A cabeça sempre cheia, tanto debate ainda pela frente, tanta mentira, as dúvidas vão e vêm, até as certezas têm dúvida nessas horas. Tempo de eleições e candidatos com propostas tão heterogêneas ou mesmo sem nenhuma! Tento me abstrair por uns instantes......
Sempre nessa época me lembro quando ainda estava na Bahia e as baleias Jubarte começavam a voltar para a Antártica depois de uma longa estadia em águas mais calmas. Durante essa temporada reprodutiva, cerca de 9.000 baleias chegam no litoral brasileiro. É uma população inteira!
A Jubarte (ou Humpback whale) é cosmopolita e habita todos os oceanos. Para quem está pelos mares, elas costumam se mostrar dando grandes saltos fora d'água, fazendo os barcos se balançarem nas ondas.
É incrível quando estamos numa embarcação e ouvimos algumas vezes o canto do macho para atrair a fêmea num ritual de sedução submerso, uma loucura! Elas abandonam as águas geladas e migram para se reproduzir ou mesmo ter seus filhotes. O "pimpolho" nasce depois de 11 meses e já pesa quase 1,5 tonelada! É, ser mãe baleia não é fácil, já que o filhote mama cerca de 100 litros de leite por dia. Presenciar esses animais de perto é emocionante e meus neurônios (que têm boa memória) não vão jamais esquecer!
Do ponto mais alto da ilha Santa Bárbara, em Abrolhos, costumávamos observar de um ponto fixo as baleias se aproximando do arquipélago. Depois íamos para o barco, onde especialistas do Instituto Baleia Jubarte fazem a coleta de material de DNA e tiram foto para identificação.
Um dos maiores animais do mundo, que pode viver até 60 anos, ainda é alvo de caça em alguns países, o que para mim é inadmissível! Dócil ao extremo e lenta nos movimentos, a baleia é presa fácil de tal crueldade. Para que elas continuem salvas por aqui, a Aliança para a Conservação Marinha lançou a campanha "Adote Abrolhos - É do Brasil. É do mundo. É nosso" www.adoteabrolhos.org.br , procurando engajar o público em ações para a conservação deste santuário ecológico, além de criar novas áreas protegidas e promover o desenvolvimento sustentável.
Elas são tão mansas que chegam perto dos barcos de observação sem o menor medo!
Num dia de vento sul, com tempestade se formando à frente, ainda deu tempo de recolher material de DNA e fazer a fotoidentificação da nadadeira caudal (a digital das jubartes)
Uma mãe baleia passando perto do nosso barco e ensinando seu filhote a nadar.
Uma mãe baleia passando perto do nosso barco e ensinando seu filhote a nadar.
Para descansar, nada melhor que pular na água translúcida ao redor das ilhas e nadar com os peixes Frade, típicos de regiões como Abrolhos.
As baleias Jubarte também costumam nadar em águas mais geladas, como na América do Norte. Lá elas têm o hábito de procurar alimento em grupos. Fazem grandes círculos para cercar um cardume de krill (seu alimento predileto) ou pequenos peixes. Cercando os cardumes, elas expulsam grandes quantidades de ar dos pulmões e criam borbulhas que acabam levando suas presas à superfície, e assim elas conseguem abocanhar grandes quantidades de alimento de uma só vez. Faria qualquer coisa para estar num lugar desses.... É um grande espetáculo!!!!

























