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sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Fazer algo por nada






Sou super fã de quem se dispõe a doar um pouco de si sem querer nada em troca. Tem algumas pessoas assim em cada pedacinho do planeta. Na Inglaterra Josh Coombes, que é cabeleireiro, se dedica a fazer cortes de cabelo gratuitos em moradores de rua de Londres para devolver-lhes a auto estima. Depois de algum tempo, um amigo fotógrafo começou a acompanha-lo pelas ruas para fotografar antes  e depois, dando as fotos para que eles guardassem de recordação. O movimento teve início há um ano e as fotos estão no Instagram "Do Something for Nothing". Ele resolveu estender as mãos quando ninguém pensava nessas pessoas pelas ruas. Com o tempo ele percebeu que eles se sentiam muito bem com o resultado, alguns até se animavam a procurar emprego depois, outros acabavam fazendo ali uma espécie de terapia enquanto os fios caíam pelo chão. Josh espera incentivar também outras pessoas pelo mundo a se doarem um pouco com algo que sabem fazer por nada! 








Pode ser em qualquer lugar, no meio da rua ou de uma praça!


















Os resultados são surpreendentes e a auto estima agradece







As  pessoas sentem que tem alguém que realmente se importa com elas
















Rola até terapia na calçada!










E no final todos ficam felizes, com menos cabelo e muitos com a vida de volta!



sábado, 10 de setembro de 2016

Copacabana? Não, Copacabana.

Foto aérea: shoestringduo

Quando cheguei a "Copacabana" para participar de um evento sobre Mudanças Climáticas, logo percebi a dimensão daquele pequeno vilarejo às margens do lago Titicaca na Bolívia, já na fronteira com o Peru. Seu nome vem de "Qopaqhawana" (são inúmeras escritas!). Dizem que era um ídolo local que eles cultuavam antes mesmo da chegada dos Incas. Com a influência deste povo, os cultos a Qopaqhawana foram transferidos para o meio do lago, na 'Isla del Sol' e na 'Isla de la Luna'. Depois vieram os espanhóis, que acabaram com o culto pagão e transformaram o pequeno lugarejo no maior santuário da imagem da Virgem de Copacabana. A cidade fica a 3.840 m de altitude e a 3 horas e meia de ônibus de La Paz. Se você tem algum problema com altura e enjoo, é melhor desde o início mastigar umas folhas secas de coca (vendidas no peso 'aos  montes' pelas ruas de La Paz) ou mesmo um chá de coca para o mal estar. Confesso que só foi preciso no primeiro dia, depois me acostumei. É bom lembrar que a quase 4.000m de altitude é sempre frio lá em cima, independente da época do ano. Normalmente os hotéis têm aquecimento nos quartos, senão fica difícil dormir, já que de madrugada os ventos gelados dos Andes não perdoam! Do porto de Copacabana partem os barcos para as lendárias 'Isla del Sol' e 'Isla de la Luna'. São duas ilhas mágicas no lago Titicaca, do tipo: tem que ir de qualquer jeito. Não dá para comparar com a famosa praia de Copacabana, a princesinha do mar do Rio de Janeiro. Aliás, a nossa praia pegou o nome emprestado da Virgem do lago boliviano. Dizem que marinheiros evocaram o nome da santa durante uma forte tempestade no litoral brasileiro e com isso evitaram o naufrágio, conseguindo então desembarcar na praia sãos e salvos. 

Tive a sorte de chegar a Copacabana num fim de semana, quando ocorre o ritual de batismo dos carros em frente à Catedral da cidade. São muitos, de todos os tamanhos, enfeitados com flores, pintados de todas as cores e cheios de enfeites. Depois vem um padre para jogar água benta e abençoar os carros, um a um. É uma profusão de barraquinhas de artesanato, carros, cachorros, dança e pessoas, todas falando ao mesmo tempo, uma loucura daquelas boas e difíceis de esquecer! Para mim, o mais legal de Copacabana são as pessoas que vivem lá. Ali, diferente de La Paz, dá para conhecer um pouco mais o sorridente povo boliviano e como eles lidam com sua própria cultura. 


E quem disse que toda Copacabana precisa de um mar para chamar de seu? Para quem tem um lago gigante e tão belo como o Titicaca, a vida parece ser sempre azul.... <º((((<


Do pequeno porto de Copacabana saem barcos a toda hora para as ilhas do Lago Titicaca.


Na Catedral da cidade o Santuário da Virgem de Copacabana é visita obrigatória!


Barracas de souveniers espalhadas pelas ruas estreitas enchem os olhos de qualquer um pela profusão de cores. Normalmente não há nada que se queira comprar de verdade. Já as barraquinhas de artesanato....eu simplesmente queria levar TODOS os lenços e tapeçarias de lã de lhama! Mas me contentei com 1!

Um micro ônibus super colorido esperando para ser batizado pelo padre!


Povos antigos dos Incas ou Quechua acreditavam que a verdadeira Atlântida perdida está submersa nas profundezas do lago Titicaca. Tem até um pequenino museu na beira do lago que fala sobre isso, incrível!


Crianças bolivianas brincando calmamente em uma das ilhas do lago


Desembarque na 'Isla del Sol' - caminho totalmente íngreme até lá em cima, cheio de pedras e obstáculos, é para os fortes! Mas a vista espetacular e o almoço à base de peixe fresco compensam qualquer taquicardia no percurso!!!


Este é um dos irmãos Limanche, um típico descendente dos antigos povos andinos com seu barco de 'totora' feito a mão - aquele capim que nasce na água do lago (ao fundo na foto) 


domingo, 28 de agosto de 2016

Algum lugar que só nós conhecemos




Sapo anda de bicicleta de acordo com o vento na praia de Copacabana


Casa Rosada em Buenos Aires

Olhando fotos de viagem numa manhã de domingo é possível reviver pequenas histórias numa fração de minutos. Como não dá para viver a vida viajando, é bom valorizar esses poucos momentos. Refletir sobre a grandiosidade de um monumento da natureza no meio de uma estrada deserta faz a gente se sentir bem pequenininha. Andar pelas ruas de uma cidade cosmopolita onde todos falam um outro idioma, me faz sentir tão anônima quanto uma formiga, e o  mundo ganha uma outra dimensão. Por outro lado, subir num balão e ver tudo microscópico lá embaixo, me deixa gigante. Mas para sentir tudo isso, tem que sair do lugar. Muitos podem até dizer que um barco está seguro quando está ancorado no porto. Mas não foi para isso que os barcos foram feitos; é preciso navegar por rios e
mares, explorar cada lugar. E os lugares são como pessoas, mudam com o vento, mudam com a chuva, mudam até de humor. Então temos que ir aos mesmos lugares mais de uma vez para viver esta experiência. Levar o corpo e a alma para passear é essencial, um sem o outro não pode dar certo. Sem medo de errar. O medo muitas vezes nasce de uma história que nós inventamos e fingimos acreditar. Deixar ele de lado é tudo de bom. Só me agarro a ele em caso de necessidade plena! 

Confesso que já dei muito nó nessa vida, não o nó de marinheiro, que esses são difíceis de desatar. Até que um belo dia descobri o óbvio, que são as coisas mínimas que fazem a vida ser legal. E assim vão-se os dias, um de cada vez. Hoje sou uma pessoa quase sensata e um pouco mais resolvida. Percebi que tem que abrir a janela e deixar a felicidade entrar, assim mesmo de supetão, ela vai sentar do teu lado e trocar umas ideias bem interessantes. A tristeza? Essa não dá as caras por aqui faz tempo. Se vier, tudo bem também. Mas antes vai ter que mostrar credencial, passaporte, senha de acesso e tudo mais. Afinal, não vim a esse mundo pra chorar!

Cúpula da Candelária no Rio

Passeio de balão pelo Parque das Águas de São Lourenço

A Cordilheira dos Andes  vista de cima

A minha cidade, problemática, porém Maravilhosa!!!


Obs: Plágio não é legal!