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sábado, 27 de julho de 2013

A Madri dos espanhóis!

Madri é uma cidade verdadeiramente espanhola, com 'E' maiúsculo! Todos são tão regionalistas e ferrenhos defensores do país, que há bandeiras da Espanha por toda a parte. Ali eu senti meu sangue espanhol correr nas veias, e em alta velocidade! Dois dias em Madri certamente não é o ideal, mas era o tempo que tínhamos entre Lisboa e Barcelona. Com isso, achei melhor deixar a cidade me levar, assim mesmo, sem roteiro. Saio pela cidade disposta a descobrir o mundo em Madri! Sempre trago no bolso um bloco e caneta, onde anoto tudo que acho interessante, tenho esta mania........Como nosso hotel era próximo à Puerta Del Sol e Gran Via, dava para fazer tudo a pé. A famosa Puerta Del Sol é uma grande praça, que no século XV era a entrada da cidade, portanto, é considerada o marco zero de Madri. Hoje em dia, as principais manifestações políticas e culturais são feitas ali. Ao redor, prédios lindos e uma estátua do "Oso y el madroño" (o urso e a árvore), que é o símbolo da cidade. Quem tem pernas vai a qualquer lugar, então teste o seu espanhol e pergunte como chegar ao Palácio Real, no caminho descubra o Teatro Real, a maior casa de ópera de Madri. Para quem está andando na região central, mais precisamente no bairro de Salamanca, e bate aquela fome na hora do almoço........Bom, descobrimos um restaurante local, nada turístico, mas de fácil acesso a todos que trabalham por ali, a duas quadras da Biblioteca Nacional e ao lado da Plaza Colón. O pequenino "Candilejas" cafetería/ restaurante fica na calle Hermosilla, 7,  e por 24 euros (para duas pessoas) é possível se deliciar com a entrada, o 1º prato, o 2º prato, a sobremesa (especial da casa) e o café. Depois, só me resta mesmo ir até o Parque Retiro fazer uma "siesta", bem merecida, né!


Eis aqui o famoso "Oso y el madroño", símbolo de Madri. Com minha curiosidade eterna e meu espanhol 'macarrônico', acabei aprendendo alguma coisa. Bom, madroño era uma árvore típica da região, cujo fruto era uma espécie de amora, que os ursos adoravam! Com o desenvolvimento acelerado, as grandes florestas em torno da cidade desapareceram, e também os ursos. Triste, não!


A Plaza Mayor fica bem perto da Puerta Del Sol. Construída no século XVII, por ordem do rei Felipe III, tem uma estátua do próprio rei montado a cavalo bem no centro da praça. Antigamente era cenário de corridas de touros, teatros e juízos da inquisição. A foto acima é da "Casa de la Panadería", com seus afrescos na fachada. Impossível não ficar extasiada com os detalhes de suas pinturas. Destruída por um incêndio em 1670, este prédio foi totalmente reconstruido anos depois. Num concurso cultural na década de 80, a fachada foi recuperada com pinturas baseadas na mitologia: Cibele, Baco, Cupido e Proserpina.

 Mais histórica impossível! A Igreja de San Jerónimo "El Real", conhecida como Los Jerónimos, tem seu portal em estilo gótico lindíssimo! Esta igreja foi o que restou do monastério dos Jerónimos (fundado em 1460 pelo rei Enrique IV). Ali a corte se reunia e celebrava juramentos reais. Em tempos mais recentes, o rei Juan Carlos I se casou nesta igreja. Localizada atrás do Museu del Prado, grande parte foi destruída depois da invasão de Napoleão, exceto o "Casón del Buen Retiro", que foi integrado ao museu. 

  A estátua de bronze do rei Felipe III foi erguida no centro da Plaza Mayor  a pedido da Rainha Isabel II. Aliás, os espanhóis simplesmente amam estátuas a cavalo, pois em uma só rua é possível ver várias, todas perfeitas!


Gente, mesmo para o mais cético e insensível ser humano é impossível não ficar maravilhado com as diversas facetas dos jardins à frente do Palácio. Soberbo!!! Ao fundo o Palácio Real de Madri, que já foi a residência oficial do rei, mas hoje acolhe atos de Estado e eventos diplomáticos.


O Parque Retiro é o pulmão de Madri, e que pulmão! Atrás do Museu Del Prado, funciona muito bem como um bom lugar para se fazer a "siesta", o famoso cochilo espanhol depois do almoço.  Ah, recomendo pegar um mapa  do parque para não se perder lá dentro!


O Parque Retiro está no elegante bairro dos Jerónimos, onde também fica o Museu Del Prado, A igreja dos Jerónimos, o Hotel Ritz e tantos outros. O parque abriga museus, um palácio, exposições e até um observatório. Este era o 'jardim' particular da família real. No século XVIII ele foi parcialmente aberto, mas apenas para visitantes bem vestidos! Somente em 1869 foi liberado para a população. Ufa!


O Palácio de Cristal fica dentro do Parque Retiro e é absolutamente fantástico! Ele foi construído em 1887, como um dos pavilhões da exposição das ilhas Filipinas para expor as plantas e flores da então colônia espanhola.  A parte interna nos proporciona as melhores vistas dos jardins através de vários ângulos. Sentar ali e contemplar a placidez do lago lá fora é um espetáculo a parte. Por instantes você tem a sensação que o mundo acelerado lá fora não existe!!!


O Palácio de Velázquez é uma das atrações do parque. Todo construído em cerâmica em tons de tijolo e abóbadas de ferro, foi projetado pelo arquiteto Ricardo Velázquez. Estilo modernista, hoje recebe exposições temporárias e faz parte da organização de exposições do Museu da Rainha Sofia. Pude ver obras fantásticas do artista carioca Cildo Meireles em exibição neste verão por lá.





Detalhe do Palácio de Velázquez, sua arquitetura e as pinturas tão detalhadas me lembram a influência moura na região.









Picasso, Velázquez, Goya, Botticelli, Caravaggio, Rafael, Poussin........estão todos lá no Museu Del Prado. Esta é só uma parte da lateral do museu, que é gigantesco. Não deixe para ir muito tarde ou não vai dar tempo de ver quase nada. Fui no horário gratuito que eles disponibilizam alguns dias no final da tarde. A lojinha do museu é imperdível, tem miniaturas de pinturas famosas impressas em porta óculos, bolsas, cadernos de anotações, camisas e latas de biscoitos e chocolates. Dá vontade de levar tudo!!!



Na Plaza de Colón, que fica no ponto central de Madri, tem um  monumento dedicado a Cristóvão Colombo (Colón em espanhol). À sua volta estão os arranha-céus pós modernistas, que substituíram as mansões do século XIX. Bem ao lado fica a Biblioteca Nacional, O Museu Arqueológico e o Paseo de la Castellana.







Aqui está a fabulosa Biblioteca Nacional pela qual eu fiquei completamente apaixonada! Com seu pórtico em estilo corinto, guarda um acervo bibliográfico de valor incalculável, com livros raros, partituras musicais, manuscritos e editoriais raríssimos. Há salas de consulta, como publicações periódicas e documentos digitalizados. A biblioteca tem também equipamentos modernos que possibilitam a reprodução de documentos a quem interessar.


Atravessando a rua de Alcalá pela Afonso XII encontramos a Puerta de Alcalá, um dos monumentos mais famosos de Madri. Toda neoclássica, foi construída com granito da serra madrilena. Foi concebida para celebrar a entrada do rei Carlos III na cidade, além de marcar o seu limite leste.






Andando mais um pouco, perto da Puerta de Alcalá encontramos este magnífico Palácio de las Cibeles. É um conjunto de praça, fonte e palácio, uma verdadeira obra de arte! Para mim, uma das mais belas construções de Madri. Não consegui ficar parada, dei a volta na praça toda para fotografar todos os ângulos....

O edifício Metrópolis fica bem na esquina, na mesma rua do meu hotel (hotel Regina). Com forte inspiração francesa, ele se projeta como a proa de um navio na esquina da rua Alcalá com Gran Via. O edifício é sede da seguradora Metrópolis, e suas estátuas representam  o comércio, a agricultura, a indústria e a mineração.


Pequeno detalhe de uma fachada da rua Alcalá, a caminho da Puerta del Sol, que não podia passar despercebido. Ando nas ruas observando desde o chão  até o céu e tudo o que lhe serve de moldura. Assim, gravo na memória meus pontos de referência para não me perder depois. "Esta es mi espíritu di supervivência"! 





Nada como uma parada estratégica no Parque Retiro para uma rápida olhada no mapa. Hora de um delicioso sorvete de pistache!!!


E foi aqui, na estação de Atocha, que pegamos um trem de alta velocidade até Barcelona. Escolhemos um trecho mais curto (tem várias opções), com poucas estações de parada, um percurso de apenas duas horas e meia, que vai praticamente em linha reta até a Catalunha. Atocha é um dos maiores centros ferroviários do mundo! Em seu interior tem um pequeno bosque tropical com todo um sistema de chuva artificial diretamente nas plantas. Isso nos dá uma sensação bem agradável enquanto esperamos os confortáveis trens.  

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Um pulo em Cascais e outro no Palácio de Queluz

Cascais sob um ponto de vista especial num dia de sol!


Era final de junho, começo do verão e o calor chegou com tudo em Portugal. Quando o sol se põe as 9:30 da noite, você perde a noção do tempo, vai tomar sorvete quase meia noite, as fontes se iluminam, as praças estão cheias, tudo é alegria! Sentar numa cafeteria a noite e conversar com o garçom sobre a vida nos põe a par de que a crise que eles reclamam por lá não chega nem de longe da que temos por cá. Coisas como desvios de mais de 25 mil euros dos cofres públicos deixam todos estupefatos. Aqui, bom.......já começa na cifra dos milhões todos os dias, e já estão todos tão acostumados.......Mas, deixemos as crises de lado, afinal cada lado sabe muito bem o que o afeta de fato. Descemos em Lisboa em pleno verão e absolutamente sem expectativas, o que é ótimo, pois tudo foi uma grata surpresa. Na verdade, nossa 'terra irmã' me deixou absolutamente apaixonada por tudo lá!!! Numa manhã resolvemos ir em direção a Sintra e conhecer o Palácio de Queluz. Pega-se um trem na Estação do Rossio para Sintra e desce em Queluz. Também dá para pegar um ônibus comum na Praça Marquês de Pombal no mesmo sentido. As duas opções são ótimas e duram no máximo 20 minutos. Passando a manhã em Queluz, dá para voltar à Lisboa, comer um delicioso bacalhau num dos vários restaurante do Baixo Chiado e a tarde pegar outro trem para Cascais, no litoral, curtir o movimentado balneário português!






Uma das praias de Cascais assim que você chega na cidade. Aqui ainda não é mar aberto, por isso as águas são bem calminhas...














Ao final dessa rua chega-se ao mar aberto, muito mais interessante!









As pedras portuguesas estão por toda a parte, até nas praças em frente à praia em Cascais


No cais, muitos barcos pesqueiros e casarões antigos que viraram hotéis ou restaurantes. Na hora do almoço, o restaurante do Hotel Bahia, em frente à praia, tem um bacalhau com batata ao murro inesquecível!!!


Por mim, ficava ali o dia inteiro, perdida em pensamentos a ver o mar..........e se tivesse em minhas mãos um pincel e uma tela em branco, faria um guache em todos os tons de azul do céu e mar de Cascais........

A entrada do Palácio de Queluz é mais singela que seu interior e seus jardins sem fim. D. Pedro I (que em Portugal é conhecido como Pedro IV) nasceu aqui. Mas com a invasão dos franceses, em 1807, a família real fugiu para o Brasil. Depois que os invasores e Napoleão foram embora, a família teve que retornar ao país e ocupar o palácio novamente. E foi ali, no quarto 'D. Quixote', que D. Pedro acabou morrendo de tuberculose, depois de uma batalha com o irmãopelo poder, da qual ainda saiu vencedor. Que trágico, não! 






O interior do palácio é rico em detalhes. As paredes e os tetos são uma atração a parte, todos pintados a mão com nuances de dourado, um luxo!












Este palácio já foi muitas vezes comparado como primo distante do palácio de Versalhes. Mas olhando de perto é uma construção bem portuguesa, com certeza!








Nos arredores do palácio, além dos jardins super cuidados, os azulejos dominam a paisagem em seus tons de amarelo e azul.


Nossa visita ao palácio durou cerca de duas horas e meia. A parte interna do palácio prima por sua riqueza e ostentação setecentas. Fotos são permitidas, mas sem flash. Agora, os jardins são belíssimos e  sistematicamente cuidados, assim como suas estátuas muito bem preservadas.


Fontes estão por todo o jardim, vale parar um pouco ali e se refrescar no escaldante  verão europeu!


Sou apaixonada por jardins, cultura, história e arte. E quando tudo isso se encontra em um único lugar........ah, eu queria ficar ali, dormir ali, acordar ali...



Este é considerado um dos palácios da região de Sintra. O microclima único de Sintra foi o motivo da ocupação muçulmana para veraneio de seus aristocratas, que ali construíram seus palácios, jardins e bosques de valor incalculável!








A paisagem ao redor dos palácios em Sintra foi catalogada pela UNESCO em 1995 como Patrimônio Mundial, contendo alguns dos monumentos mais importantes de Portugal. O palácio de Queluz fica aberto das 9:00 às 18:30 na alta temporada. Eu RECOMENDO!

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Ah, esse sul da Bahia....

Ah, que saudades da praia da Amendoeira, em Prado! Suas falésias vermelhas dão o tom do que há de mais belo no sul da Bahia (skyskapercity)

Caravelas, Alcobaça, Prado e Corumbau são algumas das cidadezinhas que conheci no sul da Bahia. Aliás, a Bahia é quase um país, e esta parte do litoral é completamente diferente de todo o resto, com suas falésias de cor avermelhada e mar agitado. Fiquei tão apaixonada que cheguei a morar lá por 3 anos. Desculpem se me repito, mas é que boas memórias vão e vêm de vez em quando e...... Hoje, programas como "Pesca Sustentável" e "Ordenamento do Turismo", apoiados pela Ong "Conservação Internacional", ajudam a preservar a região. Além dos dois projetos que participei (P. Baleia Jubarte e Tartaruga Marinha - TAMAR) ainda há o recente Projeto Budião, que desenvolve junto às comunidades pesqueiras ações importantes para a manutenção dos recifes de corais. A Costa do Descobrimento, como é conhecida a região, vai de Prado a Porto Seguro e é ideal para longos trekkings pela praia. Para mim, começa um pouco mais ao sul, em Caravelas (nome sugestivo das caravelas portuguesas que chegaram aqui em 1500). O trekking passa por lugares de rara beleza, com suas falésias íngremes, mata atlântica exuberante, praias praticamente desertas e rios intocáveis que desaguam no mar. É só prestar atenção nas variações da maré e anúncios de tempestades fortes e se abrigar num lugar seguro até passar. Depois é seguir viagem, tendo o sol radiante como companheiro fiel durante o dia e a lua a embalar seu sono a noite. Agendando (ou não) com antecedência alguns lugares para pernoite, é super tranquilo. O povo baiano é naturalmente alegre e receptivo. E os poucos índios Pataxo que conheci na aldeia (antes de chegar a Corumbau) são super amáveis e carentes de troca de informações e cultura. Espírito aventureiro? Talvez precise um pouco. Mas o mais importante é ter pernas dispostas a caminhar durante uns sete dias, um coração terno e a mente aberta para aprender muita coisa que este mundo tem a nos ensinar. E assim caminha a humanidade....Au revoir!!!!!

 A ponta de Corumbau é o marco desta região, que mais parece um paraíso perdido no sul da Bahia. Passei um dia aí e, confesso, foi difícil conseguir dormir com aquela lua cheia nascendo no mar. Sua imensidão clareou toda a noite e me hipnotizou por algumas horas, até ela ir diminuindo aos poucos enquanto subia aos céus! (foto pousadaverabeli)




As areias grossas e douradas do caminho me deixam extasiada e,  sem pestanejar, viajo em devaneios e me imagino num deserto isolado em alto mar. E não é quase isso???
(foto leconcierge)










Na maré baixa é possível encontrar algum pescador solitário tentando capturar um polvo, que gosta de ficar nas águas rasas e quentes, cheias de vida!






A partir do porto de Alcobaça, passeios incríveis podem ser feitos nessas traineiras, barcos típicos usados pelos pescadores. Passando por áreas de mangues preservadas, chega-se ao mar aberto e a vários recifes de corais, além de naufrágios para bons mergulhos! (foto flickr)


Caravelas é o ponto de partida. Calma (as vezes até demais!), é lugar ideal para descansar antes de botar os pés na areia, literalmente! Para quem gosta de meio ambiente, não pode faltar uma visita ao Instituo Baleia Jubarte, com exposição e souvenirs à venda, tudo em prol das pesquisas do projeto.





A região serve também como berçário para as baleias jubarte, que migram da Antártica, sempre no meio do ano, para se procriarem nas águas mornas da Bahia. Embora alguns países, como o Japão, ainda defendam no Tribunal de Haia a caça de baleias para fins "científicos", esses grandes e frágeis animais precisam mesmo é de proteção contra a ganância humana e a poluição sonora e química dos mares! (foto bahiadiadia)




  



No meio do caminho, nada melhor do que subir em uma falésia e lá em cima encontrar um "pit stop" para tomar uma água de coco, enquanto espera a maré baixar lá na praia. Não se esqueça que o sol é seu fiel escudeiro, portanto, hidratação é fundamental! Paisagem agreste, com coqueiros e jegue, assim tão perto do mar, só mesmo no nordeste.....








Os recifes de corais são visíveis a poucos metros de profundidade e, muitas vezes, nem precisa mergulhar de cilindro e toda aquela parafernália. Sou meio claustrofóbica com isso, então sou uma adepta do mergulho livre! Só com snorkel e máscara já dá para ver um mundo incrível lá embaixo! Ai, ai, às vezes dá vontade de virar peixe, ou sereia, e só voltar aqui em cima de vez em quando, para ver se ainda está tudo no mesmo lugar.........(foto Guilherme Dutra, Conservação Internacional)



O por-do-sol na ilha Siriba, em Abrolhos, é realmente inesquecível! Cada dia uma cor diferente, rosa, amarelo, laranja, vermelho, fúscia..... Picasso ia ficar com inveja e logo ia querer trocar sua caixa de tintas!!!!
(foto Conservação Internacional)







 O azul do céu e o azul "piscina" do mar competem em sintonia no quesito beleza natural. Neste caso não há ganhador, todos estão empatados, e quem ganha somos nós!!!


E aqui me despeço mais uma vez da Bahia. Esta terra que foi palco da descoberta do país no ano de 1500, mas que os índios brasileiros aqui já habitavam muito, muito ,muito, muito tempo atrás!!!








sábado, 22 de junho de 2013

Revoluções da natureza

Não, não é um sonho, nem um devaneio saído de um quadro surrealista! São as montanhas coloridas no norte da China, na cidade de Zhangye. Essas formações inusitadas se formaram ao longo de 24 milhões de anos e estão aí até hoje!

Sou particularmente simpática a esses ambientes montanhosos que, além de sua ecologia complexa e beleza inigualáveis, são essenciais para a sobrevivência do ecossistema mundial. A beleza natural muitas vezes nos deixa perplexos diante de tamanha grandeza. Mas temos também que colaborar na sua preservação. É por isso que eu tiro o chapéu para a tecnologia. Incrível como o avanço tecnológico pode ajudar o planeta a se recuperar. Esta semana a NASA divulgou a imagem feita por  um satélite que mostra em detalhes toda a vegetação que existe no mundo. É possível ver a diferença entre as áreas verdes e áridas da Terra a partir da luz visível e do infravermelho refletido. Isso vai ajudar países no monitoramento ambiental mais preciso. Nos últimos séculos nosso planeta vem passando por várias revoluções: industriais, tecnológicas, e agora, mais que nunca, revoluções ecológicas e sociais.  E um dos ambientes mais depredados do mundo é o das montanhas. Seja pela exploração dos minérios, desmatamentos sem fim ou o turismo desordenado. Este ambiente frágil está literalmente no topo das preocupações. Boa parte da água do planeta disponível para beber nasce nas montanhas! Elas são as áreas mais sensíveis a toda e qualquer mudança do clima da atmosfera. Como são muito altas, criam vários gradientes de temperatura, precipitação e insolação. São verdadeiros microcosmos!!!
Fico aqui, na minha humilde posição terráquea (ou alienígena...), imaginando quantas imagens de sonho este satélite poderia nos repassar, de montanhas preservadas, cada uma com sua beleza única..... O que me faz lembrar que vivemos todos no mesmo planeta, portanto, se não somos unidos pelo sangue, somos pela vontade de querer viver num mundo cada vez melhor!!!

A Cidade do Cabo, na África, convive diariamente com suas montanhas gigantescas ao redor! Gosto do que disse Goethe: "O mundo é tão vazio se pensarmos apenas em montanhas, rios e cidades. Mas conhecer alguém aqui e ali, que pensa e sente como nós e que, embora distante, está perto em espírito, eis o que faz da Terra um jardim habitado"


As montanhas de Bogotá, encobertas pela neblina depois de um dia de chuva. Isso me fez parar no alto de um prédio e me deixar inebriar em um tempo que não queria passar...


Em Quixadá, cidade do Ceará, as montanhas que nascem no meio da caatinga, servem de cenário para diversos esportes radicais. Oba, é pra lá que eu vou!!!


O nosso lindo Rio de Janeiro e seu mar de montanhas. Sem mais palavras....


Lá vai o trem pela Serra do Mar, delineando a geografia do sul do Brasil. Este passeio que liga o alto da serra em Curitiba até o litoral paranaense é mesmo imperdível. Durante todo o percurso as paisagens deixam qualquer um boquiaberto!


Enfim, essas formações rochosas monumentais nos fazem parecer seres pequeninos, totalmente indefesos, tentando compreender tamanha sabedoria dessa tal "natureza"... Aqui, paisagem lunar nos arredores de La Paz.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Mudanças



O que está acontecendo no país? Enfim, parece que a 'galera' acordou da paralisia geral em que o governo nos colocou! Tem muita coisa errada SIM. Só não concordo com a depredação geral do patrimônio público e violência gratuita. Os protestos, quando legítimos, já começam a dar resultados em várias partes do país. Mas as coisas não vão bem, tanto que refletem uma insatisfação generalisada.  Vamos apoiar as mudanças, sugerir outras mais, e descobrir o Mal querendo se disfarçar de Bem!
Deixo aqui um pedaço do artigo do ótimo Xico Sá:

"Errado?
Ou só vale, para efeitos morais de protesto, a gente boazinha e organizada? Só vale o protesto certinho? A anarquia não vale com 100 mil nas ruas? Se liga, humanidade. E se entrar um dia na bagunça a gente feia, suja e malvada, como no clássico do cinema italiano? E se minha faxineira resolver entrar no jogo, em vez de ficar apenas limpando minha casa para quando eu voltar do protesto e encontrar tudo bonitinho?
Aí o bicho pega e vai ser lindo. Afinal de contas, como diz o Leminski, na lucha de classes todas as armas son buenas…
Mais ou menos como já são os agitos dos sem-teto e dos sem-terra o ano inteiro. Esses são ameaçadores de verdade da ordem, são os homens de boa vontade, bíblicos. Pouca gente aparece aqui nas redes sociais para apoiá-los. Se muito meio segundo no “JN” quando ocupam as fazendas de laranjas dos laranjas e outras cítricas assombrações patronais.
Mas tá valendo. Não é isso que está em jogo agora, velho Glauber.
Falar nisso, corto, sabem a origem da palavra baderna? Era o sobrenome de uma bailarina bem louca, anarquista italiana, que arruaçou no Rio do século XIX e daí esta palavra que virou manchete hoje.
Por favor, não me entenda, mas se você leva mil, 5 mil, 10 mil, 100 mil pessoas às ruas, como foi o caso da Candelária corre esse risco.
Não adianta esse lenga-lenga, inclusive de alguns líderes da parte “mais sensata” do movimento, de rotular de vândalos o que, possivelmente, fuja do controle. É o risco da praça quando vira território livre. Risco que já deu em revoluções e também já deu em muita merda sem sentido.
Risco que deu, seja no subúrbio de Paris recentemente ou no centro do Rio e SP, em flamejantes episódios.
Ir para as ruas sempre implica no imponderável. O resto é mofo ou ranço da história. É a hora que a ordem estabelecida vira piada.
A bonança, não o risco, de ir para as ruas é isso, ninguém sabe aonde vai parar o bonde. E não vai ser a mídia a ditar o ritmo da carruagem, como acreditou nos últimos dias, quando chamou todo mundo de vândalo e mudou dois dias depois.
Sabe-se lá por quais vaias ou conspirações, meu repórter João Valadares, deve ter mudado milagrosamente a mídia. Talvez, voltemos às caronas da história, por acreditar em só enfraquecer a presidente Dilma como candidata. Vire-se a Dilma, estamos apenas analisando a história recente.
Como se na onda toda fosse possível passar essa leitura. É bem mais complexo, amigo(a), me ligo, se liga, a vida é um tê, um benjamin de três tomadas, no mínimo.
Só sei que nada sei, só sei que Kafka seria capaz de entender tal metamorfose.
Só sei que nem o mito do futebol como ópio do povo, como acreditava a velha esquerda, resiste a esta hora. A Copa das Confederações que o diga.  Nunca se protestou tanto exatamente contra os gastos dos eventos de hoje e do futuro."

Xico Sá

domingo, 9 de junho de 2013

O farol e o mar

Submersos em mistérios e muita história pra contar, os faróis me fascinam, sempre! Muitas vezes, me ponho a imaginar o quanto é triste (ou sublime) a vida de um solitário faroleiro, que se dedica a cuidar do farol e da vida dos navegantes em alto mar. "O verdadeiro homem é o que vive só, pois aprendeu a conviver com a solidão", disse uma vez o norueguês Henrik Ibsen, lá no século 19. Os faróis, normalmente,  gostam de estar em uma ilha. Assim, isolados do mundo, podem guardar seus segredos sem medo.  Sua luz ilumina o mar, a quilômetros de distância, o mar dentro do mar profundo... Sua força impetuosa aguenta firme tempestades marítimas, ondas gigantes, raios e o castigo do tempo....um guerreiro! Há muito tempo, quando passei um período em uma ilha, pude observar de perto o trabalho de um faroleiro, o cuidado e o carinho de manter os espelhos refletores (trazidos da França) sempre brilhando. O navio faroleiro, que de tempos em tempos passava por ali para fazer a manutenção. Ah, que saudade que me dá, viver assim, no mar!




A Ilha de Santa Bárbara, onde passei 3 meses, guarda o Farol de Abrolhos, dentro do parque nacional marinho de mesmo nome. A torre, de 22 metros, foi pré fabricada na França. Sua luz é tão potente que emite um relâmpago branco a cada seis segundos, atingindo um raio de 51 milhas náuticas (é considerado o segundo farol mais potente do mundo, atrás apenas do farol de Marrocos). Subindo suas escadas tortuosas, a visão lá de cima é deslumbrante. Percebe-se claramente o contorno do planeta e não tem como duvidar de Copérnico, que foi queimado na inquisição quando descobriu que a Terra era redonda!!!









O Farol de Itapuã, em Salvador, inspirou Dorival Caymmi e Vinícius de Morais em suas eternas músicas de ode ao mar da Bahia...











O Farol das Conchas, na Ilha do Mel, parece gostar de sua eterna solidão neste pedacinho de mar. Triste e solitário? Tenho minhas dúvidas. Talvez sublime em sua quietude. Precisamos aprender algumas coisas com o silêncio dos faróis....







O Farol de Albardão, no Rio Grande do Sul, 'plantado' na areia branca, tão clara quanto sua luz na escuridão da noite a iluminar os desavisados. 








Conhecer o Farol da Barra é voltar no tempo..... quando, no século XVII, ele auxiliava as embarcações que vinham em busca do pau-brasil e outras riquezas nossas para abastecer o insaciável mercado europeu. Foi o primeiro farol do Brasil e o mais antigo das Américas! É como ouvir uma sinfonia e me deixar levar, na tempestade deste mar dentro do mar. Sentir a força e a magia do lugar, as ondas implacáveis quebrando em suas pedras,  e lá longe no horizonte, quase posso ver......... a África!