Olhando pela janela afora, clamo pelo luar. Para que ele traga um pouco de frescura e inspiração para minha caneta riscar o papel. Uma música talvez. Mas o calor lá fora e aqui dentro parece não deixar. Me sinto como se estivesse rastejando no meio do Saara, implorando a um beduíno um copo de gelo. Um tanto quanto impossível, mas não menos inspirador que Lawrence da Arábia - um explorador daquelas terras áridas que lutou com os beduínos, em favor da Inglaterra. Como se não bastasse ter nascido em pleno verão em um Rio 40 graus... Sempre tive o calor batendo a minha porta. Será a menopausa? Mas vamos combinar, essas mudanças climáticas já estão passando do limite! Andando pela rua, logo invento de entrar numa loja com ar condicionado no mínimo grau. Olho uma roupa aqui, outra ali, pergunto do tecido, dou palpite sobre a estampa de outra cliente, falo de música, de política. Aliviada, vou embora feliz. Logo depois já estou dentro de uma sorveteria - qualquer sabor, por favor! Sim, tem dias que sou uma calota polar em extinção pelo aquecimento global. Agora sim, a lua vem surgindo, meio escondida entre nuvens gigantes. Esperançosa, sinto um leve cheiro de chuva no ar... Anunciando, finalmente, o fim do verão...... e o início da minha inspiração!!!
viagens ecológicas e culturais, opiniões e artigos sobre meio ambiente e a natureza humana, ideias e devaneios...
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sábado, 16 de março de 2019
domingo, 3 de fevereiro de 2019
Um outro mundo!
O mundo marinho sempre foi e sempre será fascinante para mim. Um lugar que eu realmente gostaria de morar, me mudaria agora se isso fosse possível! Com sua estrutura tridimensional, seres encantadores, gigantes ou minúsculos. Um mundo onde nem um quinto é conhecido até hoje! Pequeninos seres planctônicos, que vivem na coluna d'água e fazem fotossíntese, são amigos pra vida toda, pois liberam enormes quantidades de oxigênio atmosférico, garantindo nossa sobrevivência aqui na Terra. Além disso eles servem de alimento para o zooplancton, como o pequeno crustáceo Krill, prato preferido das grandes baleias Jubarte e Franca. Ou seja, é uma imensa cadeia viva num espaço 300 vezes maior que o ambiente terrestre. Um mundo rico, cheio de vida e cor, que impressiona até quem mergulha a poucos metros de profundidade. Faz tempo que não mergulho com cilindro, mas ainda assim sinto-me hipnotizada quando nado no mar, ainda que raso ou perto de ilhas...
Por isso me causa uma tristeza sem tamanho a falta de sensibilidade e até pouco caso com os oceanos em geral. Junto com os eventos climáticos extremos, é evidente a magnitude dos potenciais impactos nos ecossistemas marinhos. Desde indústrias químicas e mineradoras que deixam seus rejeitos correrem pelos rios até o mar, até pessoas comuns que vão passar o verão na praia e deixam um rastro de destruição para traz: garrafas pet, canudos, copos e sacos plásticos.É tudo igual, não há diferença, são fontes potenciais de poluição! É preciso ter o mínimo de conhecimento (muitos ainda têm!) e bastante amor à vida para mudar este cenário. Diminuir o uso de carros na cidade já ajuda a não emitir CO2 na atmosfera, contribuindo p/ o aquecimento global e aumentando o nível dos mares. Esses impactos causam mudanças na saúde dos oceanos, como acidificação e menos oxigenação nas águas. Cidades costeiras correm maior risco de inundações com as tempestades tropicais cada vez mais intensas. A produtividade agrícola pode reduzir radicalmente nas regiões mais afetadas, tanto pelo aumento das chuvas nas latitudes médias quanto maiores períodos de seca em zonas sub tropicais. Ainda, a saúde humana é ameaçada pela propagação de vírus, doenças e patógenos pelas águas mais quentes. Apesar do ambiente marinho ser muito maior que o terrestre, não podemos diminuí-lo ao ponto de torná-lo insignificante, precisamos mantê-lo vivo agora e também para as futuras gerações.
O mundo marinho é tão belo e tão vívido que desperta paixões e nos enche de energia, basta molhar os pés na praia e pronto, já se sente contagiado! O eterno mergulhador francês Jacques Mayol , conhecido como o homem golfinho, já sabia disso há muito tempo quando disse - "O mais difícil é quando você está lá embaixo: você precisa de um bom motivo para voltar à superfície".
quinta-feira, 24 de janeiro de 2019
Mãos à obra!
"El Caminito", em Buenos Aires
As férias já se foram faz tempo. A rotina começa a se ajustar nos dias que seguem, como tem que ser. A cabeça já anda a mil por hora! Novos planos, novas e boas ideias - a verificar viabilidade - novos trabalhos e dias corridos. E por que não novos destinos no horizonte? Quando chego de uma viagem já começo logo a pensar na próxima, mesmo que seja uma vez ao ano! Já viajei a trabalho (poucas vezes), mas agora só mesmo por prazer e muita aventura. Preencho os dias com muito trabalho, cappuccino, colocando os planos em ação e acrescentando tantos outros que teimam em aparecer a todo tempo, sorvete, alguns tropeços de vez em quando, mais cappuccino, erros bobos , mas nada que se compare aos ganhos. E quando menos se espera já é hora de por o pé na estrada novamente. A vida é isso! Então chega a hora de esquecer tudo e deixar de lado por um tempo. É a vez dos planos a curto prazo, de ida e volta, e no meio disso tudo uma viagem inteira para acontecer. E estando lá, seja onde for (na China ou no Sul da Bahia) o bom é se render aos longos dias, ao inesperado, à beleza de tudo, e esquecer do tempo. Afinal, de nada adianta levar o corpo para passear se a alma fica em casa, já dizia o velho ditado. Esse planeta é grande e a vida é muito boa para ser desperdiçada. Com os anos percebi que o mundo cabe no espaço de uma mala, ainda que pequena como minha, hehe.
Mas por agora, mãos à obra, de volta ao trabalho e aos planos de longo prazo...
sábado, 12 de janeiro de 2019
Um pouco de verde para refrescar!
Entrando no bosque já se percebe como o verde predomina e te enche de luz!
Uma raiz retorcida, folhas no chão como um tapete macio, um galho úmido coberto de musgos, frutos que caem e brotam... Observar detalhes de uma floresta nos faz desacelerar e sintonizar com a linguagem da natureza. Nessas curtas férias entrei despretensiosamente em um pequeno bosque no "parque das águas" em São Lourenço. Embora seja um bosque dentro de um parque, dentro de uma cidade, a conexão é imediata! Lá fora um sol que me faz querer pular numa piscina gelada, mas dentro da mata o clima se transforma imediatamente em um imenso frescor. É possível sentir a força e a comunicação entre as árvores ao redor. Uma árvore só não faz uma floresta, não é capaz de produzir um microclima, já que fica totalmente desprotegida e não conta com a ajuda das outras. Quando juntas, elas criam um ecossistema próprio, melhoram o clima e tornam o meio ambiente equilibrado. Bom, uma das razões disso é como as árvores se comportam durante as chuvas. Como agora é verão no hemisfério sul, estamos sujeitos ao calor intenso e tempestades ocasionais. Quem sua muito precisa beber bastante líquido. Com as árvores também é assim. Quando a chuva forte cai sobre as folhas, a umidade pinga nos galhos. É nessa hora que a água começa a escorrer pelo tronco em filetes com velocidade tal que chega a formar uma espuma no solo, para então penetrar nas raízes. Assim uma árvore adulta pode armazenar milhares de litros de água, garantindo a sua sobrevivência e também a de inúmeros pequeninos seres. Enfim, uma árvore é importante para toda a comunidade! Se cortarmos um só espécime, um pequeno 'mundo' deixa de existir.
Dentro de uma floresta eu tiro até o barulho da câmera fotográfica para não interferir na comunicação entre as árvores. Afinal elas se comunicam pelos odores que exalam, pelo barulho de suas folhas e pelas conexões entre suas raízes. Fantástico, não!? Uma coisa é certa, ao caminhar por uma floresta, por menor que ela seja, nossa pressão arterial melhora, bem como a capacidade pulmonar e a oxigenação das células. Tanto é assim, que na Coreia cientistas compararam idosos que caminhavam nas florestas com outros que caminhavam pela cidade. Os resultados foram surpreendentes! Inclusive os fitocidas (liberados naturalmente pelas árvores) beneficiam nosso sistema imunológico matando os germes. Ou seja, nada melhor do que uma floresta saudável para nos mantermos jovens e com saúde de sobra!
Folhas de duas cores, beleza em dobro! Na parte de cima é onde a folha realiza a fotossíntese e na parte de baixo ela respira.
Um tronco úmido é habitat ideal para alguns tipos de fungo, como estes cogumelos que vivem em uma simbiose perfeita!
Não adianta disfarçar, a cor vermelha no tronco descascado entrega seu nome, este é o verdadeiro Pau-Brasil!
Uma árvore-criança cresce aos pés da árvore-mãe, que assim a protege dos raios do sol e a alimenta pelas raízes.
Um tronco caído no chão não morreu! Ele serve como suporte e ainda tem seiva suficiente para alimentar outras plantas, fungos e liquens que ali se instalam
Tronco coberto de musgos e com algumas cicatrizes que o tempo e o homem vão deixando...
Nas clareiras o sol penetra com vontade, e as flores agradecem se abrindo felizes, pois não têm a sombra das árvores maiores lhes ofuscando
Saindo do bosque de volta ao parque... a mudança de temperatura é cruel em pleno verão no Hemisfério sul
sábado, 15 de dezembro de 2018
Surpreenda-me!
Uma semana e o novo ano tem tudo para ser igual aos outros. Como tem sido há décadas. Não quero mais. Quero menos. Menos hipocrisia, menos nacionalismo, menos violência, menos corrupção, menos racionalismo e menos patriotismos. Sendo assim, sobra mais amor, mais compaixão, mais felicidade e mais naturalidade por consequência! Quero continuar tendo planos para uma vida plena. Não faço listas, pois não sou tão otimista assim, sou sim realista . Só quero estar preparada para o que der e vier e tomar decisões com a sabedoria que o tempo vai nos impondo (ainda que em câmera lenta...). Seguirei sendo curiosa, até onde eu possa alcançar, e estou aberta a boas surpresas sempre, sejam elas grandes ou pequenas. Surpresas ruins, ok também, estou encarando tudo! Portanto, meu caro Ano Novo: Surpreenda-me!!!
segunda-feira, 5 de novembro de 2018
Buongiorno a tutti!
Vista de um "roof top" na Via del Tritone, no centro de Roma. O jeito dos romanos viverem em seus terraços cheios de sol e de plantas!
Talvez viajar não seja a melhor coisa do mundo, dentre tantas coisas mais importantes nessa vida... Mas para mim, e meu parceiro de vida e viagens, está entre as "top 5"! Não, não falo daquelas pessoas que ficam marcando no mapa TODOS os milhares de lugares por onde andaram, mesmo por que é preciso ter cacife para tanto, hehe. Como um conhecido meu me disse uma vez: 'Conheci 8 países em 10 dias, foi incrível'! Uhuuu, que bom para ele. Porém, acredito que as vezes é preciso sacudir um pouco a vida, trilhar outras estradas, singrar outros mares, conviver com pessoas diferentes, falar outras línguas. E isso leva tempo, em certos lugares até mais que outros. Não dá para fazer uma viagem do tipo "trem bala" só para marcar no mapa. O tempo é muito precioso, e por isso não pode ser desperdiçado. Tem que ser prolongado, isso sim. Pesquisar antes de viajar facilita muita coisa, como taxas cobradas em certos lugares, meios de transporte e horários de funcionamento. Mas algumas vezes somos levados ao erro, e a realidade não condiz com as informações pesquisadas. No entanto, a frustração inicial pode se transformar numa experiência fantástica se soubermos aproveitar e dar a volta por cima. Na última viagem, quando chegamos à Roma, o hotel moderninho que tínhamos contratado na internet, na verdade era um hostel bem simples com o mesmo nome (tirando só uma letra), no mesmo bairro, na mesma rua, a menos de 100 metros de distância! A porta de vidro para entrar no prédio (todo pichado) estava sempre emperrada e quase quebramos a chave uma vez, pois só abria na base do empurrão. A janela do nosso quarto dava para os fundos do prédio e o pátio de um mercado, que abria todo dia às 7:00 da manhã, com seu dono falando em alto e bom som para toda a vizinhança: "Buongiorno a tutti. Il mercato è aperto. Cosa vogliono oggi?", e toda aquela sinfonia de vendedores e clientes falando e rindo o tempo todo. Mas nada que um daqueles tampões de ouvido baratos na farmácia ao lado não resolva. Depois ainda ficamos fregueses do supermercado, onde comprávamos sempre biscoitos, bilhetes do metrô, água e suco para abastecer nosso quarto, que não tinha nem o básico. Mas quer coisa melhor do que praticar italiano com a própria dona da casa, uma simpática romana com seu filhinho, que nos dava dicas incríveis que não vi em nenhum guia de Roma? E ainda nos levava todo dia na bandeja um farto café da manhã no quarto? Aliás, o melhor cappuccino que já tomei, diga-se de passagem. Só íamos almoçar lá pelas tantas da tarde, depois de andar metade da cidade a pé! Ah, nosso hostel-casa em Roma ficava a 200 metros da estação de trem de Trastevere, e dali há trens para quase todo lugar. Melhor lugar não há! Claro, ainda não estive em todo lugar, mas certamente está na minha lista!
É por essas e outras que quando eu digo que 11 dias só na cidade eterna foi pouco, ninguém acredita!
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