Reserva dos Masaai, no Quênia

A África é um imenso mosaico, com inúmeras etnias e povos que falam diferentes línguas, religiões distintas, geografia e culturas diversas. Sempre me perguntei por que um continente tão grande assim não se desenvolveu economicamente? Por que o desinteresse geral e o esquecimento histórico? Ainda sem uma resposta digna. Basicamente dividida em duas - a África Branca, mais ao norte, dominada pelos árabes e pelo grande deserto Saara (chamada Saariana) - e a África Negra, do centro para o sul (a África Subsaariana). Pelo menos, até hoje os radicais jihadistas não se arriscaram mais ao sul do continente, já que a região norte tem em seu subsolo importantes recursos energéticos, especialmente o petróleo. Um dos principais motivos para muitas guerras e dominação pelo medo. A região sul africana, com suas matas, grandes leões, elefantes e crocodilos não os atrai tanto. Durante duas décadas o povo do Sudão sofreu os horrores de uma guerra civil entre o norte islâmico (a grande maioria) e o sul cristão. A região de Darfur, no sul do país, ficou conhecida no mundo inteiro depois que sofreu um grande extermínio e perseguição pelos árabes do norte, o que gerou milhares de refugiados de Darfur. Apesar de ser o maior país da África, é uma nação assolada pela pobreza. Em 2011 o território foi separado em Sudão e Sudão do Sul e um acordo de paz foi assinado entre os dois Estados. Mas ainda é uma região sensível, cujo conflito deixou mais de 2 milhões de refugiados e 400 mil mortos. Uma lástima...
A África que sempre dominou meus sonhos foi a subsaariana, com suas florestas tropicais e savanas de um lado e o deserto do Kalaari do outro. A colonização de muitos países africanos por outros povos foi um forte causador do subdesenvolvimento de toda a região. Os países colonizadores, sem exceção, arrancaram das terras toda a riqueza que lhes interessavam, mas pouco contribuíram para o desenvolvimento econômico e social dos países dominados. Assim eles decretaram o empobrecimento de um continente inteiro! Nós que vivemos num mundo dito 'civilizado' (?) não percebemos o quão importante a África é. Dali saíram grandes civilizações que povoaram o resto do mundo, é o berço da humanidade! Neste nosso mundinho organizado, absurdamente acelerado, de roupas limpas, e de sapatos brilhando não cabe um universo de povos praticamente inacessíveis? Cabe sim. Para muitos deles a sobrevivência é um combate diário. A grande maioria ainda precisa caçar para se alimentar, e muitos estão sempre fazendo novos abrigos, em condições de semi nômades, em função do clima sempre em constante mutação.
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Guerreiro Masaai, na Tanzânia (foto: Jimmy Nelson)
Para os Masaai, a sua riqueza pode ser medida pelo número de gados e filhos que eles têm. Desde pequenos os masaai são preparados para serem grandes guerreiros. Inclusive são capazes de saltar bem alto para mostrar sua força e resistência. Acreditam que Deus criou tudo entre o céu e a terra e deu os gados para cuidarem, e que eles são os últimos guerreiros vivos no planeta.
Os masaai usam o vermelho como cor principal para se distinguir dos demais povos africanos (foto: zenmagazineafrica)
Povo Himba, na Namíbia (foto: Jimmy Nelson)
Ao sul da África,entre a Namíbia e Angola vive o povo Himba, numa das áreas mais selvagens da África. Eles viajam pelo deserto como os leões e elefantes em busca de água e mantém suas tradições desde o século XV. Antes da Primeira Guerra Mundial a Namíbia foi palco de um grande genocídio, quando o general alemão Von Trotha comandou o extermínio da população local, que se rebelava contra a ocupação alemã. Hoje o país está se reerguendo economicamente e mantém grandes projetos ambientais, apesar de as grandes fazendas locais ainda pertencerem aos descendentes de colonizadores. Os hábitos dos himba são bem diferentes dos nossos. As mulheres são educadas para não tomarem banho, e apenas passam no corpo uma mistura de manteiga animal e pó de noz, dando uma cor avermelhada única que os protege do sol. É uma tribo essencialmente matriarcal, já que todo trabalho pesado fica por conta das mulheres.

A tribo dos Samburu ainda pratica rituais tradicionais para fertilidade e curas. Como no passado eles já tiveram muitos conflitos com a Somália, olham o islã com certa desconfiança. Habitam belos vales com montanhas, árvores e nascentes de água. Seu Deus é Nkai, e quando um homem velho morre, eles o enterram diante de uma grande montanha, moradia de Nkai.
Tribo Samburu , na Namíbia (foto: Jimmy N.)
Tribo Dessanech , no Quênia (foto: Jimmy Nelson)
Os Dessanech vivem no grande Vale do Rift, ou Vale do Omo, no Quênia. Seus lagos alcalinos, termas naturais quentes e terras férteis formam o verdadeiro caleidoscópio queniano. Nas épocas de grandes migrações, são as mulheres (mais uma vez) que constroem e derrubam suas casas para seguirem seu caminho. A tribo é conhecida por caçar crocodilos!
O povo Mursi (foto: Hans Sylvester) também vive no vale do Omo, na Etiópia. Eles têm uma política própria de pacificação. Se ocorrem conflitos com outras tribos, uma delegação de homens mais velhos se reúne com a delegação da outra tribo e negociam as soluções para alcançar a paz. Os Mursi declararam seu território como zona comunitária de conservação, e a partir daí começaram um projeto comunitário de turismo. A cultura deste povo está sendo ameaçada pela criação de parques no vale do Omo, é o que a ong Native Solutions denuncia em
www.conservationrefugees.org
O povo Dinka - Sudão - vive do pastoreio de gado (foto: Carol Beckwith)
O povo Dinka habita principalmente a bacia do rio Nilo, no Sudão. É uma tribo que vive constantemente debaixo do sol cuidando do gado, por isso possuem um tom de pele notavelmente mais escuro que outros povos da África. Pelo seu estilo de vida (se alimentam de laticínios in natura, o que lhes dá extrema resistência), sua beleza exuberante e sua estreita relação com os animais, é considerada a população mais alta do mundo, muitos passam de 2 metros de altura! São chamados os gigantes fantasmas da África, pois cobrem seus corpos, e também dos animais, de cinzas para se protegeram da malária e insetos perigosos.
Pois é... enquanto um monte de milionários por aí se cadastram para visitar outros planetas, ou mesmo gastam fortunas para congelar o próprio corpo após a morte, na intenção de voltar a viver um dia - tem um lugar chamado África, muito mais interessante e que precisa encontrar soluções para sobreviver!!!