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domingo, 28 de agosto de 2016

Pequenas histórias

Casa Rosada em Buenos Aires

Olhando fotos de viagem numa manhã de domingo é possível reviver pequenas histórias numa fração de minutos. Como não dá para viver a vida viajando, é bom valorizar esses poucos momentos. Refletir sobre a grandiosidade de um monumento da natureza no meio de uma estrada deserta faz a gente se sentir bem pequenininha. Andar pelas ruas de uma cidade cosmopolita onde todos falam um outro idioma, me faz sentir tão anônima quanto uma formiga, e o  mundo ganha uma outra dimensão. Por outro lado, subir num balão e ver tudo microscópico lá embaixo, me deixa gigante. Mas para sentir tudo isso, tem que sair do lugar. Muitos podem até dizer que um barco está seguro quando está ancorado no porto. Mas não foi para isso que os barcos foram feitos; é preciso navegar por rios e
mares, explorar cada lugar. E os lugares são como pessoas, mudam com o vento, mudam com a chuva, mudam até de humor. Então temos que ir aos mesmos lugares mais de uma vez para viver esta experiência. Levar o corpo e a alma para passear é essencial, um sem o outro não pode dar certo. Sem medo de errar. O medo muitas vezes nasce de uma história que nós inventamos e fingimos acreditar. Deixar ele de lado é tudo de bom. Só me agarro a ele em caso de necessidade plena! 

Confesso que já dei muito nó nessa vida, não o nó de marinheiro, que esses são difíceis de desatar. Até que um belo dia descobri o óbvio, que são as coisas mínimas que fazem a vida ser legal. E assim vão-se os dias, um de cada vez. Hoje sou uma pessoa quase sensata e um pouco mais resolvida. Percebi que tem que abrir a janela e deixar a felicidade entrar, assim mesmo de supetão, ela vai sentar do teu lado e trocar umas ideias bem interessantes. A tristeza? Essa não dá as caras por aqui faz tempo. Se vier, tudo bem também. Mas antes vai ter que mostrar credencial, passaporte, senha de acesso e tudo mais. Afinal, não vim a esse mundo pra chorar!

Cúpula da Candelária no Rio

Passeio de balão pelo Parque das Águas de São Lourenço

A Cordilheira dos Andes  vista de cima


A minha cidade, problemática, porém Maravilhosa!!!


Obs: Plágio não é legal!

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Pescadores e sua pesca maravilhosa


É, o mar não está para peixe... e isso já vem há algum tempo. A necessidade fez aguçar a criatividade lá no longínquo oceano Índico. A "pesca de perna de pau" é um método usado em Sri Lanka. Os pescadores se sentam em uma barra transversal amarrada em uma estaca de madeira cravada na areia perto da costa. Ficam horas ali até capturar seus peixes com linha de pesca: geralmente algum arenque desavisado ou uma pequena cavala vão acabar na panela. 

É possível que essa prática tenha começado na Segunda Guerra Mundial. Com a escassez de alimentos generalizada, uns mais espertos que os outros foram inventando novas formas de pescar. No começo, aproveitaram destroços de navios e aviões que caíam no mar e lhes serviam como base. Com o tempo, tudo isso foi afundando, então eles tiveram que levantar pequenas palafitas para continuarem suspensos no meio da água. Depois veio aquele imenso Tsunami em 2004, que modificou uma imensa área da costa do Sri Lanka. Com boa parte inundada, a pesca lá do alto se consolidou, embora todo ano ela tem que ser interrompida no período das monções. Só que muitas famílias de pescadores acabam não passando essa tradição para seus descendentes. 

Eles carregam consigo uma rede para colocar os poucos peixes que aparecem


Se é eficiente eu não sei, mas que é bem interessante não há dúvida! 


Enquanto os homens estão pescando no mar para alimentar a família, as mulheres colhem o famoso chá de Ceilão em terra firme! 

É uma pena que no Sri Lanka, antigo Reino do Ceilão, essas belas imagens corram o risco de simplesmente sumir. Primeiro, pelos eventos climáticos que vivem mudando a geografia do país, diminuindo sua costa litorânea. E por outro lado, se esta bela tradição de pesca não for passada aos descendentes, os futuros pescadores terão que se reinventar mais uma vez!!!


quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Um país nem tão distante assim...

O Sudão do Sul tem a segunda maior migração da vida selvagem do mundo, de cerca de 1,3 milhões de animais, como búfalos, cobos, girafas, elefantes, damaliscos e leões.

Sempre tive um pezinho na África, daí meu fascínio e preocupação por este imenso continente. Procuro ficar atenta a qualquer notícia que venha do lado de lá, algumas alegres, outras nem tanto....
Desde que se separou do Sudão oficialmente em 2011, nasceu então um novo país - o Sudão do Sul. Mal nasceu e já é um dos países mais pobres do mundo, depois de anos de uma guerra cruel onde quase todos dizimaram uns aos outros. Há quem diga que foram mais de duas décadas de conflitos sangrentos e aterrorizantes! Segundo o New York Times, foi uma boa dose de loucura essa guerra civil hiper cruel, dessas que duram tanto que acabam sendo ignoradas pelo noticiário depois de algum tempo. Eles se emanciparam com a maior reserva de petróleo, com a maior área de pasto com água, com muitas cabeças de gado, e também com a maior porcentagem de pobreza do país. E quem disse que a guerra acabou? Os conflitos com seus vizinhos de cima voltaram porque ainda não chegaram a um acordo para estabelecer as fronteiras entre eles, disputando áreas ricas em petróleo. Juba, a capital, não consegue se organizar e se impor. A meu ver, um país em guerra é um país que sangra. O povo sofre, mas o mundo parece não querer olhar para aquele pedaço pobre da África. É por isso que vibro quando vejo um grupo de refugiados do Sudão do Sul tendo a chance de competir aqui na Olimpíada:

"Pensávamos que 'Rio' fosse uma pessoa", disse Anjaline Nadai Lohatith, que vai participar da prova de corrida (vídeo abaixo). Outro disse: " Os líderes têm que fazer algo pelo nosso país, não queremos ser refugiados para sempre".

Aqui um pedaço de uma carta aberta da Dra. Joanne Liu, presidente internacional de Médicos Sem Fronteiras: " A organização humanitária internacional Médicos sem Fronteiras expressa sua frustração ao constatar que, em um contexto já dramático de violência e deslocamentos prolongados, o alerta que fizemos há um ano para a comunidade e doadores não levou a nenhuma ação estrutural ou decisiva para evitar uma escassez em nível nacional de medicamentos essenciais no Sudão do Sul... Portanto, estamos novamente fazendo um apelo a todos os doadores, atores e autoridades... a vida de milhares de pessoas estará em perigo e a parcela mais vulnerável desse país será novamente impactada desproporcionalmente, particularmente mulheres e crianças...

Torço para que esses caras se entendam de uma vez por todas, seja de que parte for, norte ou sul. Guerras não fazem o menor sentido, e ninguém sai ganhando nunca! Poxa, os africanos têm uma cultura ancestral linda e cheia de tradições conectadas com  a natureza. Muitos países tem problemas estruturais terríveis, o nosso também. Mas temos que parar de ver esses países como algo muito distante, quase que inalcançáveis. O Sudão está bem perto, a um oceano daqui. As autoridades do mundo todo, as que realmente podem fazer alguma coisa, precisam abrir os olhos. Afinal, viver é fácil com os olhos fechados!

Garotos do Sudão do Sul jogam bola em um campo de refugiados na Etiópia

Belo design nativo da Tribo Surma (foto pinterest)

Pessoas dançando em comemoração ao dia da Independência do Sudão do Sul (foto de Tyler Hicks, New York Times)

Pequeno menino sorridente, à você meu abraço fraterno!