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segunda-feira, 24 de março de 2014

Tempos de turbulência

Em dias tão turbulentos, com tantas tragédias no ar, em terra e no mar......tento não me desesperar e ponho-me a pensar que este mundo ainda tem solução. A matança anual de golfinhos em Taiji, no Japão, é revoltante. Esses animais nobres (porque todos o são) e indefesos são cercados e mortos em um mar de sangue para comercialização de sua carne. O livro vermelho de espécies ameaçadas de extinção é renovado a cada ano, pois os desmatamentos constantes e a caça ilegal são os grandes vilões nessa história. Pessoas que maltratam seus próprios animais de estimação por puro prazer........esses nem merecem meu comentário. Mas reconforto-me quando penso que há institutos de proteção e instituições de pesquisa dispostos a reverter este triste quadro pelo mundo. Às vezes penso que falta amor, puro e simples assim. O amor pelas pessoas e por si mesmo, pelo ambiente em que vive e pela própria natureza, por fazer coisas boas. Por que tamanha violência, perversidade e descaso em todos os sentidos? Por que tanto coração de pedra? Onde anda o amor do mundo?
Pois é, não só os animais estão ameaçados de extinção.....

A Tartaruga da Amazônia é a maior tartaruga de água doce da América do Sul. Hoje protegida pelo projeto Quelônios da Amazônia, já foi muito caçada por seus ovos cheios de óleo, sua carne rica em proteína e sua carapaça para adorno. Quando trabalhei neste projeto sempre via algumas borboletas voando sobre elas, o que me intrigava. As borboletas que frequentam as praias dos rios adoram quando aparece uma tartaruga por perto. Embora pareça uma brincadeira, as borboletas bebem as lágrimas das tartarugas! Já que se trata de um líquido salgado e rico em sais minerais, assim as pequenas borboletas se mantém alimentadas.

O Tubarão Baleia pode chegar a 14 metros de comprimento. Se movimenta lentamente e é super dócil, daí sua fácil captura. Este tubarão nem precisa ir a um "spa" para se livrar das impurezas. As rêmoras, pequeninos peixes que nadam ao seu redor, ficam à espreita de qualquer sujeirinha que apareça. Em troca, viajam milhas e milhas com ele e conhecem o mundo! Que lição de cooperação, hein!

A Araponga é uma ave encontrada na Mata Atlântica. Já tive a oportunidade de avistar uma dessas no litoral sul da Bahia. Estava fazendo uma trilha quando ouvi um som estridente como um martelo batendo em uma bigorna. Dá até arrepios!

O Ocapi, por incrível que pareça, não é parente da zebra, mas sim da girafa. Vive em florestas de altitudes elevadas e se alimenta de plantas. Entrou para a lista vermelha de animais ameaçados de extinção por conta dos desmatamentos e ocupação humana dessas áreas de florestas úmidas do Quênia.

 O Calau de Pescoço Ruivo sempre migra dentro das florestas procurando lugares que tenham mais frutas. Como é uma ave que depende de grandes árvores para fazer seu ninho, os desmatamentos são uma grande ameaça para este animal tão particular do Sudeste Asiático.

 A Pantera Nebulosa é pequena, pouco mais de 1 metro, mas sabe escalar como ninguém quando sai à caça de macacos, aves e porcos-espinhos. Vive nas florestas densas (cada vez mais raras) em regiões da Ásia. Sua pele é vendida para fazer casacos e os ossos para fabricação de remédios. Seu nome vem das manchas irregulares e nebulosas em sua pele.

domingo, 16 de março de 2014

Ah, os jardins....

Jardins espalhados pela cidade, que maravilha! Além de filtrarem a poluição, eles ainda absorvem água da chuva, deixando o clima bem mais ameno e "respirável".  E como é bom ver pássaros e borboletas de volta às grandes metrópoles....Abelhas podem fazer mel e beija-flores podem dançar seu balé livremente. Se pudéssemos imaginar, por um momento que fosse, todos os dias solares e todas as cidades verdes e floridas, com pessoas amáveis e sem ódio.......Poxa, bem que poderíamos imaginar isso por toda a vida e não só por um breve momento, vá lá! Então, aproveitando que sonhar ainda é permitido e de graça, vou ficando por aqui com uns jardins incríveis pelo mundo, e absolutamente reais!!!

O jardim mais florido do mundo, Al Ain Paradise, fica em Dubai e está no " Guinness Book of World Records". A riqueza de detalhes atrai milhares de turistas o ano todo.

Imagine a fachada de um shopping center assim? Pois este jardim faz parte do shopping II Fiordaliso, em Rozanno (Itália), próximo a Milão. Na composição foram usadas mais de 44 mil plantas!

The Garden of Cosmic Speculation, projetado por um paisagista americano, simula a história da formação do universo em 25 jardins diferentes e espelhos d'água que representam os mares. Este curioso jardim fica na Escócia e só pode ser visitado um dia por ano, já que é uma propriedade particular.  No país também há o "Scotland's Gardens Scheme", que é um tipo de calendário de visitação a 40 jardins privados escoceses, cada um disponível para visitação em um fim de semana diferente. O legal é que a renda é totalmente revertida à instituições de caridade!

Um quadro vivo de Van Gogh? É isso mesmo, o artista foi a inspiração com seu quadro "Campo de trigo com ciprestes". O Jardim Van Gogh fica em Londres, e nele foram usadas mais de 8 mil plantas de 26 variedades para conseguir imitar as texturas e cores da pintura do artista holandês.

 Jardim do Edifício Caixa Fórum em Madri. Ali um dia foi a antiga central elétrica que, reconstruída por arquitetos suíços, se tornou uma galeria de exposições no Passeo del Prado.

O Cloud Forest Dome, em Cingapura, foi construído no jardim botânico com a ideia de transformar o local em uma cidade verde. Tem de tudo um pouco: antúrios, orquídeas, bromélias, musgos, samambaias....

E como não falar dos belíssimos jardins submersos dos oceanos???

segunda-feira, 10 de março de 2014

Gruta do Maquiné


De uns tempos para cá escolhi  a tranquilidade para minha vida, embora algumas agitações do dia a dia sejam inevitáveis, é claro. Para quem não gosta de folia, passar um feriado em um lugar bem longe do barulho é tudo de bom. Se for debaixo da terra então, melhor ainda! Calma, é só uma caverna (gigante, por sinal!). A gruta do Maquiné é algo incrivelmente lindo e parece fora deste mundo. Por alguns instantes eu parei, maravilhada em meio a tantas estalagmites de todas as formas e cores, e pensei: eu estou mesmo no embrião da Terra!


A quase 20 metros de profundidade, num ambiente mais quente e úmido que lá fora, a gruta do Maquiné foi uma das pioneiras em receber turistas no Brasil. Localizada no município de Cordisburgo (terra de Guimarães Rosa), no interior de Minas Gerais, é um passeio imperdível para os amantes da natureza em todas as suas formas. Nesta gruta já foram encontrados fósseis de animais pré-históricos ou mesmo suas ossadas. Os espeleotemas (estalagmites e estalatites) espalhadas ao longo dos 7 salões internos são de uma beleza difícil de explicar. Nem as fotos que tirei dão uma noção mínima do deslumbramento que se vê ao vivo. A gruta se formou pela ação da água em suas rochas calcárias durante milhões de anos formando as galerias subterrâneas, essas sim chamadas de cavernas. Os caminhos por onde passamos, sempre descendo, são iluminados com lâmpadas led, que não emitem calor, mas propagam luz. Não sou nenhuma entendida no assunto, mas acredito que qualquer alteração no ambiente natural, por menor que seja, causa um certo impacto nos pequenos seres que ali vivem. Bom, pelo menos o período de visitação é limitado até as 4:00 da tarde, quando toda a iluminação no seu interior é desligada. 

Os espeleotemas se formam pelo gotejamento de água que cai ao longo de milhões de anos. Essas gotas perdem o gás carbônico quando em contato com o ar, e assim se precipitam formando cristais de calcita. Parecem obras dignas de uma fabulosa engenharia. Por isso fico chateada quando vejo que alguns "vândalos" arrancam pedaços para levar de lembrança, ou simplesmente  deixam seu nome escrito para ficar marcado na eternidade como um ser involuído deste planeta.

Todas as cores e formas possíveis no mundo subterrâneo

Essas estalagtites (que se originam de cima para baixo) formam verdadeiras cortinas dentro de uma caverna. Uma vez lá dentro, todo cuidado é pouco para não encostar em nenhuma delas e causar um estrago.

O homem das cavernas também passou por aqui e deixou seu registro nas pinturas rupestres

Na saída da gruta já é possível ver os primeiros sinais de vegetação lá fora.

Aqui é a entrada da gruta, que depois de muitos anos contou com o apoio do estado de Minas para sua conservação, estrutura e manutenção constante, assim como guias treinados que acompanham os visitantes, seja em grupo ou  apenas uma pessoa.

O museu está ao lado da gruta e conta toda a sua história, desde a sua descoberta (em1825) por um fazendeiro local, e em seguida sua primeira exploração científica, por Peter Lund (em 1834), um pesquisador dinamarquês radicado no Brasil na época







A "Rota das Grutas" é uma verdadeira viagem no tempo. O naturalista Peter Lund viveu 45 anos na região pesquisando as grutas e suas riquezas históricas, arqueológicas e paleontológicas. Ainda bem que nem todas são abertas ao público.......ainda









Embora o guia tenha falado que poderia usar o flash dentro da gruta, procurei tirar as fotos internas sem usá-lo. Pude perceber que o ambiente lá dentro é extremamente frágil, e qualquer feixe de luz (fora as lâmpadas no chão p/ iluminar o caminho) pode causar um dano sem volta, ainda mais em se tratando de formações de milhões de anos!!! Quero que continuem assim.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Tanta riqueza...




Na medida do possível sempre retorno ao mar. Aliás, segundo algumas teorias, do mar todos viemos. Que bom, porque ADORO água!!! Hipóteses científicas a parte, ultimamente tenho ficado em alerta com tantas notícias, algumas nada boas. Pesquisadores do mundo todo estão preocupados com a pouca preservação das águas marinhas. O oceano é como o ar, um bem comum, e para a espécie humana continuar existindo, é primordial que permaneça intacto (ou quase!). O que acontece hoje é uma exploração desordenada do fundo do mar, onde suas riquezas minerais e pesqueiras são cobiçadas cada vez mais pela indústria internacional. Poxa, os mares cobrem mais da metade da Terra, e suas águas estão cada vez mais esgotadas pela pesca excessiva e poluição. Quando as reservas de peixes da costa vão se esgotando, a indústria pesqueira  se volta para as águas profundas. Uma coisa é fato: há um aumento gigante da demanda por alimentos, energia e matérias-primas que vêm dos oceanos.Também, a população não para de crescer! É alarmante quando se percebe que em mais ou menos 80 anos o mundo passou de 2 bilhões para 7 bilhões de habitantes. E é claro que nenhum estudo evoluiu nessa mesma intensidade para proteger os oceanos e suprir as necessidades desses 5 bilhões a mais! Como se fosse pouco, os fundos dos oceanos estão ameaçados pela crescente exploração de minerais, como o níquel, cobalto e cobre. Sei que precisamos de recursos, mas sei também que eles são escassos. Então vamos devagar com o andor! E quem disse que eu sou contra a modernidade? O fato é que com a modernização da robótica, fazem-se perfurações mais e mais profundas. São verdadeiros monstros submarinos!  E pensar que há pouco tempo só víamos isso em filmes de ficção científica.....Bons tempos!


Não podemos esquecer que o fundo do mar abriga uma diversidade biológica próxima do infinito, e que serve de fonte para nossos materiais e muitos dos medicamentos que precisamos. Com tanta coisa acontecendo no mundo ultimamente, tá difícil pensar que o "Homo sapiens"  ainda consiga tomar alguma atitude do bem pelo bem,  principalmente para o bem do próprio ambiente em que vive, assim como de seu vizinho ao lado. Mas ainda teimo em acreditar que somos capazes de, no mínimo, reduzir as consequências da ação do homem sobre o nosso planeta, em especial os oceanos. Ah, como é bom, ouvir e sentir a brisa do mar.....Bons tempos!

 Alguns pensam (eles pensam?) que o fundo do mar é uma enorme lixeira, que está ali disponível para quem quiser despejar todo o lixo do mundo!  

Até quando teremos ainda esses jardins submersos assim, cheios de vida?


sábado, 22 de fevereiro de 2014

À toa

Um dia à toa é isso que dá, meus neurônios entram em guerra e eu peço uma trégua! Então, só me resta escrever o que me dá na cabeça. Interessante pensar em como as pessoas estão cada vez mais fugindo de si próprias. Eu mesma já me peguei em algumas escapadas dessas. Mas isso foi há muito tempo... Agora cresci! Tentar seguir dogmas, ou não ter dogma algum. Comer só frutas e vegetais para limpar a alma (?). Budismo? Bacana. Mas dá para você seguir à risca num mundo tão capitalista como o nosso? Pense bem. Viajar a lugares incríveis, do Oriente ao Ocidente é algo absolutamente  fantástico! Mas se for pensando que a sua vida irá mudar depois disso, é ilusão. Ler sobre tudo superficialmente só para ter uma noção vaga do mundo. Que ser estranho o ser humano. Quantos se enrolam num emaranhado de informações sem saber o que fazer com elas depois. Ou fingem seguir uma tradição espiritual, ou sinistra, ou de seus ancestrais do século XV! Ei, espere aí. E o dia a dia, as coisas simples, caminhar no parque, ter um dia entediante, ir a pé para o trabalho... Tão tradicional assim não vale?


Concordo com Felipe Pondé em algumas coisas, e eis aqui uma delas:

 " .... Nada tenho contra estudar culturas antigas, apenas julgo um equívoco confundir a ideia de tradição com modos de uma espiritualidade de consumo... A cabala não vai salvar meu casamento.... Imitar a alimentação de monges tibetanos não aliviará minha inveja. Frequentar cachoeiras indígenas não fará de mim uma pessoa menos consumista.... Visitar templos no Vietnã não fará de mim alguém menos dependente das redes sociais.... Pular sete ondas numa Copacabana lotada nada tem de tradicional, é apenas chato.... Tradição é pagar contas, enfrentar finais de semana vazios e não desistir. É sonhar com um futuro que nunca chega.... Tradição funciona como hábitos que se impõem com a força de um vulcão, de um terremoto, de um tsunami, de uma febre amarela. Nada tem a ver com se pintar como aborígenes pra defender reservas indígenas ou abraçar árvores.... É educar os mais jovens e não deixar que eles acreditem nas bobagens que inventam...."

domingo, 9 de fevereiro de 2014

A paz que mora nos Andes

Para os povos da América Andina, a água (Yacumama) e a terra (Pachamama) contém toda a vida e têm um significado incomensurável. A cultura do povo Inca remete à água, que surge das profundezas do lago Titicaca, e portanto não pode ser motivo de comércio. Eles sim, sabem dar valor ao que realmente importa na vida! Por isso as águas do grande lago são sagradas para esses povos. E quem por elas navegar tem que ser batizado, o que fiz prontamente. Pode não ser nada, mas depois me senti mais protegida para seguir viagem, ali na proa do barco, sentindo o vento gelado das montanhas batendo no rosto.

A caminho do lago, passando pela vegetação árida da Bolívia e o frio cortante da cordilheira ao fundo.

Fiquei só meio triste por não ter subido até o alto dos picos nevados dos Andes, a quase 6.000 metros de altitude. Afinal, ali mesmo já tínhamos atingido 4.000 metros na beira do lago. Acordar bem cedo pela manhã era um sacrifício. Sair do quarto do hotel, com aquecimento interno e cobertor elétrico, e enfrentar o frio lá fora só para tomar café da manhã? Hã, hã. Abri mão disso algumas vezes e deixava o café para depois, com o famoso pão seco andino! Mesmo porque, naquela hora eu não estava com fome mesmo.....minha fome era do tamanho do meu dedo polegar congelado de frio. 

 Ao sair do quarto, essa era a visão que tinha, uma vez que o corredor do hotel ficava ao ar livre, sem paredes, e o frio era o primeiro a me dar BOM DIA!

Sempre duvidei de muitas coisas, mas da natureza nunca tive dúvida.  Ela é clara e sincera, e eu posso me sentir nela. Certo dia de manhã passei direto pela sala do café e fui até a beira do lago fotografar as gaivotas e sentir os primeiros raios de sol. Fiquei ali sentada um bom tempo, observando aquela imensidão de água, tentando enxergar o outro lado da margem, a fronteira com o Peru. 


 Naquele momento talvez eu fosse a pessoa mais sozinha em todo o universo. E para mim estava tudo bem. Perdida em uma espiral de doces pensamentos, misturados à realidade......acordei enfim, dentro de mim mesma,e percebi que não tinha nada a fazer além de seguir em frente. Quem fica parado enferruja! Decidi que assim que retornasse ao Brasil iria tomar novamente as rédeas de minha vida e perseguir com firmeza meus objetivos. Ulalá! E assim eu sigo a vida, deixando ela me levar, mas me mantendo sempre atenta na direção.

Um barco de totora segue seu caminho, carregando suprimentos e outras mercadorias para a Ilha da Lua. 

Mais um dia, como outro qualquer, hora de alimentar as lhamas e deixá-las soltas pastando.

Aqui as lhamas, cheias de lã, aguardam a hora do tosqueamento. Depois que essa lã toda for para um novelo, vai ser transformada em belíssimos ponchos, gorros, cobertas e casacos artesanais super coloridos.

Os barcos que navegam pelo Titicaca vão da Bolívia ao Peru todo dia. 

Copacabana, o mais charmoso e importante vilarejo à margem do lago Titicaca. Em cada ruazinha é possível ver vestígios das culturas aymará e inca. A história diz que a cidade está ali desde o século 14 a.c. No porto, todos os barcos levam às ilhas do Sol e da Lua.

Na ilha do Sol, uma típica moradora descendente dos aymará explica para um grupo de turistas, em alemão e depois em inglês, a origem da ilha. Sagrada para os incas, a ilha foi dedicada ao Deus Sol, e hoje vive do turismo e artesanato de seu povo, principalmente os quechua e aymará. 

A paz...

Nem é preciso ir tão longe, até a ilha do Sol, para ver que a paz está em todo lugar.....assim como a guerra (até as antigas civilizações andinas tiveram que lutar por sua terra contra os bravos e dominadores espanhóis da época). Guerra e paz sempre andaram juntas, basta ter sabedoria para decidir de qual lado você quer ficar.