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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

O rio Araguaia continua lá

Recém descoberto na região, o boto rosa do Araguaia já veio à tona sob o risco de extinção...

O rio Araguaia tem muita história pra contar. Já foi palco da Guerrilha do Araguaia na década de 60, que não deu em nada, ainda bem! Já foi o 'rio das araras' (daí vem o nome no dialeto Tupi), já foi o rio dos índios.  Só mesmo um rio tão longo assim, cerca de 2000 km, para marcar as divisas dos estados de Mato Grosso e Goiás, Tocantins e Mato Grosso, e Pará e Tocantins. 

Depois que saí da faculdade (já faz um tempinho, he he) fui trabalhar como voluntária lá no rio Araguaia, no Projeto Tartaruga da Amazônia. Queria ver de perto o que só conhecia dos livros e documentários de TV. Fiquei fascinada pela beleza selvagem do rio e logo percebi que precisaria fazer algo para ajudar na sua preservação. Assim era fácil acordar às 5:00 da manhã e descer o rio de canoa junto aos pesquisadores para fiscalizar os ninhos de tartarugas nas praias do rio, e também a pesca ilegal de grandes peixes, como o "Pirarucu". Chegamos a apreender milhares de cascos de tartarugas que seriam contrabandeados para a China e outros países para ornamentação. Depois de fazer uma grande fogueira, queimamos tudo ali mesmo na praia. Pronto, isso inviabiliza qualquer uso para adornos e intimida futuros predadores. Em mais uma dessas vistorias encontramos toneladas de carcaças de "Pirarucu" estocadas em freezers de acampamentos no rio. Estes sim, são pescadores profissionais. Neste caso não basta simplesmente queimar tudo numa fogueira, e sim distribuir os peixes igualmente entre as famílias ribeirinhas. Em troca eles ajudam a proteger o rio de seu principal predador: o homem.

Jamais me esquecerei dos índios Karajá, que já habitavam a região do Araguaia há pelo menos mil anos, pois foi com um deles que aprendi a pescar (ou pelo menos tentei). O Anguruté me ensinou a pescar de dentro de uma canoa no meio do rio. Tudo bem que eu só pescava algumas piranhas, arraia e cascudo (um peixe que não se come por ser muito 'cascudo', óbvio!). Ao final eu devolvia todos ao rio com todo cuidado, principalmente a piranha ou ela devoraria a vara de pescar em segundos!
Bom, é claro que eu comia peixe todos os dias, mas pelo menos não eram os 'meus'!!!

Última foto do "cascudo" antes de devolvê-lo ao rio!

As margens do rio Araguaia em alguns trechos parecem intocáveis (foto: Araquém Alcântara)

Fotografei esta tartaruga retornando ao rio depois da desova

Aqui já estamos quase descendo o rio de canoa para transferir os ninhos de tartaruga a um local mais seguro.

Proteger o grande e temido jacaré-açu é um desafio aos pesquisadores. O animal é monitorado e faz parte de um senso desde 2006. Para mim, o maior desafio era ter que tomar banho no rio com todos eles à espreita na água (já que no começo não tinha chuveiro no acampamento). O jeito era levar uma lanterna a noite e direcionar o foco neles, pois ficam paralisados com a luz. Assim dava para ver seus olhinhos brilhantes na água, o que os mantinha longe o tempo necessário.

Cortaram minha cabeça na foto enquanto tentava levar um bravo filhotinho perdido de jacará-açu até a água  (tanto melhor assim, rs)

Grandes acampamentos como este ainda são feitos na beira do rio Araguaia, e vem aumentando a demanda de turistas a cada ano. Acho que lugares assim não deviam ser explorados dessa maneira... (foto: S. Jackson)

Aqui um pedaço do Parque Nacional do Araguaia. A parte onde os índios vivem ainda é preservada.

O por do sol no rio Araguaia é um dos mais belos que já vi. Espero que o rio continue lá por muito tempo ainda! (foto: Silvio Quirino)


sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Um lugar inesperado

Casas típicas da Nova Guiné ao longo do rio Sepik

Um dos últimos lugares selvagens da Terra é a Nova Guiné, ao norte da Austrália. Lugares distantes e aparentemente intocáveis me despertam a curiosidade justamente por serem assim. No mundo em que vivemos, onde quase tudo é descartável, facilmente substituível ou deteriorável, encontrar pequenas comunidades isoladas e autossustentáveis é o máximo! Pessoas que vivem de maneira simples, no meio da floresta, deslisam pelos rios em suas longas canoas, felizes. O simples nunca foi fácil, ainda mais para nós, pobres ocidentais que sempre complicamos o que já não é tão simples assim. 

A reverência e o respeito pela natureza são admiráveis. A Nova Guiné é uma verdadeira Torre de Babel. Dizem que para entender todos os idiomas falados na ilha seriam necessários 850 dicionários. Neste país, mais da metade de seu território é coberto por florestas úmidas (conhecidas como florestas de nuvens) e 80% da população vive nelas. Mas este lugar quase surreal não está tão disponível assim. Chegar lá parece ser bastante complicado, já que não há estradas e o transporte é feito por canoas nos rios e grandes lagos. Mas talvez o sacrifício valha a pena. Uma ilha na Oceania coberta por florestas tropicais, aves do paraíso, rios com jacarés gigantes, montanhas de até 3000 m de altitude, vulcões ativos, praias intocadas e cachoeiras fantásticas...

Se tivesse uma expedição para lá hoje, provavelmente eu já estaria de malas prontas, navegando numa daquelas canoas. Queria conhecer 'in loco' tamanha biodiversidade deste país, cujas ilhas estão fadadas ao desaparecimento com a subida dos mares. Apesar de ser 'o lugar' na Terra onde humanos e crocodilos convivem tranquilamente ao longo dos rios, eu bem sei que tribos mais isoladas no interior das florestas ainda praticam o canibalismo! Além disso, ouvi dizer que as nuvens de mosquitos são constantes nesses lugares, úmidos e certos subornos são necessários para obter qualquer item básico de necessidade. Não é a toa que o slogan do país é "A terra do inesperado". 

Pensando bem, melhor não me arriscar tanto no meio da floresta e ficar só por perto dos rios, onde os jacarés parecem ser mais 'amigáveis'...!!!

A floresta de nuvens faz jus ao nome num lugar bastante úmido e tropical

Grutas inesperadas onde se chega de barco, canoa ou kaiak

Uma Ave-do-paraíso aproveitando os últimos raios de sol

O vulcão Tavurvur entra em erupção mais uma vez...

Há cachoeiras por todo lado, por toda a ilha!

Uma das ilhas "bem simples" da região!

A diversidade humana da Nova Guiné no encontro entre duas tribos.


domingo, 13 de setembro de 2015

Quem está no século errado?


O tempo sempre me assustou... como passa rápido! Aquela menina cheia de sonhos e esperanças sem fim ficou lá atrás. Mas ainda hoje me perco em meio a tantas ideias e ideais que pululam em minha mente e, não raro, fogem do senso comum. Organizar tudo numa agenda é ótimo. Desenhos, compromissos, ideias para um futuro próximo (hoje!), não esquecer de passar na padaria, mandar e-mail para X, ligar para Y. Tudo organizado, perfeito! Mas e a agenda? Ou está perdida, ou está em outro lugar, nunca na minha bolsa. Pior do que perder uma coisa é tentar encontrá-la. Esquece.
Ok, tem o gadget "notas" no smartphone feito pra isso! Se tem uma coisa que não me agrada é a frieza de certas facilidades eletrônicas. Sinto a necessidade do contato com o papel, do cheiro da folha, de escrever algo com minhas próprias mãos. Que bom foi (re)descobrir os pedaços de papel reciclado cortados no tamanho exato para as anotações do dia. Fáceis de achar na bolsa, não vivo sem eles!

Sei que vivemos no século XXI  e AMO a evolução de muitas coisas até aqui, mas poderia ter vivido tranquilamente no século 19, a era das descobertas... Quisera eu ter aprendido na época com Darwin a "Origem das Espécies", que revolucionou o mundo. Por incrível que pareça, foi também o século dos grandes deslocamentos demográficos, como o que vemos agora nos países árabes e norte-africanos. Nesta época também foi criado o cinematógrafo (como dizia meu avô) e assim surgiu o cinema, que maravilha! Mas, pensando bem...... voltar dois séculos atrás seria viver sem geladeira, caneta esferográfica, ter uma vida mais curta, sofrer dores imensas sem tratamento médico adequado ou qualquer higiene, ter pouco tempo para aproveitar a vida, sem ter eletricidade e sem saber que a Terra é azul! Melhor eu me virar mesmo no século XXI, mas ter sempre um pesinho lá no passado de vez em quando (que não faz mal a ninguém)!

Cá entre nós, cada um que escreva em sua agenda ou desenhe seu futuro do jeito que lhe convier. E se você acha que o tempo vai mudar seus caminhos, não espere tanto...



sábado, 5 de setembro de 2015

Uma verdadeira odisseia


Sempre quando penso que nada mais me surpreende, vejo como estou enganada. As crianças têm uma capacidade incomum para superar as adversidades da vida. Por isso, me choca ver imagens de crianças inocentes morrendo pela total incapacidade dos adultos viverem em harmonia num mesmo planeta! A imagem de uma criança morrendo literalmente na praia e tantas outras pelo mundo em péssimas situações têm um efeito perturbador. As crianças têm esse poder de comoção. Elas não pertencem àquele lugar. Deveriam estar junto a outras crianças, brincando, dando os primeiros passos de um futuro inteiro pela frente. Fica aqui meu desabafo e um pouco da enorme força de crianças capazes de superar as mais extremas dificuldades!

Aprender é algo maravilhoso, e em qualquer parte do mundo esses pequenos vão à escola, mesmo que isso seja uma luta diária. O caminho pode ser bem desafiador e perigoso. Eles enfrentam obstáculos como rios congelados, montanhas, condições climáticas extremas, pontes precárias, canoas e muito mais. Nunca duvide da força de uma criança, pois muitas vezes até a força maior da natureza parece ir contra elas! Por outro lado, já estão tão acostumadas com as dificuldades da vida, que este é apenas mais um desafio. Regiões inóspitas acabam impossibilitando investimentos por parte de governos de alguns países, já que são altamente impactadas por desastres naturais. Nada que uma boa vontade política não resolva, diga-se de passagem.
É, essas crianças vivem uma verdadeira odisseia...

Muitas vão de canoa em Riau, na Indonésia







No sertão do Brasil, crianças montam seus jegues para não chegarem atrasadas  na aula.








Em Angola, ainda hoje é preciso enfrentar terrenos minados para tentar chegar à escola em segurança!




Na província de Rizal, nas Filipinas, as crianças já estão acostumadas a atravessar os rios usando pneus inflados, com todo cuidado para não molhar  livros e cadernos que levam nas mochilas...





A 800 metros do rio Negro, na Colômbia, elas atravessam por cabos de aço até o outro lado, onde fica a escola.














Pontes precárias são o único caminho para os estudos em Lebak, na Indonésia!








A pequena menina palestina parece dizer: "Esta guerra não é minha, me deixem passar!". Ela atravessa indolente desviando-se de pedras lançadas por seus irmãos palestinos contra soldados israelenses.  A menina de 10 anos só quer chegar à escola e mostrar as tarefas que fez em casa.






Em Kerala, na India, a super lotação de crianças vai puxada a cavalo até a escola mais próxima do vilarejo.













Escadas de madeira são improvisadas na montanha rochosa, pois é o único caminho existente em Zhang Jiawan, no sul da China, se quiserem chegar à aula a tempo!







Zanskar é um pequeno povoado perdido nas montanhas do Himalaia. No inverno implacável as temperaturas chegam ao absurdo de 40 graus abaixo de zero! Na jornada até o internato de Leh, antiga capital do reino de Landakh, as crianças são guiadas por seus experientes pais e têm que atravessar 3 vales para chegar à escola. Lá elas passarão o restante do ano. Como não há estradas, o único caminho possível é seguir o curso do rio Zanskar congelado. A "caminhada" dura vários dias, dormindo em grutas nas ladeiras do rio. E quem disse que as crianças reclamam? Estão sempre com um sorriso no rosto, rindo o tempo todo e dando as mãos uns aos outros quando o perigo é iminente, nunca deixam os mais fracos para trás.
Ah, quanto ainda temos que aprender com esses seres tão pequenos, solidários e HUMANOS!

Na entrada da escola, uma placa que já diz tudo:


domingo, 23 de agosto de 2015

Que chuva, hein!


Se existir neste planeta um lugar muito úmido mesmo, é lá que eu gostaria de estar agora... 
Em épocas tão secas, como agora no Brasil, até parece mentira, mas tem um lugar neste mundo que chove muito, muito mesmo. Mawsynram, um vilarejo no noroeste da India, na região do Himalaya, é considerado o lugar mais úmido da Terra! Lá as pessoas compram guarda-chuva como se fossem comprar pão na padaria, é um item de 1° necessidade. A maior parte dessa chuva toda cai no período das monções na India, que vai de junho a setembro. Chega a 25 metros de chuvas acumuladas num ano (20 vezes mais que em Londres, uma cidade que chove bastante)! E nem precisa comparar com o local mais seco do mundo, o deserto do Atacama - no Chile - que não consegue ver nem meia polegada de chuva em um ano! 

As florestas tropicais úmidas ficam com uma cor inacreditável e cheias de vida. Porém, as chuvas torrenciais acabam trazendo outros problemas, como alagamentos. As comunidades locais já se acostumaram a viver assim. Questionado sobre isso, um morador respondeu: "Aqui está sempre chovendo, mas temos que trabalhar, então não dá pra ficar pensando nisso". As ruas se transformam em cachoeiras e os animais saem procurando abrigo em qualquer lugar; por isso as portas têm que estar sempre fechadas. E quem disse que as pessoas reclamam? Jamais. Dizem que têm que estar preparadas para as forças da natureza, e que isso não pode atrapalhar o andamento de suas vidas.

E quando não chove? Ah, os moradores contam que a estação seca é pior que a molhada porque eles têm que encontrar água para beber e lavar roupa! Quanto a ficar debaixo d'água, isso não é problema, já estão acostumados. A falta dela é que incomoda. Inclusive as chuvas constantes atraem cada vez mais turistas, que nunca viram tanta água cair num só lugar. Esse turismo "molhado" traz uma renda extra às pessoas dali, que vivem basicamente do cultivo.


Cientistas dizem que as nuvens de chuva que se formam no verão ficam presas ao norte do Tibet, na faixa mais montanhosa do mundo, o Himalaya. As monções chegam e carregam tudo de uma vez para os vilarejos ao redor das montanhas. A região basicamente não conhece o que é calor! Tem temperaturas médias de 10°C em janeiro e no máximo 20°C em agosto, quando fica mais quente e úmido.

Neste vilarejo das montanhas, perto da fronteira com Bangladesh, ninguém reclama de tanta chuva!


Os moradores de Mawsynram desenvolveram um método para lidar com o clima molhado - o Knup é feito com material local,  tem o formato de casco de tartaruga, o que não os impede de trabalhar na lavoura.




E eles ainda cultivam pontes! Ninguém duvida que a natureza é algo incrível, e quando o homem resolve usá-la de forma sustentável então... Os moradores da região aprenderam a enfrentar as impiedosas enchentes interagindo com a mãe natureza. Como? Cultivando pontes naturais. É uma tradição que passa de geração a geração. As raízes da figueira ficus crescem entrelaçadas  e são bem resistentes. Como suas raízes são elásticas, eles "só" têm que aprender a direcioná-las da forma certa para que virem uma ponte segura, capaz de suportar até 50 pessoas de uma vez! O processo de cultivo leva de 10 a 15 anos e pode durar até 500 anos, segundo os moradores mais antigos. 

Acho isso impressionante, como a própria natureza ensina o homem a viver, e sem precisar destruí-la! As adversidades do tempo muitas vezes fazem parte da vida das pessoas de forma natural, é só aprender a contornar as coisas mais difíceis e tentar viver com isso. Afinal a vida não é uma poção mágica e as coisas não funcionam só porque a gente quer. Este é o ponto, e um ponto é apenas o começo...

domingo, 16 de agosto de 2015

Hasta pronto Bolívia!

O desejo de viajar e respirar outros ares sempre esteve grudado em mim!  Todavia, nem o tempo nem a grana me deixam praticar tanto assim.... Estar em ambientes diferentes, fugindo do lugar comum, é o que me atrai. Frequentemente me parece que estaria melhor onde não estou. E quando estou lá, já começo a pensar em outro lugar, outros ares. É um exercício diário do qual não me canso, e mantém meus neurônios em forma! Se um lugar está cheio de turistas então, corro na direção oposta. Não sei o que há comigo... Nada contra. Mas é que os lugares pouco procurados sempre me trazem ótimas surpresas. Já faz um tempo que fui à Bolívia por conta de um projeto de pesquisa. Mas poderia também ter escolhido ficar no Brasil, que nada mudaria. Acontece que só de ouvir falar do altiplano boliviano, aquelas imagens dos Andes, da cultura Inca e da capital La Paz começaram a povoar minha mente. Além disso, estaria num projeto incrível sobre mudanças climáticas. Alguma dúvida? E lá estava eu, desembarcando no aeroporto de El Alto (a 4000 m de altitude), um dos mais altos do mundo. A primeira impressão que tive foi de caos total!  Tivemos que pegar uma van de El Alto até La Paz, com um tráfego absolutamente enlouquecido, onde os sinais de trânsito são meros enfeites nas ruas, que mudam de cor o tempo todo, sem que ninguém olhe para eles! Uma profusão de gente atravessando na frente dos ônibus, carros que mudam de direção num piscar de olhos e quase batem uns nos outros. Haja fôlego! Ainda bem que eu não tenho problema com altitude, senão precisaria de oxigênio extra. A propósito, quase todas as vans em La Paz são equipadas com cilindro de oxigênio, caso alguém sinta o 'mal de altura'. Tem também a opção de mastigar folhas de coca (vendidas pela cidade no peso), deixa a boca um pouco anestesiada, mas a sensação de enjoo passa na hora. Tive que mastigar algumas ao pegar o ônibus até o lago Titicaca, pois as curvas sinuosas nas montanhas não dão trégua! Considerado o país mais pobre da América do Sul, não é exatamente o mais procurado pelos brasileiros. O que é uma grande bobagem, Os bolivianos são incríveis, sua cultura é riquíssima  e a cordilheira dos Andes ao redor de La Paz dá o tom surreal ao lugar.




Uma coisa que me chamou a atenção em La Paz é que não há violência ou medo, como nas grandes cidades brasileiras. Apesar de ser um país pobre, não há tantos pedintes nas ruas, não vi nem mendigo, e os assaltos a mão armada por lá são bem raros, como eles mesmos dizem.








Grande parte da população boliviana descende de indígenas, em suas diversas etnias. O que achei legal é que eles são autênticos. Alguns se vestem de forma bem colorida, como as "Cholas", e têm orgulho de seu povo e sua cultura andina. E isso é natural, não existe encenação para os gringos, como em outros países.



Os pequenos ônibus locais, conhecidos como Trufis, parecem com aqueles de desenho animado. Andam sempre abarrotados de gente, e o cobrador vai gritando pelas ruas com a porta aberta, dizendo os destinos por onde o ônibus vai passar, uma loucura! Nem tentei pegar um, pois em La Paz é fácil andar a pé, o que para mim é sempre a melhor opção. É um jeito de me socializar mais rapidamente com as pessoas locais e exercitar meu espanhol 'macarrônico'!!!




Os bolivianos são tão orgulhosos de seu povo que alguns muros da cidade são pintados por artistas, mostrando a luta diária e o trabalho das pessoas para manter o país e sua rica cultura.








De qualquer lugar que se olhe de La Paz, é possível ver a imponente Cordilheira dos Andes. É como uma moldura para a cidade! Esta foto tirei do quarto do hotel antes de anoitecer







A paisagem lunar do "Valle de la Luna", perto de La Paz, já diz tudo, estamos em um país que impressiona só de olhar. Subir e descer essas formações rochosas exige um certo esforço, ainda mais quando estamos a quase 4000 metros de altitude. Muitos preferiram ficar só na entrada do parque tomando água debaixo de um sol forte. Mas nada melhor que mergulhar dentro dessas rochas e se imaginar num outro planeta. Dá para tirar fotos incríveis de todos os ângulos!


Titicada, cerca de 4 horas de viagem de La Paz, é o lago navegável mais alto do mundo. Sua paisagem árida ao redor é devido ao frio do vento que vem dos Andes. Suas águas são alimentadas pelo degelo das montanhas e também das chuvas. Ali você conhece de perto a cultura dos antigos Incas e seus descendentes que vivem do lago.




Algumas lhamas, animal típico do altiplano boliviano, são criadas em casa, pois a tosa de sua lã serve para fazer lindos 'ponchos' para usar em dias frios (ou seja, todos os dias) e 'chulos' para proteger a cabeça dos ventos gelados.

Esta senhora, uma típica "Chola", que vive às margens do lago Titicaca tece lindos ponchos de lã de lhama. Só não comprei porque vivo num país tropical e dificilmente iria usá-los por aqui! Mas trouxe uma pequena manta toda colorida que me remete a este belo país toda vez que olho para ela! Só posso dizer 'Hasta Pronto' Bolívia!!!