passo, sempre há tempo, é só pisar firme! Vamos todos adiante em mais essa jornada que se inicia, ou continua, depende..... FELIZ ANO NOVO e que a parte boa do natal dure o ano inteiro!!!!!!


Atenção: Plágio é crime, previsto na Lei 9.610/98
Obrigada pela sua compreensão e respeito

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

A menina que aprendeu a viver na natureza

Quando li o artigo, que nem é tão recente, me lembrei na hora do livro "Mogli", e também dos meus sonhos de criança de viver na África! Tippi Degré ainda nem tinha nascido quando seus pais (Sylvie e Alain Degré, fotógrafos da National Geographic) decidiram se mudar para a Namíbia, na África, a trabalho na década de 90. Foram quase 13 anos vividos na selva africana, em contato com os animais que  muitas vezes conhecemos só em filmes. Desde pequena ela se sentia livre e fez logo grandes amizades com Abu (um elefante de 28 anos), J&B (um leopardo), um crocodilo, um avestruz,girafas, leões, zebras, sapos gigantes... Sua conexão com os animais era tão especial que ela ganhou mesmo o apelido de menina Mogli. Tippi desenvolveu relações de extrema confiança e em total sintonia com os animais selvagens, os quais chamava sempre pelo nome. Sua vida virou documentário e depois um livro. As únicas crianças por perto eram das tribos Basarawa e Himba, com quem aprendeu, entre outras coisas, a sobreviver comendo apenas frutos e raízes. Depois de morarem Madagascar, Tippi foi viver em Paris com seus pais, e aos 13 anos foi matriculada pela primeira vez em uma escola. Logo percebeu que não tinha nada em comum com as outras crianças. Pois a vida das crianças na cidade grande era bem diferente da sua na savana africana. Ela sabia tudo sobre diversos tipos de camaleões, mas não sabia nada sobre Harry Potter! Sabia muito bem se portar junto aos babuínos, mas se assustava com o metrô. Então ela voltou a ser educada em casa até se adaptar à nova vida. Quando completou 16 anos foi convidada pelo Discovery Channel a voltar à África para uma série de 6 documentários. Hoje, com 24 anos, Tippi estuda cinema na universidade Sorbonne. Quando criança ela costumava dizer: "Eu falo com os animais em minha cabeça, ou através dos meus olhos, do meu coração ou da minha alma, e eu sei que eles entendem e me respondem". 

Isso tudo me faz crer que levar uma vida em meio a natureza é um enorme aprendizado! 'Talvez', se eu tivesse seguido meu sonho de criança e fosse morar na África, 'talvez' eu tivesse tido filhos, e 'talvez' eles tivessem sido criados no meio da natureza (mas nem tão perto assim dos grandes animais). Talvez, talvez, talvez...... o mundo não é o que sonhamos ou imaginamos que ele seja. A vida neste mundo, sim, é uma experiência única para cada pessoa, assim como foi para Tippi!
Desde bebê, no mundo selvagem, Tippi considerava os elefantes como seus irmãos 'maiores'.

O leopardo era seu melhor amigo

Ela aprendeu a brincar com os membros das tribos Basarawa e Himba

Tirando um cochilo no colo de um lince...

Um sapo gigante típico do sul da África, um de seus 'amigos'

Todas as fotos foram tiradas por sua mãe, que relatou: "Tippi teve muita sorte. Ela sempre esteve muito a vontade com os animais... Apesar da vida maravilhosa que tínhamos, é claro que eu sentia receio e sempre coloquei a segurança dela em primeiro lugar. A foto em que ela está ao lado do filhote de leão Mufasa é maravilhosa! Voltamos depois de um ano da foto e ele estava enorme. Mufasa veio perto de Tippi e roçou sua longa cauda, como um gato faria, e ela quase caiu. Nesse dia tive medo, não me senti a vontade e levei-a embora... Usando sua inocência e imaginação, ela fez amizade com um dos gigantes do reino animal, o elefante africano Abu. Ela não percebia que era extremamente menor que ele, apenas queria conversar como fazia comigo! Não sentia nenhum medo. A tribo costumava dizer que Tippi era a 'menina que falava com os animais'.

 Esta foto já tem alguns anos, mas hoje, com 24 anos, Tippi estuda Cinema na Universidade Sorbonne. Apesar de viver na França, Tippi continua se sentindo uma mulher africana e já retornou várias vezes à África.


sábado, 29 de novembro de 2014

Era uma vez um paraíso .... Shangri-La

A Rota de Shangri-La liga dois países incríveis que sempre povoaram meus pensamentos: Tibet e Nepal. Nas montanhas do Himalaia e junto às terras de Caxemira, India e Paquistão, definitivamente eles estão no teto do mundo, quase encostando o céu! Este pequenino reino foi batizado ainda nos anos 20 de "Jardim do Éden" no planeta azul. Sempre procuro ler bastante sobre a região e suas diferenças. Meu interesse não é puramente ecológico ou turístico,  e sim cultural. Saber como aquele povo amigável e feliz lida com os extremos da natureza ao seu redor. Acredito que a simplicidade e a boa saúde estão acima de tudo. Este talvez seja o segredo da longevidade do povo do Vale do Hunza. Seria este o paraíso perdido do universo da imaginação? Que seja. Um lugar onde os moradores têm uma saúde notável, vivem muitos e muitos anos e têm sempre um sorriso no rosto jovial talvez seja utópico demais para quem vive as loucuras das cidades grandes.

Pois é, este pequeno paraíso existe e fica a 2.500 m de altitude no Vale do Hunza, na parte do Himalaia. Ali não é raro anciões chegarem a 130 anos de idade (comprovado pelo Dr. Christian Godefroy em seu livro "Os segredos da saúde dos Hunzas", quando conviveu com eles por 7 anos). Aos 100 anos, muitos deles ainda costumam correr a céu aberto como se 20 anos tivessem. É, parece que os anos não passam naquelas altitudes. São todos esbeltos e caminham com agilidade, mesmo com o ar rarefeito. Eu, como qualquer mortal, me sentiria quase um molusco num lugar assim! 
Dieta e obesidade são palavras que eles não conhecem. Lá, inclusive, é comum homens serem pais aos 90 anos de idade. Estamos mesmo falando deste planeta? O homem atual está preparado para viver num paraíso oculto assim? Está amadurecido espiritualmente para tal? Seria  capaz de exercitar a paz e abrir mão de suas ambições? São tantas perguntas que só mesmo os cientistas poderiam responder com clareza de detalhes. Até alguns anos atrás Shangri-La era chamada Zhongdian. Mas depois do sucesso de "Horizonte perdido" (livro do escritor inglês  James Hilton), cuja cidade mística era Shangri-La, eles resolveram adotar o nome numa jogada de marketing turístico. Mas ainda bem que, pelas dificuldades de acesso, até hoje a pequenina cidade está longe de atrair multidões de visitantes. 

Mas, ao que parece, nem todo paraíso é eterno. Os atuais moradores de Shangri-La dizem que não estão satisfeitos com a invasão da civilização moderna, que vem encurtando-lhes a vida - já desde os anos 30,  com a chegada dos ingleses. As crianças aos poucos vão deixando de aprender os costumes com os mais velhos e passam a comer hambúrguer e tomar coca-cola. Estão se tornando 'civilizadas' pelo sistema. Para a idosa Bibi Khumari - "As pessoas hoje são como lápis. Antes éramos como troncos de árvores. Os bebês eram tão saudáveis nos velhos tempos..." - Parece mesmo que a sabedoria da raça humana está contida neste lugar perdido lá no alto das montanhas....

A mágica funciona assim: igualdade entre as pessoas e coexistência pacífica. Isso já diz tudo!

Festa da Unidade Nacional: um festival de dança folclórica com representantes de 56 grupos étnicos

Uma vida simples com base em uma alimentação saudável à base de frutas, verduras quase cruas, queijo, iogurte natural e muitos cereais. Os Hunzas fazem sua primeira refeição ao meio dia. Se contarmos que eles se levantam para os trabalho às 5 da manhã na agricultura, subindo e descendo montanhas íngremes e de estômago vazio......claro que isso não é exemplo para o resto da humanidade, mas talvez seja o segredo da longa vida para este povo único e feliz no alto das montanhas!
A felicidade está no ar! A alegria de viver e a alimentação moderada, tendo como base o respeito ao próximo, o trabalho diário e o clima - tudo isso junto leva ao encantamento da eterna juventude.

Um lugar mágico, certamente. Perdido, talvez. Quando a China ocupou o Tibet na revolução cultural na década de 60, as coisas mudaram um pouco por lá, embora o lugar ainda tenha permanecido isolado pelas suas grandiosas montanhas....

As crianças ainda são a esperança de vida muito longa pela frente. Contanto que não se entreguem ao mundo moderno, com as latinhas de coca-cola, os insustentáveis hot-dogs e demais venenos industrializados, aos quais estamos tão acostumados.......

sábado, 22 de novembro de 2014

Ah esse tempo.....

A vida às vezes parece um turbilhão de acontecimentos, um quadro cheio de rabiscos, e cabe a nós colocarmos as cores do nosso jeito. Só não vale se distrair e deixar o bonde passar; ah isso não!

Nunca fui de pensar demais nas coisas que acontecem na vida da gente. Até onde eu pude perceber, as pessoas que filosofam a cada instante costumam ser as que mais sofrem. Pois na cabeça delas, já sabem como deveria ser, está tudo "filosoficamente" resolvido. Só que no final não é bem assim. As coisas não acontecem exatamente como planejado. Daí a frustração. O bom é ter objetivos na vida e tentar alcança-los. Erros e acertos no percurso já fazem parte do roteiro, e sem eles não tem graça. Acho que não devemos desperdiçar os momentos ruins, afinal sempre tem um jeito de tirar um aprendizado nessas horas. Ok, há caminhos que levam a lugar nenhum, mas muitas vezes é preciso passar por eles para descobrir. Já percorri tantos caminhos..... errei muito, andei devagar, deixei muita coisa passar. Mas já faz algum tempo que acertei a trilha, e sei que ela é longa e tortuosa. Ótimo, adoro uma aventura! A diferença é que agora sei onde quero chegar e calculo tudo perfeitamente no tempo e no espaço. Ah, se a vida nos desse sabedoria aos vinte e poucos anos e não vinte anos depois..... Tudo bem, tá certo que seria muito chato um monte de pós adolescentes sábios perambulando por aí. Uh! Melhor assim. A vida tem seu próprio tempo. E para os que ficaram na estação e deixaram o trem passar - pernas para que te quero - o jeito é correr atrás!