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sexta-feira, 17 de abril de 2015

A longa Transiberiana

Não, eu não estive na Rússia e nem passei perto! Um sonho, quem sabe... Ali tudo parece ser grandioso o bastante para despertar qualquer aventureiro. É o país com a maior área do planeta, tem o lago mais fundo do mundo (o Baikal, com 1.600 m de profundidade), e possui a ferrovia mais longa da Terra (dependendo do trecho, chega a quase 10.000 km!). Quem assistiu Dr. Jivago e Guerra e Paz sabe do que estou falando. Outro dia mesmo vi uma matéria sobre a Sibéria, e então a rota Transiberiana voltou a povoar meu imaginário, como cenas de um filme. Esta extensa ferrovia foi construída entre 1890 e 1905 com a ideia de conectar a parte europeia da Rússia com as províncias do extremo-oriente, Mongólia, China e o Mar do Japão. Basicamente são 3 trajetos da rota Transiberiana: o trem n° 2 (o Rossya) faz a rota Moscou-Vladivostok, o trem n° 10 (o Baikal) liga Moscou a Irkutsk - capital da Sibéria oriental, o trem n° 20 (o Vostok) vai de Moscou à Pequim, passando pela Manchúria. O percurso mais longo de trem vai de Kiev a Vladivostok, percorrendo uma distância de 10.259 km, e é feito em 187 horas e 50 minutos, passando por 8 fusos horários. Uau, já me imagino dentro de um vagão desses por 7 dias observando paisagens extremas, como a extensa vegetação de Taiga, o solo árido das colinas, a natureza gélida da Sibéria e o grande lago Baikal. Uma viagem para a vida, sem dúvida! 

Mas a Transiberiana não nasceu para o puro deslumbramento dos olhinhos apertados russos, não! Lá pelos idos de 1800 (+- 1867), quando o império russo ficou quebrado financeiramente por conta da Guerra da Crimeia (desde aquela época, hein!), acabou tendo que vender o Alasca para os EUA. Foi aí que o governo russo percebeu que poderia fazer fortuna com a terra selvagem da Sibéria e suas enormes jazidas de ouro. E como transportar toda esta riqueza se não de trem? Antes, porém, para atravessar toda a Sibéria havia o "Trakt" - uma estrada de cascalho mantida por presidiários e os mujiques para que os negociantes não tivessem seus ossos deslocados nas carroças a cada quilômetro. Dizem que Anton Tchekhov viajou muito pelo Trakt e certa vez teria dito: "Eis-me em Ecaterimburgo (onde foi executado o czar Nicolau II e sua família), eu tenho o pé direito na Europa e o esquerdo na Ásia". Pelo jeito os engenheiros e os operários pagaram caro para construir este colosso. Isso sem contar as milhares de árvores que foram cortadas, essencialmente coníferas. E os desmatamentos ainda continuam na era Putin. Segundo dados do WWF, em poucas décadas a Taiga não mais existirá! 

A Transiberiana muitas vezes é a única opção de viagem para os habitantes da parte europeia e asiática da Rússia, já que as passagens aéreas por lá são bem caras. Mesmo assim, a ferrovia atrai milhares de turistas estrangeiros, ávidos por conhecer as paisagens espetaculares da cadeia de montanhas do Ural e suas estepes. É claro que ninguém precisa fazer o trajeto inteiro, e existem várias paradas no meio do caminho para quem quiser descer. Aliás, dizem que quanto mais longe você vai da capital Moscou, mais você conhece a verdadeira Rússia. Os vagões são antiquados e pintados com as cores do país, mas por dentro o conforto compensa. Lá fora, as temperaturas no inverno podem chegar a 35° abaixo de zero, mas no interior é tudo climatizado, e no vagão restaurante há bebidas  que esquentam a alma e pratos típicos. A melhor época é entre os meses de abril e maio ou agosto e setembro, quando tem menos turistas e um bom preço. Já quem foi no inverno diz que é super barato, com raríssimos turistas e um frio de lascar! No verão, sem chance (junho e julho), com turistas para todo lado e tudo bem caro. Bom, pelo menos todos os bilhetes para os trechos de longo percurso tem lugares para dormir incluídos no preço! 
Olha, bem que eu tentei disfarçar, mas não deu, eu ADORO trens.... e quanto mais longa a viagem, melhor! Na minha próxima 'fuga' (que vai demorar bastante agora) certamente haverá um trem no meio do caminho.... me esperando!

Paisagem às margens do lago Baikal, com suas colinas repletas de coníferas!

Vagão restaurante do trem de luxo, onde também é servida uma sopa típica russa à base de vodka, que pode ser feita com com frango ou outra carne.

A gélida Sibéria, mas nem por isso menos bela! Tudo bem que o inverno tem seu charme, mas eu certamente iria em outra época!

Habitante local do interior da Rússia trabalhando ao lado da ferrovia

Passando pelo imenso lago Baikal...

Nem um pouco pequena esta ferrovia, não! Um desafio e tanto!


quinta-feira, 9 de abril de 2015

Ah que lindo.....mas até quando?


Estive no Rio há pouco tempo para matar a saudade da "terrinha".... Mas ao pegar a barca e atravessar a Baía de Guanabara... quanta poluição, apesar de toda a beleza! A água bastante poluída, com garrafas pet, sacos plásticos, pedaços de corda, latas de refrigerante, pedaço de cano, boia, e até bola de futebol. Inacreditável se pensarmos que em 2016 o Rio vai sediar os Jogos Olímpicos! Com certeza tinha muita garrafa pet ali já fazendo aniversário de tão velha e cheia de lodo. Todo esse lixo vai parar nas praias depois, e o pior é que ainda mata milhares de peixes e outros organismos marinhos antes. O governo tem uma grande parcela de culpa nisso, até porque quando vem algum representante de órgão internacional aqui vistoriar, eles (governantes) montam um batalhão de limpeza e fazem toda aquela encenação de que estão despoluindo a Baía. No dia seguinte volta tudo ao normal, ou seja, na estaca zero. Mas a falta de educação da população é outro grave problema. Afinal, todo esse lixo boiando nas águas foi jogado por alguém lá atrás. Será que um dia as pessoas vão entender que fazendo isso estão prejudicando sua própria saúde? O Rio é uma cidade linda, abençoada com tanta beleza natural, gente descolada, um céu azul e de frente para o oceano Atlântico.... poucas cidades no mundo tem tudo isso junto e misturado! Só precisa de cuidado.

Recentes pesquisas indicam que a cada ano cerca de 8 milhões de toneladas de lixo plástico são lançados nos oceanos no mundo! Pois é, não é só no Rio não! Só para ter uma ideia, essa quantidade poderia cobrir 34 vezes toda a área da ilha de Manhatan, em Nova York, com lixo na altura dos joelhos. Isso sem contar grandes quantidades de resíduos que ficam escondidos no fundo dos oceanos. Na verdade, é como se tivéssemos tirando peixe e colocando plástico em seu lugar. Além de reduzir o consumo de produtos descartáveis e embalagens plásticas, é preciso melhorar o tratamento do lixo, que em alguns lugares nem sequer existe. Hoje há a premente preocupação com a falta de água. Mas se continuarmos poluindo as águas em geral, teremos talvez abundância de água poluída, isso sim. Temos que abraçar a defesa da água em todos os sentidos, senão de nada adianta. E como fazer para limpar todo o plástico dos oceanos? É uma tarefa hercúlea e praticamente impossível de ser realizada. Simplesmente não há como recolher todo o lixo depositado no fundo dos mares. Mas o que podemos fazer de fato, e o quanto antes, é evitar que esse lixo chegue aos oceanos. É uma questão de educação.

(imagem da web) Todo lixo flutuante nos mares vai chegar na praia em algum momento, isso é triste

Pescar algum peixe bom na praia do Leme ainda é possível hoje em dia, mas até quando?

Um Labrador tentando pegar um coco que teimava em voltar para o mar em Copacabana...

As Vitórias-Régias do Jardim Botânico ainda resistem e mostram toda a sua beleza, sempre abençoadas pelo Cristo Redentor logo ali ao lado!

Do Arpoador se vê o morro Dois Irmãos ao longe e a praia de Ipanema num belo dia de sol.... É, a natureza bem que faz a sua parte!

Um por-do-sol assim todo dia é um presente, e nós temos que retribuir com cuidado e carinho com o meio ambiente que nos envolve

A praia de Copacabana numa manhã nublada, mas cheia de charme. Quero ver o meu Rio assim, lindo, mas com verdadeiro orgulho de ser chamado de "cidade maravilhosa"


terça-feira, 31 de março de 2015

Tempos fáceis


Em tempos tão "fáceis", difícil é não encontrar solução para alguma coisa. Tudo o que queremos saber está lá, basta um simples clic na web. Não sou movida a tecnologia, muito pelo contrário. Não tenho face, twitter, nem instagram, que dirá tantos outros que nem sei os nomes... As vezes acho que deveria ter vivido lá pelos anos 50. Nos tempos difíceis a vida parecia ser vivida com mais intensidade. Ali o rock nasceu, chiclete na boca era moda, os filmes de Shirley Temple e todos os de sapateado estavam no auge, a juventude era cheia de estilo. Hoje vivemos sob a ditadura do marketing, tanto comercial quanto pessoal. Comer isso faz bem para a saúde, comer aquilo faz mal. Logo depois tudo muda, comer aquilo faz bem e comer isso é que faz mal.  Vai entender... Somos alvejados por um monte de informações constantemente e ficamos atordoados sem saber para que lado ir. Ora, eu sei muito bem o que faz bem para mim e o que me dá prazer na vida, e ponto. Outro dia acabei encontrando uma crônica de Martha Medeiros que diz mais ou menos isso. Aqui vão alguns pedacinhos:

"Tomate previne isso, cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas não exagere...... Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos. Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde....... E telejornais...os médicos deveriam proibir - como doem!...... Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou muçarela que previna...... Cinema é melhor pra saúde do que pipoca! Conversa é melhor do que piada. Exercício é melhor do que cirurgia. Humor é melhor do que rancor. Amigos são melhores do que gente influente. Economia é melhor do que dívida. Pergunta é melhor do que dúvida. Sonhar é melhor do que nada!"


sábado, 21 de março de 2015

As cores do mundo!


A vida pode ser breve sim, às vezes é como um sopro, às vezes uma grande ventania que atravessa desertos e oceanos. Então, para garantir uma certa longevidade, é melhor cuidar dela com carinho e aproveitar todos os momentos, todos mesmo! Não quero dizer com isso para sair por aí tresloucadamente, como uma maluca com um cronômetro na mão para aproveitar o mundo inteiro antes que ele acabe. Algumas vezes a quietude é a coisa mais sábia que existe. Aproveitar as belezas da natureza e deixar tudo isso invadir a sua vida é uma verdadeira injeção de ânimo. Pensar nos problemas, sim, mas também nas soluções. As coisas sempre passam, e o melhor que temos a fazer é deixar que elas vão embora. Aí sim, é hora de começar tudo de novo! Nada melhor que umas boas pitadas das cores do mundo para invadir nossa alma! Como é bom descobrir que o mundo é assim, cheio de maravilhas, é só não ficar de olhos fechados...
Como escreveu certa vez um desconhecido num muro: "O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você." 

As montanhas do Parque Geológico Zhangye Danxia, no norte da China. A mistura perfeita de cores é formada basicamente de arenito e outros minerais. É claro que ao longo de milhares de anos as chuvas e os ventos deram uma forcinha aí!

O Lago Retba fica no Senegal. Sua cor rosa é produzida por uma microalga que absorve e utiliza e energia solar criando ainda mais energia. O lago produz grande quantidade de sal, como o Mar Morto. Os senegaleses aproveitam para extrair o sal da água e vender. Porém, antes do mergulho, eles passam um hidratante natural na pele, como a manteiga de Karité, para evitar o ressecamento provocado pelo sal.

Muizenberg Beach é uma praia cheia de cor em Cape Town - África do Sul. Uma das orlas mais bonitas da Península do oceano Índico. Suas águas são mornas e a paisagem deslumbrante. O único "probleminha" é que a região é conhecida por sua população de tubarões brancos! Embora seja um paraíso para surfistas, os ataques deste pobre e injustiçado animal são raríssimos por ali. Mas, na dúvida, o melhor é só molhar os pés mesmo...


O Fly Geyser está localizado em Nevada, EUA, e foi feito acidentalmente em 1916, durante uma perfuração de poços. Mas foi só 50 anos depois que o gêiser começou a cuspir o líquido quente que vinha do fundo, cheio de minerais e bactérias. Depois de meio século acumulado, isso resultou em uma pequena montanha super colorida que jorra água a até 5 metros de altura!

Tudo bem que Breslávia, na Polônia, tem um passado um tanto tumultuado - já pertenceu à Alemanha, Prússia e Áustria. Mas a arquitetura colorida sempre foi sua marca registrada, mesmo com tantas guerras, conquistas e destruição. Pablo Picasso um dia disse que a reconstrução da cidade no pós guerra foi uma inspiração para ele, e não é difícil perceber porquê!

Além da beleza de tirar o fôlego, a caverna Reed Flute (em Guilin, na China) tem uma importância histórica. Com cerca de 180 milhões de anos, há dentro dela inúmeras inscrições feitas à tinta, provavelmente da época da dinastia Tang, de  792 d.c. Suas formas únicas são realçadas por luzes artificias, como imagens de um sonho...

Já pensou no lugar habitado mais quente do mundo? Eis aqui Dallol, na Etiópia. Situado no deserto da Danakil e bastante inóspito, suas temperaturas chegam a 60°C graus! O povo nômade dos Afares faz do comércio do sal seu sustento. O vulcão Dallol é famoso e em sua cratera há uma salmoura quente e multicolorida, com depósitos de sal-de-rosa, brancos, amarelos, verdes e pretos. Definitivamente uma visão bizarra e surreal!

E como não se lembrar da sempre alegre e colorida Bahia, território legitimamente brasileiro? Itanhém no interior da Bahia é assim, criatividade a flor da pele (a arte aqui é de Djane Silper)!

domingo, 15 de março de 2015

O mundo em preto e branco


Numa semana tediosa, cansada dos estudos e do trabalho, eis que surge por aqui Sebastião Salgado para uma palestra gratuita sobre seus projetos de vida, fotografia e, principalmente, a preservação de nascentes no Vale do rio Doce. Um documentário sobre seu trabalho pelo mundo concorreu ao Oscar 2015, mas não foi o vencedor, embora tenha conseguido vários prêmios pelo mundo.  Suas incríveis fotos em preto e branco são uma ótima chance para uma boa escapada no final do dia! 

O cara é fantástico e com uma história de vida elogiável! Ele saiu do Brasil em 69 e foi para a França se especializar em Economia, assim como sua mulher foi fazer arquitetura. A partir dali foram 40 anos fotografando a natureza, a miséria, a doença e fracassos da humanidade. Até aí tudo bem, ele ainda era otimista. Mas depois de passar um tempo em Ruanda, na África, fotografando a calamidade no país em 1994, tudo mudou. O massacre ocorrido no país africano foi uma barbaridade, onde mais de 800 mil pessoas morreram e as maiores potências mundiais nada fizeram. Foi aí que Sebastião perdeu parte das esperanças que tinha na humanidade.

Seus projetos duram anos e capturam de forma única o lado humano e ambiental que muitas vezes envolve morte, destruição e ruína. Depois de Ruanda ele ficou totalmente desestimulado e largou a fotografia por um bom tempo. Foi então que decidiu voltar a sua terra natal em Aimorés - Minas Gerais. Encontrou a fazenda de sua família totalmente degradada. Nasceu então um ímpeto de recuperar não só a fazenda, como toda a região. O Projeto "Olhos D'Água" tem a ambição de recuperar as mais de 370.000 nascentes do rio Doce. Até os dias de hoje já foram mais de 2 milhões de árvores plantadas para recuperar parte da mata atlântica entre o Espírito Santo e Minas.Vendo a vida renascer de uma terra seca e desacreditada e um rio assoreado, ele recuperou a vontade fotografar. O Projeto "Gênesis" nasceu assim, e foram mais 8 anos viajando pelo mundo à procura de lugares ainda intocados do planeta. "O que queremos com essas fotos é criar uma discussão sobre o que temos, que é primordial no planeta para ter equilíbrio em nossa vida. Devemos reconstruir nossa família moderna de sociedades, estamos em um ponto que não podemos voltar. Para construir tudo isso, nós já destruímos muito!"

Hoje ele se dedica de corpo e alma ao seu projeto de recuperar as nascentes do rio Doce. Foi considerado um dos 70 projetos ambientais mais importantes no mundo pela ONU. Ele mesmo diz que nenhum de seus sonhos seria possível sem a sua mulher - Lélia Wanick Salgado - pianista no início e agora produtora gráfica de seus livros. Eles se conheceram na época da universidade em São Paulo: "E a coisa mais importante em minha vida também aconteceu nessa época. Encontrei uma garota incrível que se tornou minha melhor amiga pela vida, minha sócia em tudo que fiz até agora, minha esposa, Lélia". Ela também participou da palestra e falou com toda a propriedade da vontade que os une na preservação das águas do país. Fica aqui minha admiração.

Crianças em orfanato no Zaire, projeto "Êxodos"

Um homem nas montanhas de Java, na Indonésia.

Oásis no deserto, projeto "Gênesis"

Um refúgio para as zebras na Namíbia - África

Sebastião Salgado e sua mulher, Lélia Wanick Salgado

Da fazenda toda degradada nasceu seu mais novo projeto de recuperação de nascentes, "Olhos D'água"

sábado, 7 de março de 2015

Correndo da chuva!

Com tanta coisa acontecendo no mundo, no quintal de casa, nos esquecemos do principal: por que estamos aqui? Outro dia li uma crônica de Martha Medeiros e descobri uma provável resposta para o sentido da vida: "para dar e receber abraços, apoio, cumplicidade, para nos reconhecermos um no outro, para repartir nossas angústias, sonhos, delírios ... para amar." O corre corre de todo dia faz tudo para nos deixar atônitos. Correr da chuva para não se molhar, correr para não se atrasar, correr para se exercitar... Como só ando a pé pela cidade, acabei assimilando tudo isso e hoje parece que tenho asas nos pés. Mas com uma visão de 360º para não ser atropelada! Talvez por isso tenha aprendido também a parar de vez em quando, normalmente na volta para casa. É a melhor hora para sentar numa praça e observar tudo ao redor. Essas manchas verdes no meio da cidade são ótimas para devaneios. A vida passa sem rótulos. É ali que podemos ver a simplicidade das crianças brincando e se abraçando com verdadeiro afeto. Alguns param para descansar. Duas velhinhas trocam ideias sobre uma receita de bolo, depois se abraçam e vão embora. Um homem chega do trabalho, põe sua pasta no banco, respira fundo e faz um exercício de Tai Chi Chuan. Um casal decide onde ir no final de semana enquanto toma um sorvete. Agora as crianças brigam pelo brinquedo, mas logo fazem as pazes de novo com um beijinho. As nuvens chegam rápido e fecham o tempo. Um passarinho me diz que vai chover forte, então é hora de acelerar o passo e correr para casa. Que venha a água!!!

Uma campanha na Califórnia colocou um imenso painel na rua e começou a tirar raio-X de pessoas comuns demonstrando afeto. Bem interessante, isso mostra que no fundo todos somos iguais, sem diferenças de cor, sexo, raça ou religião. Assim deveria ser a vida, sem rótulos.