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domingo, 9 de outubro de 2016

Doce Colômbia

A montanha de Montserrat, em Bogotá, dá uma visão interessante da cidade lá embaixo...


A primeira sensação que tive quando desci em Bogotá há quase 4 anos, é que estava em um lugar seguro. Aquele friozinho na barriga quando o piloto do avião anuncia que dentro de alguns minutos estaríamos na capital da Colômbia, logo se dissipou no ar como fumaça. Encontrei uma cidade moderna, limpa, super arborizada e com seus arranha-céus que mais parecem espelhos. Os inúmeros parques verdes espalhados pela cidade e ciclovias por todo lado (mais de 300 km) são pequenas amostras  da qualidade de vida que se tem ali. O famoso café colombiano e o chocolate 70% cacau são produzidos no interior do país e fazem jus a sua fama. É claro que em Bogotá o trânsito é caótico, como em qualquer grande capital do mundo, e uma simples corrida de táxi pode virar uma aventura em poucos segundos. Os motoristas, em seus minúsculos táxis amarelos, acham que você tem vocação para milk shake e chacoalham tanto de um lado para outro que você pensa: para onde eu estou indo mesmo?! Em compensação, ruas e calçadas são largas, o que me estimulou a andar mais a pé que qualquer outra coisa!  Sempre levo meu par de tênis, é a primeira coisa que ponho na mala, pois sei que vai ser muito útil, especialmente quando decido me embrenhar por lugares que não conheceria de outra forma.

Andei um dia inteiro por ruas e bairros residenciais, na parte central e grandes centros comerciais de escritórios. Não me senti em nenhum momento acuada ou com medo, embora visse de vez em quando alguns policiais fortemente armados em locais específicos e seus cães usando coletes a prova de balas. Sempre atentos a um possível ataque terrorista das FARC - Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Felizmente nada aconteceu enquanto lá estive. Mas duas semanas depois que retornei ao Brasil, vi no noticiário da TV um ataque à bomba numa das ruas de grandes escritórios por onde andei, perto da embaixada americana. Mas soube também que isso é cada vez mais raro por lá. Sei que o que é viver num país livre e torço para que o povo colombiano que votou no Plebiscito contra o acordo de paz com as FARC pense mais uma vez no que isso significa. Afinal, quem pode ser contra à PAZ? Só assim a população pode sentir o que é ser livre de uma vez desta terrível sensação de medo que os persegue há mais de meio século!

Grandes prédios de escritórios podem ser vistos em um dos bairros modernos de Bogotá

Homens e seus cães com coletes a prova de balas, vigiando um dos prédios visados por terroristas

Um dos pratos servidos no "Andrès", queijo assado com várias canequinhas acima cheias de temperos

Mini táxis amarelos me deixaram enjoada numa corrida de poucos metros. Prefiro andar a pé!

Praça Bolívar em dia frio e chuvoso. A montanha de Monteserrat ao fundo toda encoberta...

Do alto do terraço do Museu da Esmeralda (produto exportado para o mundo todo  e orgulho da Colômbia) podemos ver as montanhas ao redor de Bogotá

Calçadas largas e muito verde na parte mais comercial da cidade. Realmente um estímulo a 'bater perna' por aí!

O Museu do Ouro é deslumbrante! É como se você estivesse num quarto escuro e de repente tudo se ilumina e brilha ao seu redor. São mais de 34.000 peças de ouro, além de esculturas de cerâmica de povos que já habitavam essas terras antes dos espanhóis chegarem!

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Fazer algo por nada






Sou super fã de quem se dispõe a doar um pouco de si sem querer nada em troca. Tem algumas pessoas assim em cada pedacinho do planeta. Na Inglaterra Josh Coombes, que é cabeleireiro, se dedica a fazer cortes de cabelo gratuitos em moradores de rua de Londres para devolver-lhes a auto estima. Depois de algum tempo, um amigo fotógrafo começou a acompanha-lo pelas ruas para fotografar antes  e depois, dando as fotos para que eles guardassem de recordação. O movimento teve início há um ano e as fotos estão no Instagram "Do Something for Nothing". Ele resolveu estender as mãos quando ninguém pensava nessas pessoas pelas ruas. Com o tempo ele percebeu que eles se sentiam muito bem com o resultado, alguns até se animavam a procurar emprego depois, outros acabavam fazendo ali uma espécie de terapia enquanto os fios caíam pelo chão. Josh espera incentivar também outras pessoas pelo mundo a se doarem um pouco com algo que sabem fazer por nada! 








Pode ser em qualquer lugar, no meio da rua ou de uma praça!


















Os resultados são surpreendentes e a auto estima agradece







As  pessoas sentem que tem alguém que realmente se importa com elas
















Rola até terapia na calçada!










E no final todos ficam felizes, com menos cabelo e muitos com a vida de volta!



sábado, 10 de setembro de 2016

Copacabana? Não, Copacabana.

Foto aérea: shoestringduo

Quando cheguei a "Copacabana" para participar de um evento sobre Mudanças Climáticas, logo percebi a dimensão daquele pequeno vilarejo às margens do lago Titicaca na Bolívia, já na fronteira com o Peru. Seu nome vem de "Qopaqhawana" (são inúmeras escritas!). Dizem que era um ídolo local que eles cultuavam antes mesmo da chegada dos Incas. Com a influência deste povo, os cultos a Qopaqhawana foram transferidos para o meio do lago, na 'Isla del Sol' e na 'Isla de la Luna'. Depois vieram os espanhóis, que acabaram com o culto pagão e transformaram o pequeno lugarejo no maior santuário da imagem da Virgem de Copacabana. A cidade fica a 3.840 m de altitude e a 3 horas e meia de ônibus de La Paz. Se você tem algum problema com altura e enjoo, é melhor desde o início mastigar umas folhas secas de coca (vendidas no peso 'aos  montes' pelas ruas de La Paz) ou mesmo um chá de coca para o mal estar. Confesso que só foi preciso no primeiro dia, depois me acostumei. É bom lembrar que a quase 4.000m de altitude é sempre frio lá em cima, independente da época do ano. Normalmente os hotéis têm aquecimento nos quartos, senão fica difícil dormir, já que de madrugada os ventos gelados dos Andes não perdoam! Do porto de Copacabana partem os barcos para as lendárias 'Isla del Sol' e 'Isla de la Luna'. São duas ilhas mágicas no lago Titicaca, do tipo: tem que ir de qualquer jeito. Não dá para comparar com a famosa praia de Copacabana, a princesinha do mar do Rio de Janeiro. Aliás, a nossa praia pegou o nome emprestado da Virgem do lago boliviano. Dizem que marinheiros evocaram o nome da santa durante uma forte tempestade no litoral brasileiro e com isso evitaram o naufrágio, conseguindo então desembarcar na praia sãos e salvos. 

Tive a sorte de chegar a Copacabana num fim de semana, quando ocorre o ritual de batismo dos carros em frente à Catedral da cidade. São muitos, de todos os tamanhos, enfeitados com flores, pintados de todas as cores e cheios de enfeites. Depois vem um padre para jogar água benta e abençoar os carros, um a um. É uma profusão de barraquinhas de artesanato, carros, cachorros, dança e pessoas, todas falando ao mesmo tempo, uma loucura daquelas boas e difíceis de esquecer! Para mim, o mais legal de Copacabana são as pessoas que vivem lá. Ali, diferente de La Paz, dá para conhecer um pouco mais o sorridente povo boliviano e como eles lidam com sua própria cultura. 


E quem disse que toda Copacabana precisa de um mar para chamar de seu? Para quem tem um lago gigante e tão belo como o Titicaca, a vida parece ser sempre azul.... <º((((<


Do pequeno porto de Copacabana saem barcos a toda hora para as ilhas do Lago Titicaca.


Na Catedral da cidade o Santuário da Virgem de Copacabana é visita obrigatória!


Barracas de souveniers espalhadas pelas ruas estreitas enchem os olhos de qualquer um pela profusão de cores. Normalmente não há nada que se queira comprar de verdade. Já as barraquinhas de artesanato....eu simplesmente queria levar TODOS os lenços e tapeçarias de lã de lhama! Mas me contentei com 1!

Um micro ônibus super colorido esperando para ser batizado pelo padre!


Povos antigos dos Incas ou Quechua acreditavam que a verdadeira Atlântida perdida está submersa nas profundezas do lago Titicaca. Tem até um pequenino museu na beira do lago que fala sobre isso, incrível!


Crianças bolivianas brincando calmamente em uma das ilhas do lago


Desembarque na 'Isla del Sol' - caminho totalmente íngreme até lá em cima, cheio de pedras e obstáculos, é para os fortes! Mas a vista espetacular e o almoço à base de peixe fresco compensam qualquer taquicardia no percurso!!!


Este é um dos irmãos Limanche, um típico descendente dos antigos povos andinos com seu barco de 'totora' feito a mão - aquele capim que nasce na água do lago (ao fundo na foto) 


domingo, 28 de agosto de 2016

Algum lugar que só nós conhecemos




Sapo anda de bicicleta de acordo com o vento na praia de Copacabana


Casa Rosada em Buenos Aires

Olhando fotos de viagem numa manhã de domingo é possível reviver pequenas histórias numa fração de minutos. Como não dá para viver a vida viajando, é bom valorizar esses poucos momentos. Refletir sobre a grandiosidade de um monumento da natureza no meio de uma estrada deserta faz a gente se sentir bem pequenininha. Andar pelas ruas de uma cidade cosmopolita onde todos falam um outro idioma, me faz sentir tão anônima quanto uma formiga, e o  mundo ganha uma outra dimensão. Por outro lado, subir num balão e ver tudo microscópico lá embaixo, me deixa gigante. Mas para sentir tudo isso, tem que sair do lugar. Muitos podem até dizer que um barco está seguro quando está ancorado no porto. Mas não foi para isso que os barcos foram feitos; é preciso navegar por rios e
mares, explorar cada lugar. E os lugares são como pessoas, mudam com o vento, mudam com a chuva, mudam até de humor. Então temos que ir aos mesmos lugares mais de uma vez para viver esta experiência. Levar o corpo e a alma para passear é essencial, um sem o outro não pode dar certo. Sem medo de errar. O medo muitas vezes nasce de uma história que nós inventamos e fingimos acreditar. Deixar ele de lado é tudo de bom. Só me agarro a ele em caso de necessidade plena! 

Confesso que já dei muito nó nessa vida, não o nó de marinheiro, que esses são difíceis de desatar. Até que um belo dia descobri o óbvio, que são as coisas mínimas que fazem a vida ser legal. E assim vão-se os dias, um de cada vez. Hoje sou uma pessoa quase sensata e um pouco mais resolvida. Percebi que tem que abrir a janela e deixar a felicidade entrar, assim mesmo de supetão, ela vai sentar do teu lado e trocar umas ideias bem interessantes. A tristeza? Essa não dá as caras por aqui faz tempo. Se vier, tudo bem também. Mas antes vai ter que mostrar credencial, passaporte, senha de acesso e tudo mais. Afinal, não vim a esse mundo pra chorar!

Cúpula da Candelária no Rio

Passeio de balão pelo Parque das Águas de São Lourenço

A Cordilheira dos Andes  vista de cima

A minha cidade, problemática, porém Maravilhosa!!!


Obs: Plágio não é legal!

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Pescadores e sua pesca maravilhosa


É, o mar não está para peixe... e isso já vem há algum tempo. A necessidade fez aguçar a criatividade lá no longínquo oceano Índico. A "pesca de perna de pau" é um método usado em Sri Lanka. Os pescadores se sentam em uma barra transversal amarrada em uma estaca de madeira cravada na areia perto da costa. Ficam horas ali até capturar seus peixes com linha de pesca: geralmente algum arenque desavisado ou uma pequena cavala vão acabar na panela. 

É possível que essa prática tenha começado na Segunda Guerra Mundial. Com a escassez de alimentos generalizada, uns mais espertos que os outros foram inventando novas formas de pescar. No começo, aproveitaram destroços de navios e aviões que caíam no mar e lhes serviam como base. Com o tempo, tudo isso foi afundando, então eles tiveram que levantar pequenas palafitas para continuarem suspensos no meio da água. Depois veio aquele imenso Tsunami em 2004, que modificou uma imensa área da costa do Sri Lanka. Com boa parte inundada, a pesca lá do alto se consolidou, embora todo ano ela tem que ser interrompida no período das monções. Só que muitas famílias de pescadores acabam não passando essa tradição para seus descendentes. 

Eles carregam consigo uma rede para colocar os poucos peixes que aparecem


Se é eficiente eu não sei, mas que é bem interessante não há dúvida! 


Enquanto os homens estão pescando no mar para alimentar a família, as mulheres colhem o famoso chá de Ceilão em terra firme! 

É uma pena que no Sri Lanka, antigo Reino do Ceilão, essas belas imagens corram o risco de simplesmente sumir. Primeiro, pelos eventos climáticos que vivem mudando a geografia do país, diminuindo sua costa litorânea. E por outro lado, se esta bela tradição de pesca não for passada aos descendentes, os futuros pescadores terão que se reinventar mais uma vez!!!


quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Um país nem tão distante assim...

O Sudão do Sul tem a segunda maior migração da vida selvagem do mundo, de cerca de 1,3 milhões de animais, como búfalos, cobos, girafas, elefantes, damaliscos e leões.

Sempre tive um pezinho na África, daí meu fascínio e preocupação por este imenso continente. Procuro ficar atenta a qualquer notícia que venha do lado de lá, algumas alegres, outras nem tanto....
Desde que se separou do Sudão oficialmente em 2011, nasceu então um novo país - o Sudão do Sul. Mal nasceu e já é um dos países mais pobres do mundo, depois de anos de uma guerra cruel onde quase todos dizimaram uns aos outros. Há quem diga que foram mais de duas décadas de conflitos sangrentos e aterrorizantes! Segundo o New York Times, foi uma boa dose de loucura essa guerra civil hiper cruel, dessas que duram tanto que acabam sendo ignoradas pelo noticiário depois de algum tempo. Eles se emanciparam com a maior reserva de petróleo, com a maior área de pasto com água, com muitas cabeças de gado, e também com a maior porcentagem de pobreza do país. E quem disse que a guerra acabou? Os conflitos com seus vizinhos de cima voltaram porque ainda não chegaram a um acordo para estabelecer as fronteiras entre eles, disputando áreas ricas em petróleo. Juba, a capital, não consegue se organizar e se impor. A meu ver, um país em guerra é um país que sangra. O povo sofre, mas o mundo parece não querer olhar para aquele pedaço pobre da África. É por isso que vibro quando vejo um grupo de refugiados do Sudão do Sul tendo a chance de competir aqui na Olimpíada:

"Pensávamos que 'Rio' fosse uma pessoa", disse Anjaline Nadai Lohatith, que vai participar da prova de corrida (vídeo abaixo). Outro disse: " Os líderes têm que fazer algo pelo nosso país, não queremos ser refugiados para sempre".

Aqui um pedaço de uma carta aberta da Dra. Joanne Liu, presidente internacional de Médicos Sem Fronteiras: " A organização humanitária internacional Médicos sem Fronteiras expressa sua frustração ao constatar que, em um contexto já dramático de violência e deslocamentos prolongados, o alerta que fizemos há um ano para a comunidade e doadores não levou a nenhuma ação estrutural ou decisiva para evitar uma escassez em nível nacional de medicamentos essenciais no Sudão do Sul... Portanto, estamos novamente fazendo um apelo a todos os doadores, atores e autoridades... a vida de milhares de pessoas estará em perigo e a parcela mais vulnerável desse país será novamente impactada desproporcionalmente, particularmente mulheres e crianças...

Torço para que esses caras se entendam de uma vez por todas, seja de que parte for, norte ou sul. Guerras não fazem o menor sentido, e ninguém sai ganhando nunca! Poxa, os africanos têm uma cultura ancestral linda e cheia de tradições conectadas com  a natureza. Muitos países tem problemas estruturais terríveis, o nosso também. Mas temos que parar de ver esses países como algo muito distante, quase que inalcançáveis. O Sudão está bem perto, a um oceano daqui. As autoridades do mundo todo, as que realmente podem fazer alguma coisa, precisam abrir os olhos. Afinal, viver é fácil com os olhos fechados!

Garotos do Sudão do Sul jogam bola em um campo de refugiados na Etiópia

Belo design nativo da Tribo Surma (foto pinterest)

Pessoas dançando em comemoração ao dia da Independência do Sudão do Sul (foto de Tyler Hicks, New York Times)

Pequeno menino sorridente, à você meu abraço fraterno!